Stress financeiro: o custo silencioso que as empresas não podem ignorar 

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Pagar as despesas do mês, responder a um imprevisto ou conseguir poupar são preocupações que podem acompanhar os colaboradores ao longo do dia de trabalho. Quando a pressão sobre o orçamento se torna persistente, pode ser difícil manter a concentração e a disponibilidade para responder às exigências profissionais. O stress financeiro dos trabalhadores não pode ser algo alheio às empresas. Para a gestão, o desafio passa por compreender como as dificuldades financeiras afetam o quotidiano das equipas e que respostas podem ajudar, desde o acesso a informação clara até à promoção da literacia financeira. Ana Gagean, Diretora da Academia Doutor Finanças, explica porque deve este tema integrar as prioridades das organizações e de que forma uma maior capacidade para compreender e gerir o dinheiro pode contribuir para melhores organizações.  Porque é que a literacia financeira deve preocupar as empresas? Porque é um custo com número e não um tema de bem-estar em abstrato. Segundo a PwC, 57% dos colaboradores apontam as finanças pessoais como a principal causa de stress, e quem está nessa situação gasta mais de três horas por semana, em horário de trabalho, a tratar de assuntos financeiros. Em Portugal, o estudo ‘Bem-Estar Financeiro em Portugal: Uma Perspetiva Comportamental’, que o Doutor Finanças desenvolveu com a Laicos, mostra que o ponto de partida não é confortável: o nível de literacia financeira é inferior ao da Alemanha de há 16 anos. E mostra que são os comportamentos, as atitudes, a ansiedade e o rendimento, mais do que o conhecimento isolado, que determinam como as pessoas se sentem.  Esse impacto pode ser medido? Pode, em duas dimensões. A primeira é o custo para a empresa. Em 500 colaboradores, cerca de 285 estão em stress financeiro, o que representa cerca de 855 horas por semana pagas e não produtivas. Mesmo numa leitura prudente, em que só metade dessas pessoas perde essas horas, falamos de mais de 400 horas por semana. Ao custo médio por hora em Portugal (cerca de 10 euros), isto corresponde a um valor entre 200 e 400 mil euros por ano. A segunda é a mudança na vida das pessoas. Num programa de transformação como o nosso, medimos a mudança de comportamentos e a perceção de ansiedade. A pergunta que importa é se a pessoa se sente mais preparada e com mais controlo sobre a sua vida financeira.  Como se liga este impacto ao tema da poupança? Diretamente. Um colaborador sem margem para imprevistos vive em modo de emergência, e qualquer despesa inesperada, como uma reparação do carro ou uma subida da prestação, passa a ocupar tempo e atenção no trabalho. Por isso o nosso foco é o comportamento: criar o hábito de planear, também para quando o plano não corre como previsto. A poupança é o resultado desse hábito, e uma ação pontual dificilmente chega para o criar.  Que consequências vê nas organizações que ignoram o tema? O bem-estar financeiro é um dos preditores mais relevantes do bem-estar geral, por isso o que acontece com as finanças de um colaborador reflete-se na sua saúde, na sua atenção e nas suas decisões. Uma consequência é a retenção: segundo a PwC, 36% dos colaboradores em stress financeiro procuram ativamente outras oportunidades. Mas mudar de empresa nem sempre resolve, porque mais rendimento não é, por si só, mais bem-estar financeiro. Outra é a saúde: o stress financeiro está associado a mais ansiedade e a pior sono, e 44% dos colaboradores admitem que o tema os distrai no trabalho. Somam-se os custos de recrutamento e o impacto no clima das equipas.  Que papel podem ter os recursos humanos e as lideranças? Um papel central, mas oferecer benefícios não é o mesmo que cuidar do bem-estar. Em Portugal, 62% das empresas já têm planos de benefícios flexíveis (WTW, 2025), o que é positivo, mas não é um programa de bem-estar financeiro. Uma massagem no escritório é boa, mas não muda hábitos. O papel dos RH e das lideranças é abrir a cultura financeira dentro da empresa e olhar para o bem-estar de forma holística: corpo, mente e carteira. Falar de dinheiro continua a ser um tabu, e muitas pessoas chegam a situações de stress sem saberem o que não sabem.  Como é que a Academia Doutor Finanças trabalha este tema com as empresas? Em duas frentes. Com a direção de Recursos Humanos, através de um diagnóstico e de um relatório com recomendações. Com os colaboradores, através do FinUp, uma jornada semestral desenhada à medida de cada empresa, com sessões síncronas e assíncronas e acompanhamento individual com o nosso Financial Trainer, que define objetivos e um plano pessoal para cada pessoa. No fim, avaliamos o impacto. Queremos ir além da literacia e transformar o bem-estar financeiro.  O que recomenda às empresas que querem dar o primeiro passo? Medir antes de agir. Um diagnóstico mostra quantas pessoas estão em stress e com que intensidade, e dá aos RH uma base para falar com a Administração. Depois, escolher um caminho com duração e acompanhamento, e definir à partida o que se quer ver mudar. Colaboradores financeiramente mais tranquilos tomam melhores decisões, sentem-se mais motivados e ficam mais tempo. Cuidar do bem-estar financeiro das pessoas é também cuidar do futuro da empresa.   Este conteúdo integra a edição da newsletter ‘Em Foco’ dedicada ao tema ‘Literacia Financeira’. Subscreva aqui as nossas newsletters.Este artigo integra o espaço branded content da Líder e foi produzido em parceria com o Doutor Finanças.O conteúdo Stress financeiro: o custo silencioso que as empresas não podem ignorar  aparece primeiro em Revista Líder.