Bioloon cria balão biodegradável de menor impacto

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Um balão pode levar apenas algumas horas para cumprir sua função e, ainda assim, permanecer no ambiente por muito tempo. O problema não está exatamente no látex natural que o compõe, material derivado da seiva da seringueira e biodegradável, mas no que acontece com ele durante a fabricação. Para transformar o látex líquido em borracha elástica, os fabricantes utilizam enxofre, aceleradores, antioxidantes e ativadores. São esses compostos que impedem a biodegradação e podem liberar substâncias químicas tóxicas no meio ambiente quando, por exemplo, o produto chega ao mar, a uma praia ou ao estômago de um pássaro. Foi justamente essa etapa que Juliana Cumming, estudante de doutorado do Imperial College London, passou três anos tentando eliminar. “Nosso balão ainda é feito com látex natural, mas o misturamos com outro polímero biodegradável e não acrescentamos nenhum desses aditivos usados em balões tradicionais”, diz ela. O resultado é um material macio, elástico e fácil de inflar, mas que não passará os próximos séculos em um aterro sanitário ou no estômago de uma ave marinha. Foto: Diego Vitali | PexelsA urgência de encontrar uma alternativa é proporcional à escala do problema. Entre 20 e 25 bilhões de balões são vendidos anualmente em todo o mundo. A maioria dos consumidores não sabe o que acontece com eles depois do uso, e algumas embalagens ajudam a perpetuar a ideia de que o produto desaparece rapidamente na natureza. Há muito tempo, afirma-se que os balões se degradam “na mesma velocidade que uma folha de carvalho”. A realidade é outra. Um estudo de 2019 da Universidade da Tasmânia identificou os balões como o “item de detrito plástico de maior risco” para aves marinhas, 32 vezes mais letais do que a ingestão de plásticos rígidos. Quando chegam ao oceano ou à costa, podem ser confundidos com alimento por animais e aves marinhas. E, ao contrário do plástico rígido, um balão vazio é macio o suficiente para ficar preso em seus sistemas digestivos, o que geralmente é fatal. Charlotte Melia administrou uma empresa de planejamento de festas por mais de uma década antes de começar a se preocupar com esse destino. “Colocávamos milhares de balões de festa toda semana”, diz ela, “e eles ficavam lá por apenas algumas horas, para depois estourarem e serem jogados no lixo.” Ao observar atentamente o rótulo biodegradável da embalagem e perceber que a promessa não estava se cumprindo, decidiu investir em uma alternativa. Ela e um sócio contribuíram com cerca de £ 30.000 (aproximadamente US$ 38.000) para a pesquisa de doutorado de Cumming no Imperial College.  Leia também: 1.Empresa espanhola projeta balão para viagens espaciais sustentáveis 2.Soltar balão não é legal! É crime ambiental! Chegar a uma nova fórmula, porém, exigiu três anos de pesquisa e uma sucessão de tentativas que não deram certo. “Foram centenas de testes. Tivemos muitos, muitos fracassos”, diz Cumming. A fórmula desenvolvida pela pesquisadora combina látex natural com um segundo polímero biodegradável, sem os aditivos de vulcanização. Para testar o comportamento do material, a equipe submeteu a mistura a três ambientes: solo, água do mar e água deionizada. Ela se decompôs nos três casos. Cumming estima que a decomposição completa ocorra em nove meses. A expectativa dos criadores é lançar o produto no mercado até 2028. E o potencial da tecnologia pode não se limitar aos artigos para festas: o mesmo material também poderia ser adaptado para luvas domésticas, luvas cirúrgicas, roupas de látex e preservativos. The post Bioloon cria balão biodegradável de menor impacto appeared first on CicloVivo.