Júri não alcança unanimidade para condenar enfermeira que matou os 3 filhos

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Os jurados do julgamento de Lindsay Clancy por homicídio informaram o juiz nesta terça-feira (1º) que não conseguem chegar a uma decisão unânime sobre condenar ou não a mulher de Massachusetts pela morte de seus três filhos pequenos em sua casa, em 2023 — uma tragédia que, segundo seu advogado, ocorreu enquanto ela sofria de psicose pós-parto.O juiz William Sullivan, de Plymouth, Massachusetts, após receber o comunicado do júri, instruiu os jurados a prosseguirem com as deliberações, que já entram no quarto dia de um julgamento iniciado há quase seis semanas.“Após muitas horas de deliberação, não conseguimos chegar a uma decisão unânime”, afirmou o júri na nota, segundo Sullivan.O juiz ressaltou que se tratava de um julgamento longo, com mais de 80 testemunhas e mais de 300 elementos de prova apresentados.“Por isso, vou pedir que vocês retornem à sala de deliberações e, tendo em mente todas as instruções que lhes dei, continuem com o processo de decisão neste momento”, disse ele.O julgamento, transmitido pela televisão, reacendeu debates de longa data sobre como a saúde mental pós-parto das mulheres é tratada nos EUA e como o sistema jurídico do país lida com casos em que mães matam seus filhos.Essa foi apenas a segunda comunicação do júri desde o início das deliberações. Na sexta-feira (27), os jurados pediram para ver frascos de medicamentos prescritos e uma faca que Clancy havia usado para se ferir, segundo seu advogado. Na segunda-feira, não houve perguntas.Ninguém contesta o fato de que Clancy, de 36 anos, estrangulou até a morte seus três filhos em janeiro de 2023, utilizando faixas elásticas de exercícios no porão de sua casa em Duxbury, um subúrbio de Boston. Em seguida, ela se feriu com uma faca e saltou de uma janela do segundo andar, em uma tentativa frustrada de tirar a própria vida, que a deixou paralisada. Leia Mais Justiça dos EUA decide se suspeito de matar Charlie Kirk será julgado Reforma da Suprema Corte da Venezuela avança na Câmara dos deputados Trump diz que novos ataques ao Irã são "justificados" e faz alerta ao país Durante o julgamento, seu advogado, Kevin Reddington, tentou convencer os jurados de que ela deveria ser considerada inocente por motivo de insanidade, argumentando que ela era uma mãe amorosa que estava passando por um episódio psicótico quando matou Cora, de 5 anos, Dawson, de 3 anos, e Callan, de 8 meses, em 24 de janeiro de 2023.Clancy, ex-enfermeira de obstetrícia do Massachusetts General Hospital, enfrenta a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional se for condenada por homicídio em primeiro grau. Caso seja considerada inocente por motivo de insanidade, ela seria internada em um hospital psiquiátrico estadual para avaliação.Durante o julgamento, a acusação concentrou-se em evidências mostrando que, pouco antes dos assassinatos, Clancy havia enviado seu então marido, Patrick Clancy, para buscar um pedido de comida e ir a uma farmácia, depois de verificar no celular quanto tempo ele levaria para retornar para casa.Ao retornar, ele a encontrou caída no chão do quintal, com cortes nos pulsos e no pescoço. Após a chegada das equipes de emergência, Patrick Clancy disse que correu para o porão — onde a esposa havia dito que as crianças estavam — e as encontrou com faixas elásticas de exercício amarradas ao redor do pescoço.Ele e outras testemunhas relataram que Clancy lhes disse, posteriormente, ter ouvido a voz de um homem dizendo que, se ela não agisse, perderia a oportunidade. Reddington argumentou que isso era uma evidência de que ela sofria de psicose pós-parto no momento da tragédia, após meses de luta com sua saúde mental.