Irã reconhece impactos econômicos devido a sanções dos EUA em meio à guerra

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Os líderes iranianos reconhecem o impacto econômico da guerra com os EUA. O líder supremo instou o governo a lidar com as dificuldades, enquanto o presidente iraniano afirma que o comércio exterior diminuiu em um terço, devido às sanções e ao bloqueio americanos.No entanto, Teerã não deu sinais de recuo neste sábado (29), prometendo resistir à pressão dos EUA, prosseguir com a diplomacia e manter o que considera ser o controle sobre o Estreito de Ormuz, a via navegável estratégica que dá ao Irã influência por meio de sua capacidade de perturbar os mercados globais de energia.Em comunicado divulgado pela mídia estatal, o governo iraniano afirmou que o combate às pressões econômicas causadas pelas sanções e pela guerra é uma de suas principais prioridades. A nota ainda cita o controle da inflação, a gestão dos mercados, criação de empregos, o direcionamento de investimentos para a produção nacional e a redução gradual da dependência do dólar. Leia Mais Análise: Tarifaço dos EUA impulsiona acordos do Brasil Dirigente do BCE vê economia resiliente, mas aponta ameaça aos preços Trump anuncia acordo que garante aos EUA acesso ao petróleo da Venezuela Seis meses após os EUA e Israel terem iniciado a guerra, as negociações estão num impasse e o governo do presidente Donald Trump intensificou os esforços para punir financeiramente o Irã com o que denominou de “Dia D econômico”.Sanções agravam o impacto na economia do IrãWashington alertou outros países para que cortem relações comerciais com o Irã ou enfrentem sanções secundárias, embora o Departamento do Tesouro tenha evitado impor penalidades contra importantes parceiros comerciais iranianos, como China e Índia, o que poderia ter repercussões para os EUA e para a economia global.O Departamento do Tesouro impôs sanções ao Banque Misr do Egito por fazer negócios com Teerã, propondo uma regra que impediria as agências do banco nos Emirados Árabes Unidos de realizar transações em dólares.O Banco Central do Egito afirmou que, juntamente com o Ministério das Relações Exteriores, estava em contato com autoridades americanas a respeito do assunto, acrescentando que a medida se limitava às transações em dólares americanos do Banque Misr UAE com bancos correspondentes.O Banque Misr afirmou neste sábado que estava analisando a notificação do Tesouro dos EUA, acrescentando que sua filial nos Emirados Árabes Unidos continuava a prestar serviços bancários aos seus clientes.Os EUA também impuseram sanções contra uma entidade sediada em Hong Kong e uma pessoa ligada ao Banco Melli do Irã, de acordo com um comunicado no site do Departamento do Tesouro.A onda de sanções agrava o impacto da guerra na economia iraniana, onde a inflação anual atingiu 66% no mês passado.O Líder Supremo, Aiatolá Mojtaba Khamenei — que não é visto em público desde que foi ferido no ataque inicial de 28 de fevereiro que matou seu pai e ex-Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei — pediu ao governo que enfrente as dificuldades econômicas.“É preciso abordar seriamente a cadeia de desafios econômicos e de subsistência, como inflação, desemprego, gestão de preços e o mercado de bens e serviços”, disse ele, de acordo com uma declaração escrita atribuída a Khamenei.O presidente Masoud Pezeshkian declarou à mídia estatal que as exportações e importações iranianas caíram quase 35% devido às sanções dos EUA e ao bloqueio naval dos portos iranianos.Mas ele afirmou que o Irã conseguiu vender cerca de 90 milhões de barris de petróleo durante o breve memorando de entendimento que os EUA e o Irã assinaram em junho, quando Washington permitiu a venda de petróleo iraniano.Mais tarde, neste sábado, Pezeshkian pediu na TV estatal a retomada do acordo provisório, assinado em 17 de junho, mas que rapidamente se desfez em meio a divergências sobre o que havia sido acordado, especialmente sobre o status do Estreito de Ormuz.“Podemos resolver nossos problemas e obter nossos privilégios com o memorando de entendimento”, disse ele sobre um documento que ofereceu ao Irã, entre outras coisas, alívio imediato das sanções americanas e a liberação de seus ativos congelados.Irã promete seguir a diplomacia e a defesa.Enquanto os EUA concentram seus esforços na campanha de pressão econômica, outros países têm buscado retomar as iniciativas diplomáticas para pôr fim à guerra.O primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, reuniu-se com líderes iranianos em Teerã na quinta-feira. Ele afirmou ter enfatizado, durante o encontro, a importância de se retornar ao status de livre navegação pelo Estreito de Ormuz anterior à guerra.O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, descreveu na sexta-feira as conversas com Al Thani como “criativas”.Em comunicado divulgado neste sábado, o Irã afirmou que a diplomacia e a defesa são “duas vertentes complementares, coordenadas e inseparáveis” para a proteção dos interesses nacionais, da segurança e da integridade territorial do país. Acrescentou que seguirá ambas as frentes de forma equilibrada.O Catar, aliado dos EUA e vizinho do Irã no Golfo, e o Paquistão ajudaram a intermediar o memorando de entendimento de junho.Antes da guerra, o Estreito de Ormuz transportava 20% do petróleo e do GNL do mundo. Comandantes militares dos EUA afirmam que as forças americanas removeram minas marítimas do estreito, que haviam sido colocadas meses atrás pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.Trump afirmou repetidamente que o estreito está aberto, mas a Marinha da Guarda Revolucionária declarou em comunicado que tais afirmações “são uma mentira óbvia”, reiterando que a hidrovia permanece fechada para navios sem a permissão do Irã.Petróleo ainda é termômetro da economia? Entenda influência