O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, voltou a dizer que não há irregularidade no patrocínio de R$ 61 milhões para o filme “Dark Horse” feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A declaração foi feita em entrevista à TV Record, que foi ao ar neste domingo (30).“Absolutamente nada de errado”, disse sobre o caso. “É muito diferente do que fez o atual governo. Aí, sim, o Lula deve explicações, porque a gente não sabe até hoje se ele é o patrocinador, se ele é o conselheiro, se ele é um sócio do Banco Master. O próprio Lula, o próprio presidente da República fez uma reunião prometendo para os representantes do Banco Master que podiam esperar um pouquinho, porque o presidente do Banco Central ia ser trocado, então o governo teria uma forma de ajudá-lo (Vorcaro) a resolver os seus problemas no Banco Master”, disse.“Quanto mais o tempo passa, mais todos veem que com relação ao filme do Bolsonaro, não tem nada de errado. Com relação à sua relação com o governo Lula, com o Jacques Wagner, com o Rui Costa, com o Guido Mantega, com o Lewandowski, toda aquela galera que cerca ali o núcleo duro do Lula, incluindo o seu filho, todos ali têm muito a explicar”, disse.Ele afirmou que, “de forma definitiva, não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar um financiamento, um patrocínio para uma empresa privada sem nada de dinheiro público, não fui buscar Lei Rouanet”. O senador também disse que “a produtora fez a prestação de contas, inclusive para a Justiça, que não viu nada de errado. A perícia foi feita e constatou que não tem nada de dinheiro público e nada de ilegal”, disse à emissora.Na sabatina promovida pela TV Globo com Flávio, que foi ao ar nesta sexta-feira (28), o senador também foi questionado sobre o tema. Para os jornalistas César Tralli e Renata Vasconcelos, o candidato do PL disse que o assunto é um “livro fechado”.“É um livro que está fechado, ressignificado e na prateleira para quem quiser abrir e ter acesso na hora que quiserem”, declarou, durante sabatina promovida pela TV Globo.‘Comigo Brasil fará parte do Escudo das Américas’Na entrevista da TV Record Flávio Bolsonaro, afirmou que em seu eventual governo, “o Brasil fará parte de uma coisa chamada que é o Escudo das Américas, onde países da América Latina, da América Central e também da América do Norte se unem para combater o narcotráfico”. O senador também voltou a dizer que, caso seja eleito, vai declarar o Comando Vermelho, PCC e milícias como organizações criminosas.Ao ser questionado sobre uma afirmação em 2025, em que sugeriu que os Estados Unidos atacassem embarcações na baía de Guanabara, dentro do território brasileiro, ele negou que seria um convite para uma ação militar estrangeira em solo nacional. “Quem tem que resolver nossos problemas somos nós”, disse.Flávio também defendeu a inclusão de empreendedorismo e educação financeira na educação básica.“Temos que melhorar a qualidade do investimento da educação. Hoje, infelizmente, eu também tenho filhas pequenas. Eu não quero que as minhas filhas de 14 e 12 anos de idade vão para o colégio e sejam ensinadas para uma ideologia de esquerda, ou para baixarias, como a gente vê comumente acontecer em algumas escolas públicas do Brasil”, disse.Tesouraço e aumento de receitaFlávio Bolsonaro voltou a defender um ajuste fiscal com “tesouraço” de gastos públicos e aumento de receitas, afirmando que o problema fiscal do País é culpa do atual governo do Luiz Inácio Lula da Silva (PT).Ele afirmou que irá resolver a questão “equilibrando as contas, cortando gastos”. Mencionou, ainda, um “tesouraço na burocracia, tesouraço nos impostos, tesouraço em mais de mil atos normativos que a minha equipe econômica já está preparando pra fazer logo no primeiro dia de governo, para facilitar a vida de quem quer empreender”.Flávio afirmou que, caso seja eleito, também buscará novas receitas, sem aumento de imposto, além de redução das despesas, para assim reduzir a taxa de juros.Data centers e saúdeO candidato também disse que quer manter um “data center soberano para o Brasil”. Para ele, hoje, o Brasil cria um ambiente hostil à atratividade desse tipo de investimento.“Hoje o Brasil tem uma taxa de 25% para quem quiser trazer os data centers para dentro, enquanto em outros países do mundo essa taxa é zero, inclusive cria-se benefícios para atrair esses empreendimentos para os países e o Brasil está perdendo uma grande oportunidade mais uma vez”, disse.Ao ser questionado sobre problemas ambientais que data centers podem provocar, como risco de esgotamento da água, Flávio afirmou que a solução técnica para o resfriamento dos data centers é a própria água.“Eu tenho certeza que se for um projeto bem feito, a própria água pode ser reutilizada, ela resfria o data center, daqui a pouco ela pode ser reutilizada para continuar resfriando o data center”, disse.Flávio também defendeu um “padrão Einstein” de atendimento na saúde pública. Ele afirmou, novamente, que convidou o médico Claudio Lottenberg para ser ministro da Saúde em um eventual governo. “Eu quero implementar no SUS o padrão Einstein de atendimento”, disse.STF de “patriotas”Bolsonaro disse ainda que pretende indicar ao Supremo Tribunal Federal (STF) ministros “patriotas” e comprometidos com a segurança jurídica para “resgatar a credibilidade” da Corte.“Vou indicar homens e mulheres que sejam comprometidos em serem contra o aborto, em serem contra as drogas e que não usem a caneta para fazer injustiça com ninguém. Se eu indico o nome agora, já começa a tomar uma saraivada de matérias do jornal sem parar. Mas o perfil vai ser esse: homens e mulheres que sejam, de verdade, patriotas e que pensem em trazer segurança jurídica de volta, e resgatar a credibilidade do Supremo”, afirmou.Flávio não abre voto sobre 6×1Flávio Bolsonaro defendeu a “liberdade do trabalhador” para “trabalhar quantas horas ele quiser”. Em um trecho da entrevista, o político também evitou esclarecer o seu voto na votação da proposta do fim da escala 6×1, prevista para esta semana no Senado Federal.“Eu defendo a liberdade do trabalhador. O trabalhador vai trabalhar quantas horas ele quiser. Ele vai ter a flexibilidade, a liberdade de decidir e vai ser remunerado pela quantidade de horas que ele quer trabalhar”, afirmou à emissora.