Justiça manda soltar chileno preso após ofensas racistas e homofóbicas em voo da Latam

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O chileno Germán Andrés Naranjo Maldini, que proferiu comentários homofóbicos e racistas durante um voo da Latam no dia 10 de maio, teve a prisão preventiva substituída por medidas cautelares pela Justiça Federal de Guarulhos. A decisão foi tomada na quinta-feira (27), pela juíza federal Fabiana Alves Rodrigues, da 1ª Vara Federal de Guarulhos, após a defesa pedir a substituição da prisão.Com a decisão, Naranjo Maldini fica proibido de deixar o Brasil, terá o passaporte retido e deverá usar tornozeleira eletrônica, com circulação restrita à região metropolitana de São Paulo. Ele também terá de comparecer à Justiça no primeiro dia útil após ser solto para assinar um termo de compromisso e deverá atender às intimações do processo.A mudança ocorreu após a Justiça considerar que houve alteração na situação do processo. O acusado foi citado, foi instaurado um incidente de insanidade mental e a defesa apresentou documentos para comprovar residência fixa em São Paulo. O próprio Ministério Público Federal, que inicialmente havia defendido a manutenção da prisão, passou a admitir a substituição por cautelares diante da necessidade de realização dos exames psiquiátricos.De acordo com o comunicado da decisão, a juíza determinou ainda a expedição de um alvará de soltura clausulado, para que um oficial de Justiça comunique ao acusado as medidas impostas. A decisão também estabelece que o Superior Tribunal de Justiça seja informado sobre a concessão da liberdade com cautelares. O processo (Ação Penal nº 5003385-11.2026.4.03.6119) permanece suspenso até a conclusão do incidente de insanidade mental. Leia mais SP terá calor intenso com pancadas de chuva neste domingo (30) Quais capitais do Brasil que mais 'perderam' moradores, conforme estudo do IBGE Nasa se prepara para lançar o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman: veja horário e o que ele irá investigar no Universo Entenda o casoO chileno Germán Andrés Naranjo Maldini foi preso na sexta-feira (15), no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, após fazer comentários racistas e homofóbicos contra um comissário de voo da Latam. Durante uma discussão, ele chamou a vítima de macaco, fez sons imitando o animal e disse que era um problema para ele o funcionário ser gay.O caso ocorreu no dia 10 de maio, em um voo para Frankfurt, na Alemanha, com escala em Santiago, no Chile. A discussão teria começado porque o homem tentou abrir a porta da aeronave durante o voo.Segundo o advogado criminalista Carlos Kauffmann, responsável pela defesa, Germán realiza tratamento psiquiátrico há mais de 13 anos, possui histórico de internações relacionadas à saúde mental e faz uso contínuo de medicação controlada. De acordo com a defesa, as informações médicas foram levadas oficialmente às autoridades para demonstrar que o chileno necessita de acompanhamento e avaliação especializada, independentemente da manutenção da prisão.Segundo a Polícia Federal, ele foi preso por injúria racial e homofóbica aos tripulantes do voo. “Após a comunicação formal das vítimas à Polícia Federal, foi instaurado procedimento investigativo que resultou na decretação da prisão preventiva do investigado pela Justiça Federal. O indivíduo foi localizado e preso ao retornar de Frankfurt, em conexão no Brasil”, disse a corporação.Em nota, a Latam Airlines diz que repudia veementemente qualquer prática discriminatória e violenta. “A companhia colabora integralmente com a Polícia Federal no caso do passageiro que praticou violência discriminatória contra um de seus tripulantes no voo LA8070 (São Paulo-Frankfurt), de 10 de maio (domingo), e que foi detido no aeroporto de Guarulhos em 15 de maio (sexta-feira). A Latam esclarece ainda que presta acolhimento psicológico e suporte jurídico ao funcionário vítima dessa violência.”OfensasUm vídeo publicado no X mostra o chileno discutindo com os funcionários da companhia aérea e dizendo que um deles é “gay”. O funcionário, então, pergunta qual o problema de ser gay.Germán Andrés Naranjo Maldini responde: “É um problema para mim ser gay”. O comissário de borda rebate, questionando se também é um problema ele ser negro.“A pele negra, o odor dos negros”, responde o chileno, em tom negativo e de desprezo. Nesse momento, duas comissárias pedem para que o homem retorne ao seu assento sob pena dele ele ser retirado do voo.O homem ironiza o pedido e volta a ofender o comissário. “Você é negro, mono (palavra em espanhol para macaco)”, diz. Em seguida, repete a palavra e imita sons do animal.Uma lei sancionada em janeiro de 2023 no Brasil equiparou o crime de injúria racial – quando alguém é ofendido em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional – ao de racismo. A pena é de dois a cinco anos de prisão.