Às vésperas das eleições de meio de mandato, Donald Trump afirmou que vai se tornar o “senhor veto” se os democratas conquistarem o controle do Congresso. A declaração ocorre enquanto pesquisas mostram candidatos republicanos ameaçados em estados onde o presidente venceu com ampla vantagem em 2024.“Acho que vou me tornar o senhor veto”, declarou Trump, em tradução, durante entrevista ao podcast Pod Force One. O presidente disse que poderia rejeitar projetos durante um ou dois meses, até que os democratas procurassem a Casa Branca para negociar acordos.A votação desta terça-feira (3) vai definir os 435 integrantes da Câmara dos Representantes e preencher 35 das cem cadeiras do Senado. O resultado determinará a capacidade de Trump de aprovar sua agenda nos dois últimos anos do mandato e poderá ampliar a pressão por investigações e por um novo impeachment.O contraste com a eleição presidencial de 2024 aparece especialmente no Texas. Trump derrotou Kamala Harris no estado por quase 14 pontos percentuais. Agora, pesquisa do New York Times com a Universidade Siena, divulgada no domingo, mostra o democrata James Talarico com 50% das intenções de voto para o Senado, contra 43% do republicano Ken Paxton.No Kansas, onde Trump venceu por mais de 16 pontos, o democrata Adam Hamilton aparece com 49%, contra 44% do senador republicano Roger Marshall.Em Ohio, a vantagem presidencial foi de mais de 11 pontos. Na disputa atual pelo Senado, o democrata Sherrod Brown registra 49%, enquanto o republicano Jon Husted tem 44%.Os números mostram candidatos democratas entre cinco e sete pontos à frente em três estados que deram vitórias expressivas a Trump há apenas dois anos.Outros dois redutos republicanos também apresentam disputas apertadas. No Alasca, Mary Peltola, do Partido Democrata, tem 48%, contra 46% do republicano Dan Sullivan. Em Iowa, o democrata Josh Turek aparece com 48%, contra 47% da republicana Ashley Hinson. Trump venceu os dois estados por cerca de 13 pontos em 2024.A comparação envolve eleições distintas, com candidatos e campanhas próprios. Ainda assim, evidencia a dificuldade dos republicanos para repetir o desempenho presidencial. As pesquisas não garantem vitória democrata, e várias disputas permanecem dentro da incerteza estatística.A possível perda do Congresso também preocupa Trump pelo risco de um terceiro impeachment. Em janeiro, durante encontro com parlamentares republicanos, o presidente afirmou que uma derrota nas eleições poderia abrir caminho para uma nova iniciativa da oposição contra ele.Nos Estados Unidos, porém, impeachment não significa automaticamente retirada do cargo.O procedimento começa na Câmara dos Representantes, que pode aprovar as acusações contra o presidente por maioria simples. Essa decisão constitui o impeachment, mas não provoca seu afastamento.O julgamento acontece no Senado. Para condenar e remover o presidente, são necessários os votos de dois terços dos senadores presentes — 67, caso os cem participem. Assim, uma eventual maioria democrata simples não seria suficiente para retirar Trump da Presidência.O próprio republicano já enfrentou esse processo duas vezes. A Câmara aprovou seu impeachment em 2019 e em 2021, mas ele foi absolvido nos dois julgamentos no Senado.Uma vitória democrata, portanto, poderia facilitar investigações e o avanço de novas acusações na Câmara, além de dificultar a aprovação de projetos do governo. A abertura de outro impeachment dependeria de decisões posteriores dos parlamentares, e uma eventual remoção exigiria apoio muito superior ao necessário para controlar o Senado.É diante dessa possibilidade de maior enfrentamento com o Congresso que Trump antecipa sua estratégia: bloquear propostas da oposição e usar os vetos para pressionar por negociações.