IA está tirando empregos da geração Z? Especialista explica mudanças no mercado

Wait 5 sec.

A chegada da inteligência artificial no ambiente de trabalho trouxe um alerta para quem está dando os primeiros passos no mercado. Com robôs assumindo tarefas operacionais e de redação básica, por exemplo, muitos jovens da Geração Z temem perder espaço antes mesmo de começar a carreira. Embora cargos júniores passem por mudanças com o avanço da tecnologia, novas oportunidades surgem para quem sabe utilizá-la a seu favor. Para mostrar o que muda na prática, entrevistamos especialistas que analisaram os cenários de contratação atuais e destacaram as habilidades comportamentais e técnicas que prometem virar a chave para os jovens profissionais se destacarem nos próximos anos. Confira os detalhes.🔎Testamos 3 IAs que organizam seus gastos: vale a pena trocar a planilha?🔔 Canal de ofertas no WhatsApp: confira promoções, descontos e cupons a qualquer hora🔎 5 IAs para criar planilhas automaticamente no Excel e Google SheetsConversamos com especialistas para analisar como a IA transforma os cargos de entrada e quais habilidades os jovens precisam terReprodução/Magnific📝É possível criar uma inteligência artificial em casa? Entenda no Fórum do TechTudo📲 Comparador de celulares do TechTudo: analise preços, ficha técnica e recursosÍndiceA IA está tirando empregos da geração Z?Por que os jovens são os mais impactados?Quais funções estão mudando mais rapidamente?Como a geração Z pode se adaptar ao novo mercadoIA substitui pessoas ou transforma profissões?1. A IA está tirando empregos da geração Z?A discussão sobre a chegada da inteligência artificial às empresas ganhou força acompanhada de uma pergunta frequente entre os jovens: a tecnologia está fechando as portas para o primeiro emprego? O receio não surge do nada. Tarefas que historicamente serviam como porta de entrada no mercado de trabalho, como pesquisas, organização de relatórios, resumos e análises básicas, passaram a ser automatizadas por ferramentas de IA. Dados globais do relatório Workmonitor, da Randstad, mostram que a Geração Z é justamente a parcela de trabalhadores mais preocupada com os impactos da automação nas rotinas profissionais. Na prática, o movimento do mercado aponta para uma reestruturação nas contratações e na formação de novos talentos. A automação assume tarefas operacionais que antes garantiam tempo de aprendizado aos profissionais em início de carreira, reduzindo o volume de vagas júniores tradicionais. “A IA está automatizando justamente as tarefas operacionais, repetitivas e de menor risco, que historicamente serviam de porta de entrada. Quando a IA assume esse primeiro degrau, ela não elimina apenas tarefas, interrompe um processo de formação que levava anos para se completar”, afirma Jacqueline Brizida, fundadora da BrizidaHR e Human Strategy Advisor. Apesar da redução na quantidade de vagas estritamente operacionais, especialistas destacam que o movimento reflete uma mudança no perfil exigido pelas empresas: o mercado atualmente busca profissionais que saibam utilizar a tecnologia de forma crítica e analítica desde o primeiro dia de trabalho. “As oportunidades de entrada continuam existindo, mas agora exigem menos execução e mais capacidade de interpretar e senso crítico”, destaca Giuliana Tranquilini, sócia da área de branding, reputação e posicionamento profissional.Como usar o ChatGPT para resolver problemas de matemática2. Por que os jovens são os mais impactados?A forte exposição dos mais jovens às transformações da tecnologia no trabalho está ligada à própria natureza das vagas de entrada. Atividades repetitivas e burocráticas, como suporte administrativo, atendimento inicial ao cliente, triagem de dados, organização de documentos e produção de textos simples, são exatamente as mais fáceis de automatizar. Um estudo do FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), assinado pelos pesquisadores Paulo Peruchetti, Fernando de Holanda Barbosa Filho e Janaína Feijó, aponta que quase 30 milhões de trabalhadores no Brasil estão em ocupações expostas à IA generativa, com destaque para a população jovem e o setor de serviços. Paralelamente, os processos seletivos para recém-formados passaram a exigir o domínio de ferramentas de tecnologia como pré-requisito técnico logo na candidatura.“A Geração Z ainda ocupa, em maior proporção, funções de entrada, exatamente aonde a IA está substituindo tarefas antes que a experiência humana tenha tempo de se consolidar. O discernimento crítico que se espera de um profissional mais experiente vem de ter errado antes, e isso não se constrói do dia para a noite”, analisa Jacqueline Brizida. Segundo a especialista, a preferência atual por sêniores para supervisionar o trabalho da máquina pode gerar um apagão de talentos no futuro se as empresas não formarem a base agora.Apesar da pressão inicial, a virada de chave para os jovens está em usar a proximidade nativa com a tecnologia para gerar inteligência. Em vez de disputar espaço com os algoritmos, a orientação é transformar o conhecimento em aplicação prática para resolver problemas cotidianos. “Para quem está entrando no mercado, o desafio é transformar essa familiaridade com a tecnologia em capacidade de resolver problemas, aprender mais rápido e gerar valor. O desafio da geração Z não é competir com a IA, mas aprender a utilizá-la para ampliar sua capacidade sem terceirizar o próprio pensamento”, destaca Giuliana Tranquilini.20 prompts prontos MUITO úteis para copiar e usar no ChatGPT3. Quais funções estão mudando mais rapidamente?A velocidade com que a inteligência artificial reorganiza o trabalho afeta diretamente áreas como marketing, atendimento ao cliente, programação, RH, jurídico e produção de conteúdo. Nesses setores, tarefas operacionais como rascunhar textos, triar currículos, estruturar códigos simples e revisar contratos básicos ganharam o suporte do algoritmo. Segundo o estudo Future of Jobs 2023, do Fórum Econômico Mundial, quase 75% das empresas projetam adotar IA até 2027. Esse movimento mostra uma redefinição profunda das atribuições diárias: quem antes dedicava a maioria do tempo à execução manual passa a atuar na curadoria, na validação de dados e no direcionamento estratégico do resultado entregue pela máquina.Isso reflete em levantamento da Cia de Estágios, onde mostra que as companhias buscam profissionais que consigam identificar gargalos em processos internos e aplicar ferramentas de automação com segurança e eficiência. Ao mesmo tempo, em que funções antigas encolhem ou mudam de foco, abrem-se caminhos para quem se especializa na gestão, implementação e auditoria dessas tecnologias.“A IA está redesenhando funções inteiras e o tipo de entrega esperado de cada papel. Mas, na prática, isso também tem significado substituição, e não só nas vagas juniores. Tenho visto empresas cortando tanto profissionais em início de carreira quanto gerentes seniores e diretores, aumentando muito a pressão para quem fica no meio: especialistas, coordenadores e gerentes, que precisam automatizar processos e, ao mesmo tempo, sustentar ou acelerar o padrão de entrega.”, pondera Jacqueline Brizida. Já Giuliana Tranquilini, reforça que a diferenciação humana ganha peso à medida que a execução é automatizada: “Sempre que surge uma nova tecnologia, algumas atividades perdem espaço e outras passam a ser realizadas de maneira diferente. O que muda é o tipo de contribuição: competências como capacidade de análise, comunicação, visão de negócio, criatividade e julgamento se tornam ainda mais importantes”, afirma.5 comandos do ChatGPT que todo usuário precisa conhecer em 20264. Como a geração Z pode se adaptar ao novo mercadoPara se adaptar a um mercado que automatizou a execução de tarefas básicas, a orientação dos especialistas é clara: o diferencial dos jovens profissionais deixou de ser a quantidade de trabalho braçal e passou a ser o julgamento humano. Aqui, o caminho para a Geração Z está em usar as ferramentas digitais a seu favor, sem abrir mão do raciocínio próprio. “A primeira orientação é aprender a usar a IA como apoio para pesquisar, organizar informações, testar ideias e acelerar primeiras versões, e nunca para pensar para você”, pondera Giuliana Tranquilini.Mas além da postura técnica, a apresentação de resultados práticos pesa na hora de conquistar as primeiras oportunidades, mesmo sem um histórico longo na carteira de trabalho. Projetos autorais e pequenas entregas ajudam a tangibilizar a capacidade do candidato no início da trajetória. “Apresentar um portfólio ou projetos reais, mesmo pequenos e fora do contexto de trabalho, pesa muito para quem é júnior, porque prova capacidade de execução. Vale ressaltar que a postura e a forma de se comunicar também são avaliadas”, explica Jacqueline Brizida.Salvei minhas finanças com o ChatGPT — conheça os 10 melhores prompts5. IA substitui pessoas ou transforma profissões?Em um cenário em que todos possuem acesso aos mesmos recursos, o repertório pessoal e a coerência viram o grande ativo no mercado. “Existe uma diferença importante entre usar a IA para organizar uma narrativa e usá-la para construir um personagem. A ferramenta pode ajudar na preparação. Mas, durante a conversa, aparecem a consistência, o repertório e a verdade de cada pessoa”, destaca Giuliana Tranquilini.Por fim, o ajuste de mentalidade sobre a dinâmica de crescimento nas empresas torna a jornada menos ansiosa para quem está começando. A carreira linear deu lugar a trajetórias dinâmicas, que exigem aprendizado contínuo, boas conexões e foco em competências como negociação e pensamento crítico. “Talvez o ajuste mais importante seja psicológico: aceitar que a carreira hoje é menos linear do que costumava ser, e que isso não é motivo de insegurança, mas sim a nova forma pela qual todo mundo está aprendendo a trabalhar”, conclui Jacqueline Brizida.Com informações de Educa+Brasil, Xataka, FGV IBRE, Cia de Estágios e GupyMais do TechTudo🎥 Zenbook DUO é o novo notebook ASUS com 2 telas e bateria gigante; testamos!Zenbook DUO é o novo notebook ASUS com 2 telas e bateria gigante; testamos!