Pesquisas sugerem que os games podem contribuir para um envelhecimento cerebral mais saudávelSe você cresceu jogando videogame e continua com esse hábito na vida adulta, a ciência tem boas notícias.Pesquisas sugerem que jogar pode trazer benefícios para o cérebro mesmo depois dos 30 anos, estimulando habilidades cognitivas que podem ser importantes durante o envelhecimento.A descoberta é especialmente interessante para os millennials, geração que cresceu acompanhando a popularização dos videogames e que hoje está na faixa dos 30 e 40 anos.Embora ainda faltem estudos de longo prazo, pesquisadores acreditam que os jogos podem contribuir para manter o cérebro ativo ao longo da vida.Um dos estudos mais interessantes foi conduzido pelo psicólogo Gregory West, da Universidade de Montreal, no Canadá. Publicada em 2017, a pesquisa acompanhou adultos entre 55 e 75 anos que passaram seis meses jogando Super Mario 64.Ao final do experimento, os cientistas identificaram um aumento de massa cinzenta no hipocampo, região do cérebro fundamental para a memória e a orientação espacial.O resultado chamou atenção porque a redução do volume dessa estrutura está associada ao envelhecimento e a doenças como o Alzheimer.Mas nem todos os jogos produzem os mesmos efeitos. Outras pesquisas de West identificaram que determinados jogos de tiro em primeira pessoa podem estar associados à diminuição de massa cinzenta no hipocampo, dependendo da maneira como os jogadores navegam pelos ambientes virtuais.Como os videogames podem ajudar na terceira idade?Um dos conceitos que ajudam a explicar esses possíveis benefícios é a chamada reserva cognitiva, que representa a capacidade do cérebro de encontrar soluções alternativas para realizar tarefas e compensar determinadas alterações provocadas pelo envelhecimento.Segundo a Universidade Harvard, essa reserva é desenvolvida ao longo da vida por meio de atividades que estimulam o cérebro, como aprendizado, leitura e outros desafios intelectuais.Pessoas com maior reserva cognitiva podem apresentar maior capacidade de lidar com alterações relacionadas a doenças neurodegenerativas.Nesse contexto, os videogames podem funcionar como mais uma forma de estímulo, exigindo memória, raciocínio, planejamento e tomada de decisões. Jogos online também oferecem oportunidades de socialização, especialmente para pessoas mais velhas.Isso não significa, porém, que jogar videogame previna Alzheimer ou outras formas de demência. Os resultados são promissores, mas ainda não existem evidências suficientes para comprovar esse efeito preventivo, especialmente entre pessoas que mantêm o hábito durante décadas.De qualquer forma, os estudos ajudam a derrubar a velha ideia de que videogame é coisa de criança. Para quem nunca abandonou os controles, o passatempo pode oferecer muito mais do que algumas horas de diversão.