Recarga sem fio ganha espaço na mobilidade e desafia infraestrutura no Brasil

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A recarga sem fio começa a entrar no centro do debate sobre mobilidade urbana no Brasil, em um momento em que o país acelera investimentos em ônibus elétricos e amplia o volume de projetos previstos para as próximas décadas.Segundo dados apresentados pelo BNDES, o setor recebeu, em média, R$ 6 bilhões por ano na última década, mas o banco estima que a necessidade chegue a R$ 50 bilhões anuais. Além disso, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), desenvolvido em parceria com o Ministério das Cidades, mapeou 187 projetos de transporte público coletivo de média e alta capacidade nas 21 maiores regiões metropolitanas brasileiras, com investimentos estimados em cerca de R$ 430 bilhões até 2054.O estudo também projeta a expansão de aproximadamente 2.500 quilômetros de redes de transporte coletivo, incluindo novos trechos de BRT, VLT, monotrilho e corredores exclusivos de ônibus. Nesse cenário, a eletrificação das frotas levanta uma nova questão para governos, operadores e planejadores: como estruturar a infraestrutura necessária para sustentar a operação em escala?Eletrificação exige planejamento de energia e operaçãoA substituição dos ônibus a diesel por veículos elétricos não encerra o desafio. Pelo contrário, ela exige decisões sobre autonomia, tempo de recarga, capacidade da rede elétrica, disponibilidade dos veículos e características dos corredores. Segundo o BNDES, a autonomia afeta o peso e o volume das baterias, a capacidade de passageiros e o tamanho da frota, enquanto a tensão elétrica disponível influencia custos e prazos de implantação da infraestrutura.Esses fatores ganham ainda mais relevância em sistemas de alta frequência e corredores BRT, que dependem de regularidade e alta disponibilidade dos veículos. Por isso, a recarga passa a integrar o próprio planejamento operacional.As estratégias podem variar entre recarga em garagens, em terminais, em pontos de parada ou ao longo da rota. Nesse contexto, a Electreon defende o uso de infraestrutura de recarga sem fio, baseada na transferência de energia por indução magnética entre bobinas instaladas sob a via e um receptor no veículo, sem cabos.Segundo Ronen Avraham, diretor da Electreon para a América Latina, a eletrificação do transporte coletivo exige uma visão mais ampla. “Quando falamos em eletrificação do transporte coletivo, não estamos falando apenas sobre substituir o motor a diesel por um sistema elétrico. É necessário pensar em como a energia será disponibilizada ao veículo durante toda a sua operação”, afirma.Leia também:Supercarros e elétricos transformam garagens no mercado de luxoTransporte público cobra novo modelo de custeio, dizem especialistas Mobilidade urbana precisa de R$ 50 bilhões em investimentos anuais Conexão ANPTrilhos 2026 debate R$ 430 bilhões para mobilidade urbana Como o WhatsApp virou infraestrutura para transporte urbano ABTLP lança podcast para ampliar debates sobre transporte e segurançaPesquisa revela insatisfação com transporte público no Brasil  Efeito metrô: proximidade com transporte valoriza imóveis urbanosJornada da mobilidade ativa da Emdec leva proteção a pedestres e ciclistas a quase 1 mil pessoasInfraestrutura de recarga sem fio avança como alternativa para corredoresA proposta ganha força especialmente em operações de alta demanda, nas quais os ônibus circulam por longas jornadas ou permanecem ativos durante grande parte do dia. Nesse modelo, a empresa afirma que o carregamento pode ocorrer em diferentes momentos da rota, reduzindo a dependência de uma única janela de recarga.A Electreon diz trabalhar com três configurações complementares: DOT, para carregamento estacionário; DASH, para recarga durante paradas e deslocamentos lentos; e LINE, para carregamento dinâmico durante o movimento. A empresa também desenvolve uma solução voltada a sistemas BRT, combinando carregamento em movimento, em paradas e em garagens.Na prática, essa abordagem permite adaptar a infraestrutura às características de cada operação. Assim, acrescentar mais ônibus à frota não significa necessariamente ampliar a quantidade de carregadores, o que pode alterar a forma como operadores dimensionam seus sistemas.Segundo a própria Electreon, a tecnologia já aparece em projetos internacionais de transporte público. Em Trondheim, na Noruega, a empresa informa que um ônibus elétrico equipado com sua solução realiza carregamento sem fio durante o trajeto e nas paradas.O avanço dos investimentos em mobilidade urbana, portanto, desloca o debate para além da compra de ônibus elétricos. Agora, a discussão envolve também como integrar veículos, energia e infraestrutura de recarga ao longo de toda a operação.Para o BNDES, o desafio segue ligado à criação de condições regulatórias, jurídicas e financeiras para viabilizar projetos. Já para gestores públicos e operadores, a pergunta central permanece operacional: qual combinação de tecnologias garante eficiência, disponibilidade e escala?“Quanto mais a eletrificação avançar, mais importante será avaliar diferentes modelos de infraestrutura de recarga, considerando as características de cada operação, dos corredores e da rede elétrica. A tecnologia precisa estar a serviço da operação, e não o contrário”, afirma Avraham.O post Recarga sem fio ganha espaço na mobilidade e desafia infraestrutura no Brasil apareceu primeiro em Mobilidade Sampa.