Vorcaro perguntou se devia ‘estar fora’ para Moraes dois dias antes de ser preso

Wait 5 sec.

O banqueiro Daniel Vorcaro perguntou, dois dias antes de ser preso, se deveria “estar fora” para Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos.Segundo o relatório da Polícia Federal tornado público pelo relator do caso no STF, André Mendonça, nesta terça-feira (1º), Vorcaro mandou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?” para Moraes no dia 15 de novembro de 2025. O banqueiro foi preso em 17 de novembro. Nesse dia, Vorcaro enviou cinco mensagens em modo de visualização única para o contato salvo em seu celular como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. A perícia da PF identificou uma metodologia específica utilizada por Daniel Vorcaro para se comunicar de forma a evitar o registro de textos nos servidores e registros convencionais de conversas.Vorcaro escrevia as mensagens no aplicativo Bloco de Notas de seu celular, fazia uma captura de tela (screenshot) e, em uma sequência rápida de segundos (normalmente variando entre 10 e 54 segundos), abria o WhatsApp e enviava a imagem para o contato de Moraes.A perícia rastreou que, no exato segundo em que uma captura de tela do Bloco de Notas era realizada, o sistema operacional do celular gerava automaticamente arquivos em formato PDF temporários de idêntico teor na pasta. Ao todo, 52 desses arquivos residuais temporários foram recuperados pela PF no aparelho.Pedidos de VorcaroEm nota modificada em 30 de outubro de 2025, Vorcaro relatou ter recebido vazamentos informais de que diretores do Banco Central estavam sofrendo forte pressão da PF e do Ministério Público para agir contra ele.Ele escreveu: “É importante reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo, fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco” (nomes associados pela PF a Andrei Rodrigues, Diretor-Geral da PF, e Paulo Gonet, Procurador-Geral da República)Contrato com a esposa de MoraesAinda segundo o inquérito, o celular continha minutas de contratos e comprovantes de transferências financeiras entre o Banco Master (de Vorcaro) e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados (pertencente a Viviane de Moraes, esposa do Ministro Alexandre de Moraes).O contrato previa o pagamento de honorários mensais a título de pró-labore de R$ 3.000.000,00 líquidos (R$ 3.646.529,77 brutos) por um prazo de 3 anos.