Diferente dos veículos a combustão, que resolvem o problema de pane seca com um galão de combustível trazido do posto mais próximo, um carro elétrico que zera a bateria demanda procedimentos bem mais complexos para voltar a rodar.Por sorte, isso esse não foi o caso do motorista de aplicativo Lucas Almeida. Durante o episódio do QRCast desta semana, ele contou que chegou a zerar a bateria de um BYD Dolphin GS durante um dia de trabalho. “Foi um perrengue que eu passei. A minha sorte é que eu estava em uma ladeira e tinha um ponto de recarga no final da rua”.Quando a bateria do carro elétrico atinge o limite da carga, o sistema de gerenciamento eletrônico entra em ação antes do desligamento total. Isso pode ter salvado Lucas. “Mesmo com a bateria zerada, o carro conseguiu chegar até o eletroposto”, conta. Continua após a publicidadeO veículo emite alertas visuais e sonoros no painel e reduz progressivamente a entrega de potência para economizar energia. Recursos secundários como ar-condicionado e central multimídia costumam ser desativados automaticamente para garantir os últimos metros de rodagem até um local seguro. Foi isso que durante o teste feito por QUATRO RODAS. Continua após a publicidadeSegundo o inmetro, o BYD Dolphin GS tem 291 km de autonomia. Em nosso teste, a autonomia real foi bem menor. Ao atingir 271 km, o modelo chegou aos 2% de bateria e obrigou o repórter João Vitor parar após ter uma perda de potência relevante.“Ao chegar a 2% de bateria, a famosa tartaruguinha cor de laranja apareceu no painel e cortou a potência [luz espia que alerta para a redução de potência]”, contou o repórter na época. Continua após a publicidadeCaso o motorista ignore os avisos e a carga chegue a 0%, o trem de força é desligado por completo. Nesse momento, a direção assistida e os freios perdem a atuação principal, tornando as manobras mais pesadas. O veículo ainda mantém sistemas básicos de iluminação por um breve período graças à bateria auxiliar de 12V, mas a rodar fica impossível.–Fernando Pires/Quatro Rodas Continua após a publicidadeA bateria de íons de lítio sofre danos quando passa por uma descarga profunda. Ainda que já existam “power banks móveis gigantes” ou guinchos que podem levar o carro até um ponto de recarga para salvar os donos de elétricos nessas situações, não é o ideal.Chegar ao limite absoluto faz com que a tensão das células caia a níveis críticos, o que pode provocar a degradação precoce da capacidade de retenção de energia do conjunto de tração. Continua após a publicidade–Fernando Pires/Quatro RodasEm alguns casos, a recuperação pode exigir paciência. A eletrônica do veículo passa por uma fase de diagnóstico assim que o plugue é conectado e pode demorar alguns minutos para aceitar a carga inicial em taxa reduzida. Apenas quando as células recuperam a voltagem mínima de segurança é que o sistema libera a potência total de carregamento. Publicidade