Escritora mais censurada do país terá romances eróticos lésbicos reeditados

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Primeira mulher a vender mais de 1 milhão de exemplares no Brasil e uma das escritoras que mais tiveram obras censuradas no país, Cassandra Rios voltará às livrarias e às estantes virtuais. Pioneira da literatura sáfica brasileira, a autora terá dois de seus romances com personagens lésbicas reeditados, com lançamento previsto para 2027.A iniciativa é da editora mineira Relicário Edições, que pretende resgatar a memória e o legado de Cassandra Rios, autora que alcançou enorme sucesso comercial, mas teve sua obra marcada pela censura e pelo silenciamento. A reedição também busca recolocar em circulação uma escritora que abriu espaço, na literatura brasileira, para a representação do desejo e das relações entre mulheres.“Nosso trabalho ao resgatar Cassandra também é um gesto de justiça. É devolver à literatura o seu papel de dar visibilidade a quem sempre esteve aqui, desejando e existindo”, afirma Maíra Nassif, editora-fundadora da Relicário.8 imagensFechar modal.1 de 8Cassandra Rios (1932-2002)Reprodução2 de 8Escorpião na Balança, de Cassandra Rios, será reelançadoReprodução3 de 8A Santa Vaca de Cassandra Rios, será reelançado4 de 836 obras de Cassandra Rios foram alvo da censura da Ditadura Militar durante a década de 1970, fazendo dela a autora mais censurada do país.5 de 8Cassandra nunca fez questão de esconder a relação com a companheira, Vera Ortega, conhecida como Pabla.Reprodução6 de 8O primeiro livro lançado por Cassandra Rios foi Volúpia do Pecado (1948), que escreveu aos 16 anos com base nas próprias vivências enquanto uma jovem que questionava a própria sexualidade.Reprodução7 de 8Conhecida como a Safo de Perdizes, bairro de São Paulo (SP), Odete Rios nasceu em 1932 e, sob o pseudônimo de Cassandra, lançou mais de 100 romances e contos ao longo da carreira de cinco décadas.Reprodução8 de 8Cassandra Rios, a autora mais censurada do Brasil, terá obras reeditadasReprodução Leia também Entretenimento15 livros para ler em agosto, entre romances, thrillers e biografias O projeto se tornou possível após a editora firmar um contrato com o espólio da escritora, que faleceu em 2002 aos 69 anos. Os primeiros romances que serão reeditados são Um Escorpião na Balança (1965), que narra a história de uma mulher que abandona o noivo para viver um relacionamento com outra mulher; e A Santa Vaca (1984), que reflete a perseguição e os preconceitos sofridos pela própria Cassandra à época.“Queremos que uma nova geração conheça a mulher que foi vanguarda, que enfrentou a censura de cabeça erguida e que, apesar de tudo, viveu a sua própria liberdade. Sob a curadoria de Joice Nunes, que está conosco na coordenação editorial da Coleção Cassandra Rios, estamos preparando tudo com o cuidado e a qualidade que a sua obra exige.”Quem foi Cassandra RiosConhecida como a Safo de Perdizes, bairro de São Paulo (SP), Odete Rios nasceu em 1932 e, sob o pseudônimo de Cassandra, lançou mais de 100 romances e contos ao longo da carreira de cinco décadas. Destas obras, 36 foram alvo da censura da Ditadura Militar durante a década de 1970, fazendo dela a autora mais censurada do país.Durante o regime dos militares, Cassandra Rios foi uma importante figura da resistência intelectual e do movimento LGBTQIA+ na capital paulista, tendo sido presa mais de uma vez. Apesar de ser cautelosa, ela nunca fez questão de esconder a orientação sexual ou a relação com a companheira, Vera Ortega, conhecida como Pabla. Por meio de uma escrita sensível e ousada que questionou o estigma de pessoas homossexuais como “doentes e depravadas”, ela desafiou os preconceitos da sociedade da época e quebrou tabus a respeito das mulheres que amam outras mulheres. O primeiro livro lançado por Cassandra Rios foi Volúpia do Pecado (1948), que escreveu aos 16 anos com base nas próprias vivências enquanto uma jovem que questionava a própria sexualidade.Apesar de vender mais de 1 milhão de exemplares, sendo a primeira mulher a alcançar o feito no Brasil, Cassandra enfrentou uma série de crises financeiras devido à censura de algumas das principais obras que escreveu. Com as dívidas, perdeu todos os frutos do trabalho: joias, carro, a casa que tinha em Interlagos (SP) e a livraria na Avenida São João, que foi refúgio de estudantes e intelectuais à época.A história de Cassandra Rios é contada no documentário Cassandra Rios – A Safo de Perdizes (2013), disponível no YouTube, projeto realizado com fundos do projeto Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.