A Kinea Investimentos avalia que a eleição presidencial será mais competitiva do que sugere hoje o agregador de pesquisas. A gestora argumenta que o número acompanhado diariamente pelo mercado capta a preferência declarada, mas não necessariamente quem de fato irá às urnas.O ponto central da tese é a abstenção. Segundo a Kinea, ela não se distribui de forma neutra e se concentra nos estratos de menor renda e nas regiões que hoje compõem a base mais sólida do presidente. “É um viés silencioso, que não aparece na pesquisa e só se manifesta na urna”, afirma a casa em carta batizada de “A Hora do Pesadelo”, divulgada nesta terça-feira (1).Ainda assim, a Kinea continua vendo o presidente Lula como ligeiramente favorito, apoiada na tendência de a avaliação de governo melhorar conforme a eleição se aproxima, e pelo ponto de atenção para a oposição em São Paulo, onde Flávio Bolsonaro ainda precisaria ampliar a vantagem para compensar os resultados no restante do país.A temporada eleitoral começou com mais incerteza e ainda sem direção clara para os mercados, na leitura da casa. A volatilidade aumentou e o investidor estrangeiro, que não precisa acompanhar o desfecho da campanha, diminuiu sua exposição para voltar mais adiante, movimento que a gestora descreve como gestão de risco de quem trata o Brasil como apenas uma entre muitas posições de portfólio.Leia também: Vale a pena comprar dólar a R$ 5,20? Por que chegou a hora de entrar, segundo a XPA Kinea mantém exposição reduzida a ativos brasileiros e mantém preferência por empresas com carrego e resultados previsíveis. Na conclusão da carta, a casa resume a estratégia como exposição mais neutra ao Brasil até que o cenário se torne mais claro, com o restante da carteira de ações evitando riscos direcionais até que o cenário comece a se definir em outubro.A gestora avalia que o Copom deve interromper o ciclo de cortes mesmo com a inflação corrente e os dados de atividade surpreendendo para baixo, por causa do câmbio mais depreciado e das dúvidas sobre o período posterior à eleição. A parada viria “não por uma mudança de diagnóstico, mas para preservar sua margem de manobra até que haja maior clareza sobre o orçamento que o país terá em janeiro”.Para o próximo ano, a casa projeta impulso fiscal menor, após o forte estímulo deste ano eleitoral, e desaceleração da atividade mais acentuada do que a esperada pelo mercado, combinação que abriria espaço para o Banco Central retomar os cortes assim que a incerteza eleitoral diminuir e o novo orçamento estiver definido. Leia tambémEleições podem definir futuro das estatais: o que esperar dos dividendos?Do Banco do Brasil à Petrobras, especialistas detalham o peso da política na distribuição de proventos e explicam o que fazer diante da incerteza eleitoral“Ainda estamos esperando o amanhecer”Dentro da parcela local investida, a preferência recai sobre utilities, que seguem atrativas pelo dividendo e pela previsibilidade do caixa em um ambiente de juro alto, e sobre empresas ligadas ao Minha Casa Minha Vida, menos dependentes do ciclo político de curto prazo. A gestora também mantém posição em Embraer, sustentada pela carteira de encomendas em nível recorde, pelas vendas aceleradas e pelo faturamento em dólar, que reduz a dependência do cenário macroeconômico brasileiro.Fora do Brasil, o portfólio é bem mais ativo. A Kinea reduziu as posições compradas em dólar, mantendo tamanho menor apenas como proteção, diante de um Federal Reserve sem viés de alta e de um diferencial de juros que deixou de trabalhar a favor da moeda. Segue aplicada em juros de emergentes com inflação sob controle, com o México como caso preferido.Em bolsa internacional, a casa transferiu parte da exposição em opções de Nasdaq para opções de S&P 500, avaliando que a amplitude da temporada de resultados favorece o índice, e voltou a montar exposição comprada na Coreia.Em commodities, o petróleo entra como proteção de portfólio, sem visão direcional forte, com compra de contratos curtos e venda de contratos longos. A casa também voltou a ter visão positiva em ouro.“Lá fora, o medo cedeu quando o mercado parou de discutir o pesadelo e foi medir o que existe de fato. Aqui, ainda estamos esperando o amanhecer”, escreve a gestora.The post Kinea: Eleição está mais apertada do que as pesquisas sugerem appeared first on InfoMoney.