Lisboa vai testar políticas climáticas num gémeo digital antes de as aplicar

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E se uma cidade pudesse testar uma política pública antes de a aplicar no território? É essa a proposta do NexTCity, projeto europeu coordenado pela NOVA Information Management School (NOVA IMS), que está a desenvolver um Gémeo Digital da Zona de Emissões Reduzidas de Lisboa.A plataforma irá reunir e cruzar informação sobre clima, ambiente e mobilidade, permitindo simular diferentes cenários e avaliar antecipadamente as possíveis consequências das decisões municipais. O objetivo é reduzir a incerteza e apoiar políticas públicas mais informadas na área da ação climática. Uma réplica dinâmica da cidadeUm gémeo digital é uma representação virtual de um território e dos sistemas que o compõem. Ao contrário de um modelo estático, pode ser atualizado com dados históricos e em tempo real, permitindo acompanhar o funcionamento da cidade e testar o impacto de diferentes medidas.No caso de Lisboa, a ferramenta permitirá analisar como determinadas decisões poderão afetar a qualidade do ar, a formação de ilhas de calor urbano, a mobilidade e a saúde da população antes de serem implementadas no espaço público.Na prática, os decisores poderão comparar cenários, observar possíveis efeitos secundários e ajustar as medidas antes de avançarem para o terreno. A tecnologia pretende, assim, transformar dados dispersos em informação útil para a gestão urbana.«Lisboa passa a dispor de uma plataforma capaz de testar diferentes cenários antes da implementação de políticas urbanas», afirma Miguel de Castro Neto, Diretor da NOVA IMS e coordenador do NexTCity.Para o responsável, os desafios enfrentados pelas cidades — da pressão sobre a mobilidade à adaptação às alterações climáticas — exigem novas ferramentas de apoio à decisão pública. O conhecimento desenvolvido no projeto poderá, futuramente, ser aplicado noutras cidades portuguesas e europeias. Dados podem antecipar impactos na saúdeO projeto aproxima a gestão urbana de uma lógica preventiva. Em vez de avaliar uma política apenas depois da sua implementação, os responsáveis municipais poderão antecipar consequências e tomar decisões apoiadas por evidência.Esta capacidade ganha particular relevância perante fenómenos como as ondas de calor, a poluição atmosférica e o congestionamento rodoviário, cujos efeitos ultrapassam a esfera ambiental e chegam à saúde e à qualidade de vida dos habitantes.A integração de dados climáticos, ambientais e de mobilidade permitirá perceber melhor as relações entre os diferentes sistemas urbanos. Uma alteração na circulação automóvel, por exemplo, pode produzir efeitos na qualidade do ar, no ruído, na temperatura e na exposição da população a riscos ambientais.O gémeo digital não substitui a decisão política, mas poderá oferecer aos decisores uma visão mais completa das suas possíveis consequências. Projeto junta instituições de três paísesFinanciado pelo programa Horizonte Europa, o NexTCity é coordenado pela NOVA IMS e reúne a KU Leuven, da Bélgica, e a Universitat Jaume I, de Espanha. A Lisboa E-Nova participa no desenvolvimento do projeto-piloto na capital portuguesa.Para além da criação do Gémeo Digital da Zona de Emissões Reduzidas, o projeto procura reforçar a capacidade científica e tecnológica da NOVA IMS nesta área, visando posicionar Portugal como uma referência europeia no desenvolvimento de soluções para cidades inteligentes. A iniciativa está alinhada com os objetivos do Pacto Ecológico Europeu, da Década Digital Europeia e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.O conteúdo Lisboa vai testar políticas climáticas num gémeo digital antes de as aplicar aparece primeiro em Revista Líder.