Os índices europeus terminaram o pregão em queda, pressionados pela alta nos rendimentos dos títulos públicos, dados de inflação e escalada das tensões no Oriente Médio com barril do petróleo acima de US$ 90. Nesta terça-feira (1º), o índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com queda de 0,56%, aos 647,46 pontos, no menor nível em um mês. Entre os principais índices, o CAC 40, de Paris, encerrou o pregão com baixa de 0,39%, aos 8.301,85 pontos; o DAX, de Frankfurt, encerrou o dia com queda de 1,10%, aos 25.970,11 pontos e o índice FTSE 100, de Londres, caiu 0,32%, aos 10.789,28pontos. O que movimentou a Europa hoje? Com o cenário geopolítico ‘conturbado’ e escalada dos preços do petróleo no mercado internacional, as preocupações sobre a inflação ditaram o humor dos investidores. Na zona do euro, a inflação voltou a ultrapassar 3% na base anual. O índice acelerou de 2,9%, em julho para 3,3% em agosto, impulsionada pelos custos mais elevados da energia, já que os preços do petróleo bruto e do gás natural subiram e as refinarias aumentaram suas margens, segundo dados divulgados pela Eurostat.Já a inflação subjacente — números que excluem os preços voláteis de alimentos e combustíveis — recuou de 2,5% para 2,4% no mês passado, à medida que o aumento dos preços dos serviços, o maior componente isolado da cesta de preços ao consumidor, desacelerou de 3,3% para 3,0%.Os dados reforçaram as expectativas de que o Banco Central Europeu (BCE) eleve os juros, que estão em 2,25% ao ano, na decisão de política monetária marcada para a próxima semana. Segundo dados da LSEG, os operadores do mercado precificam uma alta de 25 pontos-base na reunião do dia 10. Na visão do ING, a possível elevação nos juros ainda se enquadra na categoria de uma alta de juros “por precaução”. “No entanto, um aperto adicional a partir daí — amplamente precificado pelos mercados — indicaria que o BCE considera necessária uma política monetária restritiva, um movimento muito mais ousado, a menos que os dados mostrem uma trajetória de alta da inflação subjacente”, avalia Francesco Pesole, estrategista de câmbio do banco holandês. Em reação à inflação, os rendimentos dos títulos públicos da zona do euro atingiram novas máximas em vários anos nesta terça-feira, em uma sessão marcada pela liquidação global de títulos Em destaque, o rendimento dos títulos alemães de 30 anos atingiu mais cedo o pico em 15 anos, enquanto a taxa dos títulos franceses de 30 anos subiu para seu nível mais alto desde 2008. “A nova escalada das tensões no Oriente Médio e as notícias relacionadas à Rússia também não ajudam o cenário neste momento. Os preços do gás natural na Europa estão nos níveis máximos registrados em março, mantendo os termos de troca do euro sob pressão”, acrescenta Pesole, do ING, em relatório a clientes. *Com informações de Reuters