(Bloomberg) — Um operador de teleprompter da Casa Branca pagará mais de US$ 172 mil para encerrar uma investigação de um órgão regulador federal sobre supostas apostas feitas no mercado de previsões com base em informações privilegiadas sobre discursos do presidente Donald Trump.Gabriel Perez concordou em pagar uma multa de US$ 65 mil à Commodity Futures Trading Commission (CFTC) e devolver mais de US$ 107 mil em lucros ilícitos, sem admitir as acusações do órgão regulador financeiro de que teria se apropriado indevidamente de informações privilegiadas para obter ganhos na plataforma de mercado de previsões Kalshi.Leia também: Operador de teleprompter de Trump é investigado por usar informação privilegiadaA multa representa um “desconto substancial” devido à cooperação de Perez com a investigação da agência, afirmou a CFTC em comunicado. Perez também concordou com uma proibição de negociação por três anos, segundo o órgão.“Como alguém que trabalhava na Casa Branca, Perez entendia que as informações que obtinha durante seu trabalho eram confidenciais e não deveriam ser compartilhadas com ninguém fora da Casa Branca”, afirmou a CFTC em sua ordem de cessação e desistência.Um advogado de Perez não foi localizado imediatamente para comentar.Leia também: “Com todo o meu coração, Natalie”: a assessora mais fiel de Trump ganha os holofotesA Kalshi afirmou ter identificado o que descreveu como negociações anômalas em março e comunicado o caso à CFTC, segundo informou a Bloomberg em julho. Na época, um porta-voz da Casa Branca disse que o funcionário havia sido colocado em licença administrativa não remunerada, sem revelar sua identidade. A CFTC considera as plataformas de mercados de previsão como bolsas de derivativos sob sua jurisdição.O chefe de fiscalização da Kalshi, Robert DeNault, afirmou em uma publicação no X na noite de sexta-feira que a empresa identificou atividades de negociação proibidas. “Não importa quem você seja: se violar nossas regras ou a lei federal, enfrentará as consequências”, disse DeNault.Perez teria realizado as negociações entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, fazendo quase exclusivamente apostas relacionadas a esportes e a Trump na Kalshi, incluindo questões como: “O que Trump dirá durante seu discurso no Detroit Economic Club?”.Leia também: Suprema Corte libera Trump para manter obra de salão bilionário na Casa BrancaPerez geralmente tinha acesso aos discursos de Trump cerca de uma hora antes de eles acontecerem, segundo a CFTC.O caso é o mais recente a aumentar as preocupações sobre as novas oportunidades de insider trading abertas pelos mercados de previsão.Parlamentares apresentaram projetos de lei destinados a restringir algumas apostas, enquanto a Casa Branca alertou funcionários contra o uso de informações confidenciais para realizar operações nas bolsas.Plataformas como Kalshi e Polymarket ganharam enorme popularidade nos últimos 18 meses e permitem que usuários façam apostas sobre uma ampla variedade de eventos, de esportes a eleições. Os chamados “mercados de menções”, utilizados por Perez, permitem apostar se figuras públicas de destaque usarão determinadas palavras ou expressões em discursos, teleconferências de resultados ou entrevistas coletivas após partidas.Leia também: Quem é a “Impressora Humana”, assistente de Trump pivô de ataques a jornalistaTanto a Kalshi quanto a Polymarket afirmaram ser contrárias ao insider trading e disseram monitorar ativamente os mercados, além de encaminhar denúncias às autoridades policiais e aos órgãos reguladores federais.©2026 Bloomberg L.P.The post Ex-assessor de Trump paga US$ 170 mil em investigação sobre informação privilegiada appeared first on InfoMoney.