Reestruturação dos Correios não é suficiente, diz ex-secretário da Fazenda

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Os Correios registraram um prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026, resultado que representa uma alta de 30,36% em relação ao resultado negativo de R$ 4,26 bilhões apurado no mesmo período de 2025.O desempenho reacende o debate sobre a viabilidade financeira da estatal e a eficácia das medidas adotadas para conter o rombo.Em entrevista à CNN Brasil neste domingo (30), Márcio Holland, professor de economia na FGV (Fundação Getulio Vargas) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, avaliou que o programa de reestruturação em curso não é suficiente para reverter a trajetória de deterioração da empresa. Leia Mais Rombo das estatais expõe deterioração dos Correios, dizem especialistas Déficit nas estatais: quais empresas mais pressionam o governo Correios vão ofertar serviços financeiros em tentativa para reverter rombo Segundo ele, os Correios acumulam prejuízos consecutivos desde 2022, somando mais de R$ 16 bilhões nos últimos cinco anos.Holland destacou que, somente em 2025, o prejuízo dos Correios atingiu R$ 8,5 bilhões — e que apenas o primeiro semestre de 2026 já acumula R$ 5,5 bilhões de resultado negativo.“É um prejuízo muito alto e sucessivo”, afirmou.Para o especialista, a magnitude das perdas representa um risco fiscal significativo, uma vez que a operação financeira da estatal envolve empréstimos com aval do Tesouro Nacional.“Uma hora essa conta pode chegar para o Tesouro”, alertou.O programa de reestruturação dos Correios, que prevê a venda de imobilizados e um plano de demissão voluntária, foi descrito por Holland como “bem-vindo”, mas insuficiente.Segundo ele, a estatal não encontra caminho para recuperar sua receita nem sua capacidade de geração de caixa após atravessar um processo de deterioração profunda de seu modelo de negócio e de seu posicionamento no mercado.Holland afirmou que não há perspectiva de solução para os Correios no médio prazo, incluindo o horizonte de 2027.Ele lembrou que, no final de 2025, a estatal precisou de um aporte de R$ 12 bilhões viabilizado por um consórcio de bancos, com juros elevados e aval do Tesouro — o que, na sua avaliação, não representa uma saída estrutural.“Não dá para ficar como está, não há solução para 2027 até agora, mesmo com o programa de reestruturação apresentado pelos Correios”, disse.Diante do cenário, Holland defendeu que a sociedade e o governo precisam discutir abertamente alternativas estruturais para os Correios, incluindo a privatização, parcerias estratégicas com investidores internacionais e mudanças no modelo de negócio e na estrutura de governança.Para ele, os recursos desperdiçados com os prejuízos da estatal poderiam ser direcionados a áreas como saúde, educação e infraestrutura.“É preciso repensar os Correios, pensar na privatização, pensar em alteração societária, estrutura de governança, alteração do modelo de negócio”, afirmou.Sobre a possibilidade de que a suspensão da taxa sobre compras internacionais de baixo valor — as chamadas “blusinhas” — pudesse contribuir para melhorar as finanças da estatal, Holland reconheceu que poderia haver algum impacto, mas ponderou que a situação está agravada a ponto de tornar essa medida insuficiente.“A gente está falando de bilhões de reais, que é muito difícil recuperar isso com encomendas internacionais”, concluiu.Correios lideram déficit das estatais; setor nuclear em seguida Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.