PL lança candidato a deputado que está na “lista suja” do trabalho escravo

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O Partido Liberal (PL) do Pará lançou um candidato que está na “lista suja” do trabalho escravo para disputar as eleições deste ano. O nome de Wanderley Dias Vieira, que concorre a deputado estadual, passou a constar na lista após fiscalização encontrar dois trabalhadores em situação análoga à de escravo em sua fazenda.Além de ter tido o nome inscrito na “lista suja”, Wanderley Dias Vieira responde a uma ação na Justiça Federal relacionada ao caso. Denúncia do Ministério Público Federal (MPF) imputa a Wanderley o crime de reduzir alguém à condição análoga à de escravo e infrações à Lei de Produtos Agrotóxicos.4 imagensFechar modal.1 de 4Fiscalização encontrou condições irregulares no localReprodução2 de 4Condição do quarto dos trabalhadores foi apontada em fiscalizaçãoReprodução3 de 4Fachada do quarto dos trabalhadoresReprodução4 de 4Quarto dos trabalhadoresReproduçãoO candidato nega a prática de qualquer crime ou ilícito. Em nota, a defesa de Wanderley afirmou que o caso permanece submetido ao devido processo legal, com pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, inexistindo decisão condenatória (veja mais abaixo).A fiscalização que levou à inclusão do agora candidato a deputado na lista ocorreu em outubro de 2023. À época, Wanderley, que é conhecido como “Dr. Wanderley”, era vice-prefeito do município de Tucumã (PA).Após denúncia anônima, a Polícia Federal (PF) junto a outros órgãos federais foram à fazenda de Wanderley, na cidade de São Félix do Xingu (PA), onde constataram as irregularidades denunciadas.Conforme relato da PF, no local foram identificados dois trabalhadores em situação análoga à escravidão. Na propriedade, conforme a autoridade policial, havia habitações insalubres devido a falta de higienização do local, bem como diversos galões de produtos químicos abertos e entulhados.O candidato a deputado Wanderley Dias VieiraA inspeção do trabalho concluiu que dois trabalhadores que pernoitavam na fazenda estavam submetidos a condições degradantes de trabalho e vida. Ambos trabalhavam “na mais completa informalidade e sem o correspondente registro em livro, ficha ou sistema eletrônico competente”.A “lista suja”, que é divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, consiste em um cadastro de empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à de escravo. A inclusão ocorre após decisão administrativa final relativa ao auto de infração.A fazenda de Wanderley onde foram constatadas as irregularidades é vizinha à Terra Indígena Apyterewa. Durante a fiscalização, o Ibama autuou o proprietário por desmatamento à floresta nativa no interior do território indígena.O que diz a defesa de candidato do PLEm nota enviada por sua defesa, Wanderley Dias Vieira nega categoricamente a prática de qualquer crime ou ilícito que lhe esteja sendo atribuído. “Médico e empresário, com atuação de longa data na região, jamais foi condenado por este ou por qualquer outro crime, conforme certidões expedidas pela Justiça Estadual e pela Justiça Federal”, destacou.A nota afirma que o caso permanece submetido ao devido processo legal, com pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, inexistindo decisão condenatória, de primeiro ou de segundo grau, tampouco trânsito em julgado, de modo que subsiste íntegra a presunção de inocência.“Registre-se que a inclusão em cadastro administrativo (Cadastro de Empregadores, mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego) não constitui condenação judicial nem reconhecimento de prática criminosa, natureza reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 509”, frisou.A defesa afirma que confia no Poder Judiciário e no regular processamento do caso. “O Dr. Wanderley continuará exercendo seu direito de defesa e apresentando perante a Justiça os elementos necessários para demonstrar sua versão dos fatos, reafirmando seu compromisso com a verdade, com o devido processo legal e com o direito da população de conhecer integralmente os acontecimentos”, completou.A coluna procurou o diretório do Pará do PL, mas não houve retorno. O espaço segue aberto.