Redação do Enem: veja como estruturar um bom texto passo a passo

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Uma cena angustiante se repete todos os anos, a cada edição do Enem e dos vestibulares: o cronômetro dispara, a folha de redação está em branco e o candidato tem o tema em mãos — mas não sabe por onde começar. O “branco” acontece mesmo entre estudantes bem preparados nas disciplinas.Para Bruno Alvarez, head de Ensino e Inovações na Geekie Educação, o problema raramente é falta de repertório. A dificuldade surge antes mesmo da escrita, na etapa de leitura do tema — momento em que o candidato precisa entender exatamente o que está sendo pedido e definir o caminho que o texto vai seguir. Leia mais Leituras e estratégias para uma boa redação no Enem, segundo especialista Como ler e decifrar manchetes jornalísticas em inglês Escrever bem virou sinal de suspeita de uso de IA? Segundo o especialista, o tema do Enem sempre traz um recorte, geralmente marcado por uma palavra abstrata — como “desafios”, “invisibilidade” e “estigma”. É essa palavra que define qual problema o texto precisa resolver, e ignorá-la é o primeiro passo para perder o fio da meada.O passo seguinte é transformar a leitura em uma tese. Nada acadêmico: é apenas uma frase que declara a posição do candidato, e Alvarez propõe um teste para saber se ela existe — completar a estrutura “vou defender que X, porque A e porque B”. Quem não consegue fechar essa frase ainda tem um assunto, não uma tese.A partir daí, o roteiro é curto: escolher argumentos que ataquem ângulos diferentes do problema, pensar na proposta de intervenção (solução) já nessa etapa de planejamento — e não só na hora de fechar o texto — e reservar um tempo final para conferir se cada parágrafo continua dentro do recorte proposto.Como montar introdução, desenvolvimento e conclusão sem perder pontos?Introdução, desenvolvimento e conclusão: a redação se sustenta quando cada parte é montada com função definida • 8photo/MagnificPara Alvarez, a introdução tem uma função apenas: “apresentar o problema e anunciar a tese, sem ainda desenvolver os argumentos”. Ele recomenda três movimentos: uma contextualização pertinente, sem clichês, a apresentação do problema já dentro do recorte e a tese fechando o parágrafo, tudo isso com, no máximo, cinco linhas.Em linguagem simples: uma informação ou referência que ajude a introduzir o problema, sem as famosas frases prontas — como “desde os primórdios da humanidade” —, seguida da delimitação do ângulo específico que o tema pede e de uma tese que deixe claros os dois eixos a serem desenvolvidos, sem anunciar em que ordem.Nos parágrafos de desenvolvimento, a regra é clara: “um parágrafo, um argumento, nunca dois”. A estrutura básica é simples: primeiro, apresente o argumento; depois, explique e comprove essa ideia; por fim, amarre tudo ao problema discutido. O importante é explicar como cada referência ajuda a sustentar o argumento; sem essa explicação, ela vira apenas um enfeite.A conclusão concentra a proposta de intervenção, que sozinha vale 200 pontos na correção da redação. Ela precisa reunir cinco elementos: agente, ação, meio, finalidade e detalhamento — e é este último que separa uma proposta boa da nota máxima.Vale lembrar que a intervenção tem de respeitar os direitos humanos e retomar a tese, sem abrir assunto novo.Quais erros mais tiram pontos — e como evitá-los na reta final?Fuga do tema e proposta de intervenção incompleta lideram a lista de erros que mais custam pontos na correção • Wayhomestudio/MagnificSegundo Alvarez, o erro mais grave é a fuga ou o tangenciamento do tema — quando o candidato escreve sobre o assunto em geral, mas ignora o ângulo específico que a prova delimitou.Para evitar isso, o cuidado começa na leitura minuciosa da proposta e termina na revisão final, conferindo, parágrafo por parágrafo, se o texto continua respondendo ao que a prova pediu.O segundo erro, também capaz de custar os 200 pontos da proposta de intervenção, acontece quando o candidato não apresenta uma solução para o problema discutido ou oferece uma alternativa sem detalhes suficientes para mostrar como ela seria colocada em prática.Outro deslize que pode prejudicar a nota é citar autores, pesquisas, leis ou fatos históricos sem explicar como eles ajudam a sustentar o argumento. Fecham a lista os erros de português, com destaque para crase, concordância e pontuação.Segundo Alvarez, quase todos esses erros podem ser evitados com uma receita simples: “planejamento antes de escrever e revisão criteriosa depois”. Na reta final, vale mais treinar esse passo a passo do que tentar enfiar repertórios novos na cabeça a poucos dias da prova.*Com apuração de Maria Paula Giacomelli, em colaboração para a CNN BrasilIA e TikTok estão comprometendo preparo real para vestibular e Enem