Bitcoin vai “flopar” mais uma vez? O que mercado espera após melhor mês do ano

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O Bitcoin (BTC) foi o investimento mais rentável de agosto no Brasil. A criptomoeda subiu 26,81% em reais no mês, segundo levantamento da Elos Ayta, à frente do ouro, que avançou 9,12% em dólares, e do índice BDRX, com alta de 6,04%. A Nasdaq subiu 3,93% e o Ibovespa caiu 0,33%.No acumulado de 2026 até agosto, o Bitcoin ainda é o pior ativo da lista, com perda de 15,55%, atrás até do euro e das small caps. Ou seja, agosto devolveu parte de um prejuízo acumulado ao longo de meses de letargia, mas não virou o ano.Agora o ativo entra em setembro negociado perto de US$ 78 mil, ou cerca de R$ 401 mil, com dois vetores opostos na mesa: de um lado, fluxo comprador em ETFs e a volta de uma tese macro que favorece ativos de oferta limitada; de outro, um Federal Reserve que pode subir juros e um histórico sazonal ruim.Por que o Bitcoin voltou a subir?A virada começou fora do mercado cripto, quando o Tesouro americano anunciou que dobraria o tamanho das operações de recompra de títulos longos, derrubando os juros longos, enfraquecendo o dólar e tirando o mercado de criptomoedas de meses de estagnação. O episódio reaqueceu a tese do debasement trade, a ideia de que um governo muito endividado que passa a intervir no mercado de sua própria dívida acaba pagando a conta com uma moeda mais fraca, o que favorece ouro, commodities e Bitcoin. Para Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil, o episódio mostra a sensibilidade do ativo ao pano de fundo macro. “A combinação de um dólar mais fraco, menor expectativa de retornos reais em renda fixa e o retorno simultâneo de demanda nos mercados criou as condições para uma alta acelerada do BTC”, afirma.Leia tambémVale a pena comprar dólar a R$ 5,20? Por que chegou a hora de entrar, segundo a XPCorretora diz que nível não é “ponto de entrada inequivocamente atrativo”, mas argumenta que o juro alto lá fora reduziu a dependência do câmbio na hora de entrar – especialmente diante da volatilidade das eleiçõesO sinal mais construtivo veio dos fundos negociados em bolsa. Na semana encerrada em 21 de agosto, por exemplo, os ETFs americanos de Bitcoin captaram US$ 1,92 bilhão, a maior entrada semanal desde outubro de 2025, e receberam mais US$ 924 milhões na semana seguinte, sem a realização que costuma acompanhar altas rápidas. Em junho e julho, os mesmos produtos tinham perdido cerca de US$ 6,94 bilhões.A Binance Research calculou que a alta de 24,8% em sete dias foi um movimento de 2,5 desvios-padrão, entre o 1% dos maiores avanços semanais do BTC desde 2020. Em sete episódios comparáveis anteriores, o ativo estava mais alto um mês depois em todos os casos e dois meses depois em seis, com ganho médio de 18,3% no período de dois meses.A Strategy, maior detentora de Bitcoin do mundo, também voltou a comprar. A companhia adquiriu 4.603 BTC por cerca de US$ 369,7 milhões, encerrando uma pausa de dez semanas, e chegou a 845.050 unidades. Além disso, a Strive comprou mais 1.800 BTC, por aproximadamente US$ 143 milhões.Setembro: histórico desfavorávelO calendário joga contra. Setembro é historicamente o pior mês do ano para o Bitcoin, com retorno médio negativo desde 2013 e poucas edições positivas, ainda que os três últimos anos tenham quebrado o padrão. A sazonalidade não é exclusiva do cripto, já que setembro também constuma ser um mês mais fraco para o S&P 500.Os investidores ficam de olho no calendário macro, que pode dar mais pistas sobre a batalha dos governos contra a inflação, e sobre a trajetória das dívidas públicas que tanto preocuparam os agentes de mercado no mês.O relatório de emprego de agosto sai na sexta-feira (4), a inflação ao consumidor no dia 11 de setembro, e a decisão do Fed em 16 de setembro. Depois do discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole, a probabilidade implícita de uma alta de 0,25 ponto percentual saltou de cerca de 36% antes da fala para 66,1% na segunda-feira, segundo o FedWatch da CME Group.O petróleo agrava o quadro, após a escalada entre Estados Unidos e Irã elevar o Brent acima de US$ 92, o que encarece energia e transporte e dificulta a convergência da inflação. Com a volta do temor generalizado de inflação, as taxas e juros globais dispararam nesta terça.Os níveis que o mercado observaLacie Zhang, analista de pesquisa da Bitget Wallet, avalia que o Bitcoin se manteve resiliente diante da reprecificação de juros recente porque a alavancagem estava relativamente limpa após liquidações anteriores e não houve vendas forçadas. “Isso é resiliência, mas ainda não é prova de demanda por um ativo de refúgio”, escreve.A zona de US$ 76 mil a US$ 77 mil é apontada como a área decisiva no curto prazo. Um rompimento diário abaixo de US$ 76 mil, acompanhado de resgates persistentes em ETFs, seria o sinal de alerta mais claro. Uma recuperação acima de US$ 80 mil com compras lideradas pelo mercado à vista indicaria que a correção foi absorção.Para setembro, o cenário-base da Bitget Wallet prevê o Bitcoin entre US$ 72 mil e US$ 82 mil, com possibilidade de US$ 68 mil a US$ 70 mil caso a alta de juros seja integralmente precificada e os rendimentos reais subam mais. Um movimento sustentado acima de US$ 82 mil exigiria dados mais fracos, retomada das entradas em ETFs e um dólar mais debilitado.Pedro Fontes, analista de research do Mercado Bitcoin, trabalha com leitura semelhante e vê os US$ 77 mil como o suporte relevante, com a média de 200 dias entre US$ 69 mil e US$ 70 mil como referência em uma correção mais profunda. Ele destaca a recompra ampliada do Tesouro como principal gatilho do mês e lembra que o Standard Chartered projeta o Bitcoin em US$ 100 mil até o fim do ano. Paulo Camargo, embaixador da OKX, observa que a recuperação de agosto não ficou restrita ao Bitcoin, com a maioria das criptomoedas monitoradas subindo ao mesmo tempo, sinal de apetite por risco mais amplo do que nos meses anteriores. Entre os nomes citados por casas do setor para o mês estão Solana (SOL), Hyperliquid (HYPE) e Zcash (ZEC), além de Ethereum (ETH), mas todos ficam subordinados ao mesmo teste macro que define o Bitcoin.The post Bitcoin vai “flopar” mais uma vez? O que mercado espera após melhor mês do ano appeared first on InfoMoney.