Notas de outubro

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 Com a França a ferro e fogo, parece provável que as eleições favoreçam quem prometer ordem. Não nos surpreendamos;Por cá, as forças da extrema-esquerda resolveram imitar os franceses, transformando uma causa transversal num tema politico. Suspeito que vai ficar a ganhar quem transmitir a ideia de querer lidar com o problema. Não nos surpreendamos;Uma frase para pensar: «A convergência ao centro é a chave para salvar a democracia» (José Roquette);As greves regulares à segunda e à sexta voltaram à escola pública. O choque do PISA durou pouco. Para o ano há mais: greves e más notícias;Nem sei como foi possível, mas esqueci-me de falar nestas minhas notas de setembro da eleição que Putin venceu na Rússia. Os russos chamaram-lhe, diz-nos a Economist, uma «operação eleitoral especial». O processo foi tão palpitante que em Ryazan, a 185 km de Moscovo, nenhum dos candidatos se deu ao trabalho de comparecer aos debates televisivos;Já agora, a guerra trumpiana dos três dias continua. E Trump declarou não ser fã de Zelensky. Já de Putin…Edward Luce explicou no Financial Times uma possível razão para o desamor de Trump por Zelensky: o líder da Ucrânia é um sinal permanente da impotência negocial de Trump, autoproclamado supernegociador;«Putin desafia Trump e Xi para cimeira sobre a Ucrânia», anuncia o Público. Assim vai o mundo. Deprimente;O comportamento de Bolsonaro Jr prova que Lula ganhou bem. Inqualificável a insistência dos trumpistas unidos na violação da regra básica da democracia: a aceitação da derrota;Boa frase esta que encontrei em O último activo, de Hélder Teixeira: «a facturação é mais real do que o cliente». Uma verdade que explica muito do tratamento a que temos direito enquanto clientes;Um herói nacional volta a vencer: Iuri Leitão;Novidades literárias a ler com gosto: Charles de Gaulle, por Bernard Phan (Guerra e Paz). Uma biografia compacta de um dos homens que moldaram esta nossa Europa a precisar de novos de Gaulles. Também estou a gostar de ler A maldição de Golias, de Luke Kemp, um livro sobre aquilo que leva as civilizações humanas ao colapso. Estou a ler e a discordar com gosto. Outra grande novidade: No Reino do Último Homem, de Francis Fukuyama, grande e original pensador. E estou curioso para começar a ler Estranhamente Humanos, de Paulo Gama Mota. Propõe-se responder a perguntas como porque somos tão faladores, porque envelhecemos e porque gostamos de sexo. Entre outras. Irresistível;Um grande disco: Música de Elevador, de Margarida Campelo. Com ironia e distinção, porque como sobre este trabalho escreveu Rui Miguel Abreu, «nem só de adufes vive a nossa modernidade pop». Como pessoalmente estou um bocado farto de adufes gostei desta delicada pedrada no charco. E há novos discos de Beck e dos Fontaines D.C. Colheita de luxo. Tenho recordado uma velha canção dos Taxi: TVWC.O conteúdo Notas de outubro aparece primeiro em Revista Líder.