Golpe do falso padre usa IA para criar vídeo e pedir dinheiro pelas redes

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Um padre que não existe, uma história comovente e um pedido de ajuda que parece legítimo. Tudo foi criado com auxílio de inteligência artificial (IA) para aplicar um golpe e tentar desviar doações de pessoas dispostas a ajudar. A fraude foi descoberta em Valinhos, no interior de São Paulo, depois que um vídeo começou a circular nas redes sociais. Na gravação, um suposto padre chamado Mateus aparece contando que perdeu as duas pernas enquanto seguia para celebrar uma missa e, por isso, precisava de dinheiro para comprar próteses.A história chegou ao pai do jornalista e teólogo Felipe Zangari, de 80 anos, por meio da presidente de uma instituição que atende idosos em Valinhos. Ela havia encontrado o vídeo nas redes sociais e, acreditando que a história era verdadeira, procurou ajuda para descobrir quem era o religioso. A ideia era simples: encontrar o padre e ajudar.Foi então que Felipe decidiu assistir ao vídeo. Ao Metrópoles, Felipe disse que o primeiro sinal de alerta apareceu justamente na imagem. O movimento da boca não acompanhava naturalmente a fala.“O mexer da boca desse padre estava meio esquisito”, contou Felipe.3 imagensFechar modal.1 de 3Vídeo criado com inteligência artificial contava a história de um padre que teria perdido as duas pernas e precisava comprar próteses Reprodução / Redes sociais2 de 3Vídeo criado com inteligência artificial contava a história de um padre que teria perdido as duas pernas e precisava comprar próteses Reprodução / Redes sociais3 de 3Vídeo criado com inteligência artificial contava a história de um padre que teria perdido as duas pernas e precisava comprar próteses Reprodução / Redes sociaisO golpe por trás do padreA partir daí, o que parecia apenas uma história triste começou a levantar suspeitas. Felipe passou a procurar informações sobre o suposto padre Mateus na internet, mas não encontrou nenhum registro sobre ele ou sobre o acidente contado no vídeo.A única pista encontrada foi o próprio site usado para pedir as doações. A página de uma suposta vaquinha havia sido criada junto com o perfil que divulgava o vídeo. Ali também estava disponível um código Pix para quem quisesse contribuir.Felipe decidiu testar o pagamento antes de fazer qualquer doação. No Pix copia e cola, é possível conferir os dados de quem receberá o dinheiro. E foi aí que apareceu mais um sinal de alerta: em vez do nome de uma paróquia ou de alguma instituição ligada ao suposto padre, o destinatário era uma empresa.Foi nesse momento que a história passou de estranha a suspeita.“Você tem uma história que sensibiliza a pessoa, você tem um personagem que parece existir e você tem um mecanismo para receber o dinheiro. Tudo isso junto dá uma aparência de legitimidade”, explicou Felipe. Leia também São Paulo“Moraes precisa ser preso”, diz Renan Santos sobre mensagens de Vorcaro São PauloSão Paulo registra dois novos casos de sarampo. Total chega a 28 no estado São PauloMoraes x Vorcaro: Caiado pede afastamento de ministro do STF: “Conivência” São PauloMãe e padrasto são presos por torturar e agredir bebê com colher de pau Para onde vai o dinheiro?Apesar de o pedido de doação ser apresentado como uma forma de ajudar o suposto padre Mateus, o dinheiro não é direcionado a uma paróquia ou instituição religiosa. Ao consultar o Pix disponibilizado no site “Ande com Padre Mateus”, identificou como beneficiária a Gestão Solidar Digital LTDA., empresa de Florianópolis associada à marca Lemes Magazine.Uma consulta feita pelo Metrópoles no Reclame Aqui encontrou cerca de 53 reclamações relacionadas à empresa e à marca. Entre os relatos, há queixas de consumidores que afirmam ter realizado pagamentos e não recebido os produtos adquiridos.O Metrópoles tentou contato com a Gestão Solidar Digital LTDA. para esclarecer a relação da empresa com a página de doações e os pagamentos identificados, mas não conseguiu localizar um número de telefone para contato. O espaço permanece aberto para manifestação.