A divulgação do balanço do Itaú Unibanco (ITUB4) nesta terça-feira (3), após o fechamento dos mercados, deve colocar novamente à prova a distância entre o maior banco privado da América Latina e seus concorrentes. Enquanto Santander Brasil (SANB11) e Bradesco (BBDC4) enfrentaram um trimestre de pressão sobre a rentabilidade e a qualidade do crédito, o Itaú chega à temporada com expectativa de manter seus resultados em um patamar mais elevado — e com poucas surpresas no radar dos analistas. O consenso da Bloomberg aponta para um lucro líquido de R$ 12,714 bilhões no 3T26, alta de aproximadamente 7% em relação ao mesmo período do ano passado. A rentabilidade também deve continuar entre as maiores do setor: a projeção é de um retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) de 23,8%, avanço de 0,5 ponto percentual na comparação anual. A expectativa é que o banco preserve o desempenho que lhe rendeu a fama de “relógio suíço” entre os grandes bancos brasileiros. O que os analistas esperam do Itaú (ITUB4) no 3T26? Depois dos resultados de outros bancões, que trouxeram sinais de pressão sobre a rentabilidade e a qualidade das carteiras, o balanço do Itaú é aguardado com uma perspectiva mais favorável. Isso não significa, porém, que o banco esteja imune aos desafios que atingem o setor. O crescimento da carteira de crédito perdeu força entre os grandes bancos, enquanto as despesas com provisões continuam em níveis elevados. Nesse ambiente, o Itaú deve se beneficiar de uma combinação de expansão seletiva dos empréstimos, margem financeira resiliente e disciplina de custos. Para o Safra, a qualidade dos ativos deve continuar resiliente, enquanto o controle das despesas ajuda a sustentar o lucro, mesmo com crescimento mais fraco da carteira e das receitas com tarifas. “As receitas com tarifas devem permanecer fracas, mas a contínua disciplina nas despesas deve sustentar os resultados, compensando parcialmente a pressão sobre as receitas decorrente da venda da carteira de varejo na Colômbia”, avaliam os analistas. O Citi também espera um “trimestre sólido, com poucas surpresas”. A projeção considera crescimento saudável da carteira de crédito, margem financeira resiliente, qualidade de ativos estável e controle de custos. Na mesma linha, a XP Investimentos avalia que o Itaú deve continuar estabelecendo a referência de rentabilidade entre os grandes bancos. Qualidade do crédito no radar Mesmo com uma perspectiva mais construtiva para o Itaú, a qualidade da carteira continua sendo um dos principais pontos de atenção para os investidores neste trimestre. A expectativa é de que as provisões para perdas com crédito aumentem, mas em ritmo compatível com a expansão dos empréstimos, sem uma deterioração relevante nos segmentos de varejo e atacado. A XP avalia que a carteira deve permanecer saudável, embora as pequenas e médias empresas (PMEs) ainda possam passar por um processo de normalização da inadimplência. O Goldman Sachs também vê o Itaú entre os bancos mais protegidos caso o ciclo de crédito piore. Na avaliação do banco norte-americano, a instituição combina uma carteira de maior qualidade com rentabilidade de referência no setor. Essa combinação ajuda a explicar por que o banco tem conseguido preservar uma distância em relação aos concorrentes mesmo em um ambiente de juros elevados e maior pressão sobre os tomadores de crédito. Dividendos e rentabilidade continuam entre os destaques A capacidade de remunerar os acionistas também deve continuar no centro da avaliação sobre o Itaú. O Goldman Sachs espera que o banco mantenha a elevada rentabilidade e uma forte distribuição de dividendos. A projeção é de um dividend yield de 6,5% em 2026 e 6,9% em 2027, o maior entre os bancos acompanhados pelo Goldman. A vantagem do Itaú também aparece na comparação histórica de retorno sobre o patrimônio líquido (ROE). Segundo os analistas, desde 2021, todos os bancos analisados, com exceção do Itaú, passaram por períodos em que a rentabilidade ficou abaixo do custo de capital — situação que representa destruição de valor econômico para os acionistas. Na avaliação do Goldman, essa diferença tende a se perpetuar: bancos com franquias mais fortes conseguem crescer, gerar lucros e distribuir capital com maior consistência, reforçando suas vantagens competitivas.