A inteligência artificial (IA) está a permitir que um número crescente de profissionais execute tarefas que anteriormente exigiam conhecimentos especializados, ferramentas complexas e um investimento considerável de tempo. Esta maior acessibilidade está a transformar não apenas a maneira de trabalhar, mas também o papel dos líderes tecnológicos dentro das organizações.À medida que diminuem as barreiras à criação e aplicação da tecnologia, a capacidade de inovação deixa de estar concentrada nas equipas de Tecnologias de Informação (TI). Diferentes departamentos podem agora experimentar ferramentas, automatizar processos e desenvolver soluções próprias. O desafio consiste em garantir que essa autonomia é acompanhada por regras claras, formação contínua e mecanismos adequados de segurança e proteção de dados.«À medida que a IA torna a criação de tecnologia mais acessível, o desafio para as organizações consiste em encontrar o equilíbrio certo entre liberdade e responsabilidade. Temos de dar às pessoas espaço para experimentar e inovar, mantendo simultaneamente uma governação, segurança e proteção de dados adequadas», afirma Gavin Rotach, Head of Group IT da Zühlke.Para o responsável, o papel das TI está a evoluir no sentido de assegurar as condições necessárias para que a inovação aconteça de forma segura e responsável. Neste contexto, a consultora suíça identifica três tendências de IA que estão a redefinir a liderança tecnológica nas empresas. 1. A criação de tecnologia está a democratizar-seDurante muito tempo, a responsabilidade de criar e implementar tecnologia esteve concentrada quase exclusivamente nas equipas de TI. Eram estes profissionais que determinavam o que era tecnicamente possível, que ferramentas podiam ser utilizadas e de que forma deveriam ser integradas na organização.A inteligência artificial está a alterar este paradigma. Ferramentas mais intuitivas permitem que profissionais sem formação em programação participem no desenvolvimento de soluções, automatizem tarefas e intervenham em processos que antes estavam reservados aos especialistas em software.Leia também: De projetos-piloto a lucros milionários: o segredo das empresas líderes em IAEsta democratização pode acelerar a inovação e aproximar as soluções tecnológicas dos problemas concretos de cada departamento. Contudo, também aumenta o risco de serem utilizadas aplicações sem supervisão, de surgirem sistemas incompatíveis ou de informação sensível ser introduzida em ferramentas externas à organização.A liderança tecnológica passa, assim, por definir limites e responsabilidades sem eliminar a capacidade de iniciativa das equipas. 2. As equipas de TI passam do controlo à capacitaçãoAs equipas de TI deixam de funcionar apenas como guardiãs da infraestrutura tecnológica e passam a assumir um papel de capacitação. Em vez de concentrarem toda a inovação, devem criar ambientes seguros nos quais os restantes departamentos possam explorar, testar e aprender.Este novo posicionamento exige mecanismos de governação, critérios para escolher ferramentas, regras de proteção de dados e acompanhamento dos projetos desenvolvidos pelas diferentes áreas. Exige também formação contínua para que os profissionais compreendam não só as possibilidades da IA, mas igualmente as suas limitações.A capacidade de adaptação torna-se particularmente relevante num momento em que a tecnologia está a transformar funções e modelos de trabalho a um ritmo que dificulta antecipar quais serão as competências técnicas mais procuradas nos próximos anos.Neste cenário, liderar significa definir um rumo claro, reconhecer a incerteza e criar a confiança necessária para que as equipas possam experimentar, aprender com os erros e desenvolver novas competências. 3. Saber utilizar criticamente a IA torna-se uma competência centralA generalização da inteligência artificial também está a obrigar as empresas a repensar a avaliação de competências nos processos de recrutamento.Pedir a um candidato que realize uma tarefa sem recorrer à IA pode ajudar a verificar conhecimentos fundamentais. No entanto, se estas ferramentas já fazem parte do trabalho quotidiano e permitem executar uma tarefa com maior rapidez ou rigor, impedir completamente a sua utilização pode produzir uma avaliação pouco representativa da realidade profissional.O valor de um candidato começa, por isso, a depender menos da capacidade de realizar isoladamente todas as tarefas e mais da forma como utiliza a tecnologia. Importa perceber se sabe escolher a ferramenta adequada, formular instruções, validar os resultados, identificar erros e reconhecer os momentos em que o conhecimento e o julgamento humano continuam a ser indispensáveis.A utilização crítica da IA implica também não aceitar automaticamente todas as respostas produzidas. Exige capacidade para questionar pressupostos, confirmar informação e assumir responsabilidade pelas decisões tomadas com apoio tecnológico.O conteúdo IA está a mudar a liderança tecnológica: três tendências que as empresas não podem ignorar aparece primeiro em Revista Líder.