Binance retoma saques após ataque hacker e registra saída de mais de US$ 6 bilhões em criptomoedas

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A Binance retomou os saques de criptomoedas no domingo (1), após quase dois dias de suspensão provocada pelo ataque hacker de US$ 6,3 bilhões sofrido na última quinta-feira (29). Desde a reabertura, mais de US$ 6 bilhões em ativos digitais saíram de carteiras associadas à corretora, segundo dados da plataforma de análise blockchain DeFiLlama divulgados nesta segunda-feira (2).O volume representa aproximadamente 3,6% dos US$ 171 bilhões em ativos que a Binance informava administrar antes do ataque. Apesar de expressivo, o percentual indica que a maior parte dos recursos permaneceu na plataforma após a retomada das retiradas.É importante destacar, porém, que os US$ 6,1 bilhões contabilizados pela DeFiLlama não correspondem necessariamente apenas a saques de clientes. O levantamento considera movimentações de carteiras identificadas como pertencentes à Binance, o que também pode incluir transferências internas realizadas pela própria corretora.Em comunicado oficial, a Binance informou que, nas primeiras nove horas e meia após o início da reabertura, processou US$ 4,649 bilhões em saques de usuários, enquanto os depósitos somaram US$ 1,01 bilhão. Com isso, a saída líquida de recursos foi de aproximadamente US$ 3,64 bilhões, equivalente a 2,1% dos ativos totais informados pela empresa.A retomada começou às 3h da madrugada de domingo, pelo horário de Brasília, cerca de 45 horas depois de a Binance interromper as retiradas para investigar a invasão e reforçar seus sistemas de segurança.Leia também: Hack da Binance: como hackers roubaram US$ 6 bilhões em apenas 20 minutosO processo foi realizado em etapas, começando pelo Bitcoin (BTC) e avançando para outras criptomoedas. Até as 9h36, todas as 15 redes e ativos incluídos na primeira fase já estavam novamente disponíveis, incluindo Ethereum (ETH), Solana (SOL), XRP, BNB e as stablecoins USDT e USDC.A corretora afirmou que a demanda por retiradas aumentou significativamente logo após a reabertura, mas começou a diminuir nas horas seguintes. Os depósitos, por sua vez, permaneceram em níveis considerados relevantes pela empresa.“Após um aumento inicial, os volumes de saques diminuíram e estão se estabilizando conforme o esperado, enquanto os volumes de depósitos permaneceram substanciais”, informou a Binance em comunicado divulgado no domingo.Saques da Binance beneficiam corretoras concorrentesA movimentação de recursos também foi observada em outras grandes corretoras de criptomoedas, que registraram entradas líquidas expressivas durante o período em que os usuários da Binance voltaram a ter acesso aos seus fundos.Segundo dados da DeFiLlama, a OKX recebeu aproximadamente US$ 450 milhões em entradas líquidas, enquanto a Bybit registrou cerca de US$ 134 milhões.Os números sugerem uma possível redistribuição de recursos entre as principais plataformas de negociação, mas não permitem determinar quanto desse dinheiro veio diretamente de clientes da Binance.Mesmo após as retiradas, a DeFiLlama identificava aproximadamente US$ 129 bilhões em criptomoedas mantidas em endereços associados à Binance. O montante é diferente dos US$ 171 bilhões informados anteriormente pela corretora porque as duas fontes utilizam metodologias distintas para contabilizar os ativos.A Binance também anunciou que realizou uma nova fotografia de suas reservas, conhecida como Proof of Reserves (PoR), em 31 de outubro, e iniciou o processo de verificação criptográfica dos saldos. A previsão era divulgar os dados atualizados nesta segunda-feira (2).O relatório poderá oferecer informações adicionais sobre a quantidade de ativos mantidos pela corretora após o ataque e a retomada dos saques.A Reuters informou nesta segunda-feira que a desaceleração das retiradas é acompanhada de perto por participantes do mercado, que avaliam o efeito da invasão sobre a confiança dos investidores. Apesar da gravidade do episódio, alguns operadores entrevistados pela agência afirmaram que não pretendem encerrar suas contas na plataforma.Analistas, contudo, avaliam que o ataque poderá levar investidores institucionais e empresas de negociação a adotar maior cautela em relação aos riscos de segurança das corretoras.Binance diz ter recomposto 95% dos ativos roubadosA reabertura dos saques ocorreu depois de a Binance anunciar que havia recomposto aproximadamente 95% dos US$ 6,3 bilhões em criptomoedas afetados pelo ataque hacker, considerado o maior roubo já registrado no setor.Segundo a corretora, cerca de US$ 6 bilhões foram utilizados na aquisição de ativos para substituir aqueles retirados pelos criminosos. Os recursos vieram do caixa da própria empresa, do fundo de proteção aos usuários SAFU e de seu fundo de seguro para operações com futuros.Os 5% restantes correspondem principalmente a criptomoedas de menor liquidez, cuja aquisição em grandes quantidades exige mais tempo. A Binance afirmou que continua comprando esses ativos tanto no mercado tradicional quanto por meio de negociações de balcão, conhecidas como OTC.A empresa garantiu que os clientes não terão de arcar com os prejuízos da invasão e que os saldos de Bitcoin, Ethereum, USDT, BNB, Solana, USDC, XRP e outros ativos de maior negociação estão integralmente cobertos por suas reservas. CoinDesk+1A investigação sobre o ataque também avançou durante o fim de semana. No sábado (31), o FBI atribuiu a invasão ao grupo TraderTraitor, ligado ao governo da Coreia do Norte. Segundo a agência americana, os criminosos já começaram a converter parte dos recursos roubados em Ethereum, possivelmente como preparação para novas operações de lavagem de dinheiro.A Binance afirmou que trabalha com autoridades e empresas de análise blockchain para rastrear os ativos roubados e impedir sua movimentação. Até sexta-feira (30), aproximadamente US$ 3 bilhões haviam sido localizados e parte dos recursos estava sendo congelada com a colaboração de empresas do setor.Apesar dos avanços, a investigação sobre como os criminosos conseguiram comprometer as carteiras da exchange continua. Richard Teng, um dos co-CEOs da Binance, afirmou que o ataque envolveu o comprometimento de um computador e a utilização de programas maliciosos projetados para apagar evidências.O episódio agora coloca à prova a confiança dos 335 milhões de usuários registrados na Binance. Embora o volume de retiradas tenha sido elevado nas primeiras horas, os dados divulgados até o momento mostram que a corretora conseguiu retomar parte importante de suas operações e que a saída líquida de recursos correspondeu a uma parcela relativamente pequena de seus ativos.A continuidade dos saques, a divulgação do novo relatório de reservas e a conclusão da reposição das criptomoedas roubadas serão os próximos indicadores acompanhados pelo mercado para avaliar a recuperação da Binance após a invasão.Procurando uma alternativa para aumentar seus ganhos? A Renda Fixa Digital do MB é a solução: até 18% de ganho ao ano, risco controlado e a segurança que seu dinheiro merece. Conheça agora!O post Binance retoma saques após ataque hacker e registra saída de mais de US$ 6 bilhões em criptomoedas apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.