A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos teve três registros de entrada do senador na Argentina em apenas 34 minutos. Neste domingo (1º), o "Fantástico" revelou que o nome do político apareceu no sistema de imigração do país com três documentos diferentes durante a passagem pela fronteira, mas dois dos registros foram cancelados. A reportagem também identificou a participação de um homem apontado como ex-agente da inteligência israelense na operação.De acordo com o programa, a primeira entrada de Bolsonaro na Argentina ocorreu às 22h37, com um passaporte italiano. Três minutos depois, às 22h40, houve outro registro, desta vez com uma carteira de motorista. O terceiro foi feito às 23h11, utilizando um passaporte brasileiro. Os dois últimos acabaram cancelados, e a entrada com o documento italiano continuou válida.[jms-related-posts ids="1307652,1307602"]Segundo o "Fantástico", esses três registros constavam no cadastro de uma van que transportava Fernanda, esposa de Flávio, e as duas filhas do casal. Elas saíram de Brasília de avião, desembarcaram em Cascavel, no Paraná, e seguiram de van até a fronteira com a Argentina. O veículo era da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda., que negou ter transportado o senador. A reportagem também descobriu que o endereço cadastrado pela agência na Receita Federal corresponde a um estacionamento, mas funcionários do local afirmaram que a empresa nunca funcionou ali.Apesar dos registros na fronteira, a principal linha de investigação aponta que Flávio chegou à Argentina de avião. O senador teria deixado Brasília às 5h05 do dia 27, em um jato Cessna Citation Excel ligado ao advogado Willer Tomaz. A aeronave pousou às 8h40 em San Fernando, na região de Buenos Aires. De lá, o político teria seguido em outro voo para Puerto Iguazú, onde aguardou a chegada da família.[caption id="attachment_1307679" align="aligncenter" width="617"] Bolsonaro e sua família chegaram aos EUA na manhã desta quarta-feira (28) (Foto: Reprodução/TV Globo)[/caption][anuncio]O programa também identificou uma segunda van que atravessou a fronteira cerca de sete minutos antes do veículo da família. Entre os passageiros estavam o advogado Roberto Jorge Alexandre, que já atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, e Menachem Booky Halevy, apontado como ex-oficial do serviço de inteligência de Israel.Após a repercussão do caso, a deputada argentina Marcela Pagano afirmou ter cobrado explicações das autoridades. "Há irregularidade na passagem pelo controle de imigração argentino, a escolta de policiais e, depois, o transporte em carros diplomáticos do Ministério das Relações Exteriores da Argentina. São esses os elementos que eu apresento pra que a Justiça cobre explicações das autoridades argentinas sobre como puderam autorizar essa operação", declarou. Já o Secretário de Comunicação da Presidência da Argentina, Fabian Fernandez, disse que o governo não irá se manifestar.Fuga de Bolsonaro custou R$ 815 milNesta quinta-feira (29), o empresário argentino Luis Grande, dono da Baires Fly, empresa responsável pelo transporte do senador, revelou à AFP que a fuga custou US$ 150 mil (cerca de R$ 815 mil, na cotação atual do dólar). O valor teria sido transferido por um intermediário do setor de aviação, a partir de uma conta bancária estadunidense, e teria sido contratado por Jason Miller, assessor de Donald Trump."Fui contratado por um broker que conheço há dez anos, que vende voos e mora nos Estados Unidos", afirmou Grande à agência. O empresário explicou que o intermediário possui nacionalidades argentina e norte-americana, e enviou o dinheiro de uma conta empresarial nos EUA para um banco argentino. Ele, porém, não revelou a identidade da pessoa e afirmou não saber quem solicitou o serviço.[anuncio]Já o secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, negou que o governo tenha ajudado na saída do senador do Brasil. "Não facilitamos nada. Não tivemos nenhuma participação nos preparativos que ele fez. O governo dos Estados Unidos não teve participação direta em nenhuma das movimentações realizadas", declarou.Assista à matéria na íntegra:https://www.youtube.com/watch?v=r4NAoxLbWVUFlávio se manifesta sobre reportagemAntes mesmo da matéria ir ao ar, Flávio Bolsonaro se pronunciou nas redes sociais e deu sua versão do motivo para não ter concedido uma entrevista ao dominical. "Aceitei com uma condição simples: que fosse exibida na íntegra, sem cortes e sem temas proibidos. A emissora preferiu não seguir adiante. Pelo que tudo indica, o Fantástico deste domingo vai exibir uma longa reportagem a meu respeito, sem me dar o direito de resposta", disse. Ainda, ele acrescentou sobre sua decisão de fugir, insistindo que é perseguido: "Não me arrependo de absolutamente nada do que fiz".NOTA AO BRASILFui procurado por vários veículos nesta semana, inclusive pela Rede Globo, que me convidou para uma entrevista exclusiva. Aceitei com uma condição simples: que fosse exibida na íntegra, sem cortes e sem temas proibidos. A emissora preferiu não seguir adiante. Pelo que tudo indica, o Fantástico deste domingo vai exibir uma longa reportagem a meu respeito, sem me dar o direito de resposta. Se o maior grupo de comunicação do Brasil está com MEDO, não tem a menor condição moral de me julgar ou tentar destruir minha reputação.Não sai do Brasil, sai pelo Brasil! Sonhei com a mudança do nosso país para melhor e, no domingo, apenas sete minutos após o anúncio do resultado das eleições já havia uma decisão judicial com medidas cautelares contra mim, com base em mentiras.Doze horas depois e no meio da rua, fui intimado do início da perseguição, ao deixar a casa do Presidente Bolsonaro. Tudo diante do olhar lacrimejado de um pai, com comorbidades, que está condenado a mais de 27 anos de prisão - sem ter cometido crime algum - e que já sofre pela distância de outro filho que não vê há mais de um ano e meio, em função da perseguição ilegal e arbitrária que também sofre.Isso não é democracia e está muito longe de ser um processo judicial justo e imparcial.Ao menos estou num país onde posso manifestar livremente minha opinião, não serei alvo de um juíz que acordou com vontade de fazer o mal e enviou a sua polícia à minha casa para revirar as calcinhas das minhas filhas na gaveta.Fui candidato à Presidência enfrentando todo um sistema que quer as coisas continuem como estão no Brasil: ótimas para eles, mas muito piores para você. Não me arrependo de absolutamente nada do que fiz e deixo uma reflexão: “Não há remédio eficaz no Brasil para cessar violações a Diretos Humanos.” (Cristiano Zanin, em 7/Ago/2016).Nos próximos dias, vou conversar com grandes veículos nacionais e internacionais. Sem cortes, sem filtro. Quem quiser ouvir, ouvirá o que ninguém mais pode dizer estando no Brasil.— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) November 1, 2026[anuncio]Trump se manifesta sobre chegada de Bolsonaro aos EUATrump se pronunciou sobre a chegada de Bolsonaro ao país e voltou a questionar o resultado das eleições brasileiras, sem apresentar provas de irregularidades. "Acho que eles [os Bolsonaros] são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Ela tem recebido avaliações ruins. Veja o que aconteceu com o mercado deles", avaliou.“Bem, não vou comentar isso, mas sei que demos autorização para que ele entrasse no país, então vamos ver. Mas não vou me envolver”, concluiu o republicano. Mais tarde, porém, Trump optou por não comentar a carta golpista de Flávio.Assista:Vídeo: Donald Trump confirma que aprovou ida de Flavio aos EUA e diz que Senador estava na Argentina.(Áudio prejudicado pelo motor do Air Force One) https://t.co/37SDRKwByT— Sam Pancher (@SamPancher) October 28, 2026Eleições no Brasil - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (29) que não tomou partido nas eleições do Brasil a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Trump também afirmou que falará com Lula, mas, novamente não disse se reconhece a vitória do presidente brasileiro. Questionado sobre quem, para ele, havia vencido as eleições no Brasil, ele respondeu que "não quero comentar isso agora".E voltou a criticar o pleito, que chamou de "vergonhoso", sem apresentar provas."Não quero comentar isso agora, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro", afirmou o presidente dos EUA. "Acompanhei a eleição. Não tomei partido. Deixei as coisas seguirem seu curso. O presidente (Lula) — o atual presidente — me pediu para não tomar partido. E eu não tomei. Mas, ao observar o que aconteceu no Brasil... bem, basta olhar para o mercado. O mercado despencou. Enfim, achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil", disse.Contrariando a postura que tem adotado em eleições na América Latina, Donald Trump não apoiou publicamente nenhum candidato no pleito do Brasil. O governo brasileiro ainda não havia comentado, até a útlima atualização desta reportagem, a declaração de Trump de que Lula pediu ao norte-americano não se posicionar.Veja mais detalhes no #g1.#trump #lula #eleição2026 #fláviobolsonaro— g1 (@g1) October 29, 2026[anuncio]Fuga de BolsonaroFlávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28), acompanhado da mulher e das duas filhas, após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina. Na segunda, o senador foi intimado pela PF a entregar seus passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. No entanto, ele descumpriu a ordem, não entregou os documentos a tempo e teve os passaportes suspensos.ARREGÃO! Momento que Flávio Bolsonaro chega em Miami, nos EUA. https://t.co/HVpnnO8ZPI— SB (@sboficial) October 28, 2026Dois dias antes da fuga, Flávio afirmou que recebeu a intimação enquanto estava na rua, após visitar o pai, Jair Bolsonaro, em Brasília. Segundo o parlamentar, a decisão foi motivada por uma declaração de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, anteriormente. Na ocasião, Eduardo defendeu que Flávio deixasse o país caso não vencesse a eleição. "Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza", declarou ele, durante entrevista a um programa norte-americano, antes da divulgação do resultado das urnas.Flávio contestou a medida e negou que tivesse planos de sair do Brasil. "Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração", garantiu. O senador também classificou a decisão como uma tentativa de intimidação e questionou se a determinação teria sido tomada caso ele tivesse vencido a eleição.[anuncio]De acordo com o jornal O Globo, o parlamentar é investigado em dois inquéritos no STF, um relacionado a suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas e outro sobre o financiamento do filme "Dark Horse", que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidades.Assista:espera aí o Flávio Bolsonaro foi visitar o pai com o passaporte no bolso? quem faz isso? https://t.co/JCoI1Y6zJJ— William De Lucca (@delucca) October 26, 2026