A agenda trabalhista que entrou na campanha presidencial encontra respaldo em parte relevante do eleitorado. Pesquisa inédita do Instituto Ideia, divulgada com exclusividade pelo jornal O Globo, mostra que 27,7% dos brasileiros apontam a estabilidade como a condição mais importante no mercado de trabalho.O resultado aparece em meio ao avanço de propostas que colocam as relações de trabalho na disputa entre os candidatos à Presidência, como o fim da escala 6×1 e a regulamentação dos trabalhadores de aplicativos.A estabilidade lidera entre as condições mencionadas pelos entrevistados, seguida por plano de saúde, com 24,1%; flexibilidade de trabalho, com 19,7%; e férias e descanso remunerados, com 18,2%. Ser o próprio chefe aparece com 16,3%, enquanto 15,1% citam o trabalho remoto ou híbrido.A preferência atravessa diferentes vínculos profissionais. A estabilidade é mencionada por 29,9% dos servidores públicos, 23,4% dos assalariados e 20,1% dos prestadores autônomos de serviços.Leia tambémFim da 6×1: CCJ do Senado vota PEC nesta semana; saiba quando a escala pode mudarAvanço da proposta acontece após encontro de Lula com Alcolumbre e Motta de olho nas eleiçõesCongresso analisa fim da taxa das blusinhas, mas texto depende de negociaçãoPresidente do colegiado diz que orientação do governo é manter o texto original da MP enviado pelo Executivo para conseguir aprovar a propostaOs resultados ajudam a dimensionar um tema que ganhou espaço na campanha. A proposta que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e estabelece dois dias de descanso está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e tornou-se uma das prioridades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).Lula tem defendido a redução da jornada e trabalha para avançar a PEC antes das eleições. A oposição tenta adiar a votação em plenário, diante das resistências de setores empresariais ao impacto da medida.A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, tem criticado a proposta apoiada pelo governo. O coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), apresentou uma alternativa que amplia a possibilidade de negociação dos regimes de trabalho e permite modelos mais flexíveis de contratação.A discussão coloca diante dos candidatos um eleitorado que valoriza tanto segurança no emprego quanto maior autonomia sobre a rotina profissional.Trabalhadores de aplicativoOutro ponto com potencial eleitoral é a regulamentação dos trabalhadores de plataformas. Segundo o Ideia, 62,1% dos entrevistados defendem a criação de uma remuneração mínima para motoristas e entregadores de aplicativos.O apoio aparece também entre eleitores de direita: 54% dos bolsonaristas e 57% daqueles que se identificam com a direita, mas não com o bolsonarismo, são favoráveis a um piso.Quando precisam escolher qual direito deveria ser prioridade para esses profissionais, porém, a remuneração mínima perde espaço. O seguro contra acidentes lidera, com 19,5%, seguido pelo reconhecimento de vínculo empregatício com as plataformas, com 14,6%. O piso salarial é escolhido por 12,4%.Entre trabalhadores que não estão no regime CLT nem no serviço público, 21% apontam o seguro contra acidentes como prioridade.A regulamentação das plataformas e a jornada de trabalho colocam temas tradicionalmente associados à legislação trabalhista dentro da disputa presidencial. Os dados do Ideia indicam que as respostas dos candidatos terão de considerar demandas que atravessam os diferentes campos políticos.Para chegar neste resultado, o Instituto Ideia entrevistou 1.500 pessoas em todo o país. The post 6×1 e estabilidade: o que trabalhadores esperam dos candidatos à Presidência appeared first on InfoMoney.