Os trabalhadores estrangeiros assumem um peso crescente no mercado de trabalho português e nas contas da Segurança Social. Em junho, foram contabilizados 906.019 contribuintes de nacionalidade estrangeira, quase um em cada cinco do total registado em Portugal.A análise da Randstad Research, baseada em dados da Segurança Social, do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), mostra que estes profissionais entregaram 427,82 milhões de euros em contribuições durante o mês. O valor representa um crescimento homólogo de 12,5%.Em sentido contrário, existiam 186.823 beneficiários estrangeiros de prestações sociais, correspondentes a 11,3% do total, aos quais foram pagos 64,69 milhões de euros. A diferença entre contribuições e prestações resulta num saldo financeiro direto positivo de 363,13 milhões de euros num único mês.Este indicador deve, contudo, ser interpretado como um balanço direto entre contribuições e prestações sociais. Não representa o impacto orçamental completo da imigração, uma vez que não contempla outros impostos pagos, serviços públicos utilizados ou diferentes despesas e receitas do Estado. Maioria dos contribuintes estrangeiros tem menos de 40 anosO perfil etário ajuda a explicar o contributo desta população para o sistema de proteção social: 64% dos contribuintes estrangeiros têm entre 20 e 39 anos. Trata-se, por isso, de uma população maioritariamente em idade ativa, num país marcado pelo envelhecimento demográfico e pela falta de profissionais em diferentes atividades.Ao mesmo tempo, o número de estrangeiros a receber prestações sociais diminuiu 9,7% em termos homólogos, o equivalente a menos 19.947 beneficiários.A integração destes profissionais está também a ganhar importância perante a escassez de mão de obra sentida em setores como a construção, a indústria, a hotelaria e restauração, os serviços sociais e a agricultura. Para as empresas, esta evolução torna mais relevante a criação de estratégias eficazes de recrutamento, integração e mobilidade internacional de talento. Emprego recua em julho, mas continua acima do ano passadoO retrato divulgado pela Randstad surge num momento de relativa estabilidade do mercado laboral. Em julho de 2026, o número de pessoas empregadas diminuiu em 7.100 face a junho, uma descida mensal de 0,1%, fixando-se nos 5,347 milhões de profissionais.Apesar do recuo mensal, Portugal contabilizava mais 82.900 pessoas empregadas do que em julho de 2025, um crescimento homólogo de 1,6%. Os dados mostram uma recuperação face ao abrandamento registado no início de 2026.A população ativa diminuiu em 9.900 pessoas durante o mês, para um total de 5,667 milhões. Já o número de desempregados recuou em 2.700, fixando-se nos 320.300. Taxa de desemprego mantém-se nos 5,7%A taxa de desemprego permaneceu nos 5,7% em julho, igualando os valores de abril e junho e ficando 0,1 pontos percentuais abaixo do registado no mesmo mês de 2025.A redução mensal do desemprego foi especialmente visível entre os adultos dos 25 aos 74 anos, com menos 3.700 desempregados, e entre os homens, com uma quebra de 2.100. A taxa de desemprego masculina desceu para 4,9%, o valor mais baixo desde fevereiro de 1998, segundo o INE. Remuneração média declarada supera os dois mil eurosA remuneração média declarada por trabalho dependente atingiu os 2.058,34 euros em junho, de acordo com a análise da Randstad aos dados da Segurança Social. O valor representa um aumento de 5,8% relativamente ao mesmo período do ano anterior e de 24,1% face a maio.As diferenças regionais continuam, porém, expressivas. Lisboa apresenta a remuneração média mais elevada, com 2.415,34 euros, seguindo-se Setúbal, com 2.193,30 euros. No extremo oposto encontram-se Faro, com 1.706,58 euros, e Beja, com 1.750,17 euros.«A análise deste mês evidencia uma estabilização no mercado de trabalho português. Mais do que as ligeiras variações mensais na criação de emprego, o destaque vai para a consolidação estrutural que observamos através da integração de talento estrangeiro», afirma Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal.Para a responsável, estes profissionais estão a ajudar a mitigar a escassez de mão de obra em vários setores e desempenham «um papel cada vez mais relevante no equilíbrio financeiro e demográfico» do sistema de proteção social.O conteúdo Quase um em cada cinco contribuintes já é estrangeiro: saldo de junho supera 363 milhões de euros aparece primeiro em Revista Líder.