O trabalho híbrido continua a dominar, mas está a tornar-se menos flexível. Cerca de 62% das organizações já exigem um número fixo de dias de presença no escritório, acima dos 49% registados em 2025 e dos 28% de 2022. Em contrapartida, os modelos totalmente flexíveis recuaram de 40%, em 2022, para apenas 14% em 2026.As conclusões pertencem ao Global Occupancy Planning Benchmark Report 2026, da JLL, elaborado a partir de dados de 84 organizações, com um total de 716 milhões de pés quadrados de espaços na América do Norte, América Latina, Europa, Médio Oriente, África e Ásia-Pacífico.O relatório revela que as empresas estão a entrar numa nova fase da gestão imobiliária: já não procuram apenas saber quantas pessoas ocupam os edifícios, mas construir uma infraestrutura de dados que permita antecipar necessidades, otimizar áreas e apoiar decisões através de inteligência artificial. Presença no escritório aumentaA utilização global dos escritórios atingiu 56% em 2026, face a 54% no ano anterior e 49% em 2024. O valor aproxima-se, assim, dos 61% registados antes da pandemia.A Europa, o Médio Oriente e África constituem a exceção à tendência de crescimento. Nesta região, a utilização caiu três pontos percentuais, de 58% para 55%. Já a América Latina apresentou a evolução mais expressiva dos últimos dois anos, com um aumento de dez pontos percentuais.Pela primeira vez desde o início da análise, diminuiu também a distância entre a utilização efetiva e as metas definidas pelas organizações. A diferença passou de 25 pontos percentuais, em 2024 e 2025, para 18 pontos em 2026.Esta aproximação não resulta apenas de uma maior presença dos trabalhadores. A utilização efetiva aumentou dois pontos, enquanto as metas estabelecidas pelas empresas recuaram cinco, sinal de que as organizações estão a ajustar as expectativas à realidade do trabalho híbrido.As políticas de regresso ao escritório parecem ser a medida com maior impacto: 64% das organizações que adotaram mandatos de presença registaram um aumento da utilização dos espaços. Sete em cada dez trabalhadores vão ao escritório pelo menos três diasO estudo identifica a maior alteração anual nos padrões de presença dos últimos três anos. A percentagem de trabalhadores que comparece no escritório entre três e quatro dias por semana aumentou de 36% para 55%.Ao mesmo tempo, a presença de apenas um ou dois dias por semana caiu de 31% para 20%, enquanto a proporção de profissionais totalmente remotos diminuiu de 18% para 10%. Globalmente, 70% dos trabalhadores abrangidos pelo estudo deslocam-se agora ao escritório entre três e cinco dias por semana.Os programas híbridos estão presentes em 80% das organizações, ligeiramente acima dos 77% de 2025, embora ainda abaixo do máximo de 87% registado em 2024.No entanto, o reforço da presença não está a ser acompanhado pelo mesmo investimento na gestão da mudança. Apenas 31% das organizações possuem atualmente programas desta natureza, abaixo dos 40% registados no ano anterior. O relatório alerta que impor a presença sem criar condições para envolver as equipas pode gerar cumprimento das regras, mas não necessariamente maior compromisso. Escritórios perdem lugares fixos e ganham espaços partilhadosA transformação dos modelos de trabalho está igualmente a alterar o desenho dos escritórios. Os gabinetes privados e os postos atribuídos individualmente continuam a perder espaço, enquanto aumentam as cabines para chamadas, as salas de concentração e as pequenas salas de reunião.Para avaliar se estas alterações produzem resultados, a JLL defende que as empresas precisam de recolher informação ao nível de cada espaço. Os registos de entrada nos edifícios permitem saber quantas pessoas compareceram, mas não revelam que salas, equipamentos ou áreas foram efetivamente utilizados.A otimização do portefólio imobiliário mantém-se, pelo terceiro ano consecutivo, como a principal prioridade das organizações, referida por 71% dos inquiridos. A precisão dos dados relativos aos espaços subiu para a segunda posição e a melhoria dos relatórios ocupa agora o terceiro lugar, ultrapassando objetivos de redução de custos que dominaram anos anteriores. IA continua longe da gestão dos escritóriosApesar do interesse crescente, a utilização de inteligência artificial no planeamento da ocupação permanece numa fase inicial. Apenas 8% das organizações ultrapassaram os projetos-piloto e chegaram às etapas de otimização ou expansão. Mais de 70% ainda não iniciaram a implementação, encontrando-se numa fase de pesquisa ou sem explorar aplicações de IA.A privacidade representa o principal obstáculo, apontado por 70% das organizações. Seguem-se os custos elevados, mencionados por 46%, e as dificuldades de compatibilidade entre sistemas, referidas por 45%.Ainda assim, há sinais de preparação. Cerca de 73% das organizações já possuem programas de governação de dados. O Power BI ultrapassou o Tableau como plataforma analítica mais utilizada, com 51% contra 42%, enquanto o Databricks, capaz de suportar aplicações de aprendizagem automática, já é usado por 14%.A principal conclusão do relatório é que a eficácia da inteligência artificial dependerá da qualidade da informação que a alimenta. Sem dados rigorosos, integrados e atualizados, as ferramentas poderão apenas automatizar decisões baseadas em pressupostos errados. Espaços técnicos são o próximo desafioLaboratórios, fábricas, armazéns, centros de distribuição e centros de dados representam quase 23% dos espaços geridos nas contas analisadas pela JLL. Apesar do custo e da complexidade destas instalações, a utilização efetiva situa-se nos 45%, muito abaixo da meta de 72%.A monitorização destes ambientes está, contudo, a acelerar. A participação no acompanhamento da utilização aumentou de 5% para 26% num único ano.Ao contrário dos escritórios, estes espaços não podem ser avaliados apenas através da presença de pessoas. A gestão deve considerar equipamentos, bancadas laboratoriais, requisitos de segurança e necessidades operacionais específicas.O futuro do planeamento dos espaços de trabalho será, por isso, determinado não apenas pelo número de dias passados no escritório, mas pela capacidade das organizações para compreenderem o que acontece dentro dos edifícios.O conteúdo Trabalho híbrido torna-se mais rígido: 62% das empresas já exigem dias fixos no escritório aparece primeiro em Revista Líder.