O desemprego registado está a diminuir em Portugal, mas a evolução varia entre setores. Em setembro de 2026, o número de inscritos nos centros de emprego caiu 10,1% face ao mesmo mês do ano passado, com os maiores recuos percentuais na indústria do vestuário, no couro e calçado e nos têxteis. Nas tecnologias de informação e telecomunicações, porém, aumentou 5,4%.O retrato consta da análise da Randstad Research, baseada em dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), do Instituto Nacional de Estatística (INE) e da Segurança Social. Os indicadores mostram um mercado de trabalho com menos desempregados registados, embora persistam diferenças entre atividades e territórios. Indústria e construção com menos desempregados inscritosNo final de setembro, o IEFP contabilizava 271.984 desempregados registados, menos 0,6% do que em agosto. A indústria do vestuário apresentou uma redução homóloga de 27,1%, seguida do couro e calçado, com menos 20,2%, e dos têxteis, com uma descida de 19,7%. Na construção, o número de desempregados inscritos diminuiu 12,9%.Os serviços continuaram a concentrar a maior parcela dos inscritos, com 69,5% do total. O conjunto da indústria, energia, água e construção representava 20%, enquanto a agricultura tinha um peso de 3,9%.Dentro dos serviços, o alojamento e restauração registou uma descida homóloga de 9,9% e o comércio de 6,8%. Em contrapartida, além das tecnologias de informação e telecomunicações, também as atividades de consultoria, científicas e técnicas registaram um aumento, de 7%.Para a Randstad, esta diferença exige respostas distintas na atração de talento e na gestão das equipas. Norte concentra mais desempregados, mas lidera a descidaO Norte continuava a ser a região com mais desempregados registados: 103.557 pessoas, equivalentes a 38,1% do total nacional. Foi também onde ocorreu a maior redução homóloga, com menos 20.763 inscritos, uma descida de 16,7%.Na comparação mensal, o desemprego registado diminuiu em Lisboa (-1,6%), no Norte (-1%) e no Centro (-0,7%). No Algarve e no Alentejo, aumentou 5,3% e 3,1%, respetivamente.Em setembro, o IEFP contabilizou ainda 17.681 ofertas de emprego por preencher, menos 8,1% do que no mês anterior, e realizou 9.995 colocações. Os pedidos de emprego globais totalizaram 401.092. INE aponta para 5,3 milhões de pessoas empregadasAs estimativas do INE colocam a taxa de desemprego em 5,6% em setembro, mantendo-se estável face a agosto. A população empregada situou-se em 5.325.800 pessoas. Apesar da diminuição mensal de 4.900 pessoas, o emprego aumentou 32.100 face a setembro de 2025, uma subida de 0,6%.O número de desempregados estimado pelo INE fixou-se em 313 mil, menos cinco mil do que em agosto. As descidas foram particularmente expressivas entre as mulheres (-3.300) e os jovens dos 16 aos 24 anos (-2.900).Estes valores resultam de uma medição diferente da do IEFP: o desemprego registado contabiliza os inscritos nos serviços de emprego, enquanto as estimativas do INE se baseiam no Inquérito ao Emprego. Remuneração média declarada aumenta 3,8%Os dados da Segurança Social citados na análise apontam para uma remuneração média por trabalho dependente declarada de 1.649,16 euros, mais 3,8% em termos homólogos, apesar de uma quebra mensal de 8,8%.Lisboa apresentou o valor mais elevado, com 1.833,70 euros, seguida do Porto, com 1.703,10 euros. Entre os valores mais baixos surgem Beja, com 1.352,85 euros, e Portalegre, com 1.373,01 euros. As diferenças territoriais nas remunerações acrescentam outra dimensão à evolução do emprego e às condições oferecidas aos profissionais. Oportunidades de contratação e desafios de retençãoIsabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal, considera que os resultados revelam movimentos distintos no mercado. «Enquanto a indústria tradicional, a construção e os serviços operacionais registaram um ajustamento significativo da procura de emprego, os ramos técnicos e tecnológicos continuam a apresentar uma dinâmica de rotação de perfis especializados», afirma.Na leitura da responsável, este cenário representa «uma oportunidade para atrair quadros qualificados disponíveis nos segmentos de consultoria e TI», reforçando simultaneamente a necessidade de políticas de retenção e requalificação nos setores operacionais.Para as empresas, o desafio passa por ajustar o recrutamento às diferenças entre setores e investir no desenvolvimento de competências, num mercado em que a disponibilidade de candidatos está a evoluir a ritmos diferentes.O conteúdo Desemprego registado cai 10,1% em Portugal, mas sobe nas TI e na consultoria aparece primeiro em Revista Líder.