O mercado de criptomoedas entra em setembro em um momento de decisão. Depois de um agosto de recuperação forte, com alta do Bitcoin, avanço de altcoins e retomada de entradas em ETFs, os analistas avaliam que o mês será marcado por uma combinação de fatores macroeconômicos, eventos regulatórios e catalisadores próprios de alguns protocolos.A reunião do Federal Reserve nos dias 15 e 16 de setembro aparece como um dos principais pontos de atenção. Ao mesmo tempo, o aumento das recompras de títulos longos pelo Tesouro americano, o avanço de regras para ativos digitais nos Estados Unidos e o amadurecimento de mecanismos de recompra e queima em protocolos descentralizados entram no radar como possíveis vetores de preço.Para Pedro Fontes, analista de research do Mercado Bitcoin, setembro reúne ativos consolidados e projetos expostos a gatilhos específicos de curto prazo. André Franco, CEO da Boost Research, chama atenção para um padrão importante: entre os ativos escolhidos por ele, Chainlink, Ethena e Hyperliquid usam receita de operação para comprar o próprio token, em uma dinâmica semelhante à recompra de ações por empresas listadas. Em um mês de decisão macro, esse tipo de mecanismo pode fazer diferença entre um preço sustentado apenas por fluxo e um preço sustentado por resultado.Marcelo Person, Crypto Treasury & Markets Director da Foxbit, também vê setembro como um mês de atenção para o fluxo institucional, a evolução tecnológica das redes e a possibilidade de realização após fortes altas recentes. Já Paulo Camargo, embaixador da OKX, destaca que agosto marcou uma virada de tração ampla no mercado cripto, com o Bitcoin voltando a subir e a maioria das criptomoedas monitoradas acompanhando o movimento.Leia também: Novo bull market do Bitcoin começou, diz Arthur Hayes após ação do Tesouro dos EUAHyperliquid (HYPE)A Hyperliquid é o ativo mais citado entre as recomendações para setembro. A plataforma, maior exchange descentralizada de contratos futuros perpétuos, voltou a ganhar força por combinar crescimento de uso, geração de receita e mecanismos de recompra do próprio token.Pedro Fontes destaca que a Hyperliquid movimentou mais de US$ 114 bilhões em agosto e tem como principal gatilho para setembro uma possível abertura regulada ao mercado dos Estados Unidos. Segundo a análise do Mercado Bitcoin, Donald Trump afirmou em agosto que o presidente da CFTC, Michael Selig, trabalha para trazer a plataforma ao país de forma regulada, o que poderia abrir acesso ao maior mercado de derivativos do mundo.Além disso, o protocolo gerou US$ 54,3 milhões em taxas nos últimos 30 dias, em ritmo anualizado próximo de US$ 970 milhões, com quase todo esse valor revertido em recompras de HYPE. O AQAv2, aprovado pelos validadores, adiciona uma segunda fonte de recompra ao transformar o rendimento dos mais de US$ 5 bilhões em USDC depositados na plataforma em demanda pelo token.André Franco afirma que a Hyperliquid retorna à lista com o mecanismo que faltava em agosto. Desde 26 de agosto, cerca de 90% do rendimento das reservas de USDC passou a ser acumulado para recomprar HYPE em ciclos de 30 dias, com primeiro pagamento previsto para outubro. O analista também ressalta que há um risco relevante no curto prazo: o desbloqueio de 9,92 milhões de tokens destinados a contribuidores do projeto em 6 de setembro.Na avaliação de Marcelo Person, a Hyperliquid vem se consolidando como um dos principais nomes do mercado de derivativos descentralizados. O uso de parte relevante das receitas do protocolo para recomprar HYPE torna o ativo uma representação clara de uma tendência do setor: projetos que buscam associar crescimento de uso à captura de valor pelo token.Paulo Camargo também coloca HYPE entre os nomes de maior convicção para setembro. Segundo ele, a plataforma bateu recorde histórico de preço no fim de agosto após lançar negociação 24 horas de ações tokenizadas de empresas como Nvidia e Apple, além de colocar em operação um novo mecanismo de recompra alimentado pelo rendimento de suas reservas. Para o analista, o ativo tem potencial, mas também menos histórico para validar a tendência.Chainlink (LINK)A Chainlink aparece como uma das principais apostas ligadas à infraestrutura institucional. O projeto foi destacado por André Franco como um dos ativos que transformam receita em demanda pelo próprio token e por Pedro Fontes como uma peça central para oráculos, interoperabilidade e tokenização.Na análise do Mercado Bitcoin, a Chainlink é a maior rede de oráculos do mercado cripto, responsável por levar dados externos, como preços de ativos e resultados de eventos, para contratos inteligentes de forma segura. A rede já assegura mais de US$ 28 trilhões em valor transacionado e atua como infraestrutura crítica para iniciativas institucionais de tokenização.O principal gatilho citado para setembro é o Project Pangea, iniciativa que reúne mais de 50 bancos da Coreia do Sul e da Europa, com mais de US$ 10 trilhões em ativos sob gestão, para testar liquidação de operações cambiais via stablecoins usando o protocolo CCIP da Chainlink, em conjunto com infraestrutura Swift e o padrão ISO 20022.André Franco também destaca um evento institucional relevante: a entrada no ar da rede Arc, da Circle, emissora do USDC, em 16 de setembro, com a Chainlink como oráculo fundacional e parceira de conectividade. O grupo de validadores fundadores reúne nomes como BlackRock, DTCC, ICE, Mastercard, Standard Chartered e Visa.O analista pondera, no entanto, que parte dessa expectativa já pode estar no preço. O token subiu 38% em agosto, e integrações institucionais costumam levar trimestres para virar receita. Ainda assim, a tese permanece forte por causa da posição da Chainlink como infraestrutura de dados e interoperabilidade para um mercado cada vez mais conectado a stablecoins, bancos e ativos tokenizados.Zcash (ZEC)O Zcash é o nome mais surpreendente entre as recomendações para setembro. Paulo Camargo destaca que o token de privacidade teve uma virada rápida e atingiu sua maior cotação em oito anos depois que a Grayscale converteu seu fundo em um ETF à vista nos Estados Unidos, com mais de US$ 300 milhões sob gestão logo no lançamento.A tese por trás do movimento é a demanda crescente por privacidade financeira. Segundo o analista da OKX, gestores passaram a defender que ferramentas de inteligência artificial capazes de rastrear transações aumentam a necessidade de soluções de privacidade genuína. Esse contexto recolocou o ZEC no radar de investidores e fundos especializados.Leia também: ETF de Zcash estreia após crise de segurança atingir cripto de privacidadeApesar da força do movimento, Camargo também faz um alerta. A alta avançou muito em pouco tempo, e houve movimentação relevante de um grande detentor no fim de agosto, o que pode indicar realização de lucro. Por isso, o ativo merece acompanhamento próximo, principalmente por combinar uma narrativa forte com risco elevado de volatilidade após a disparada recente.Outras criptomoedas para ficar de olhoAlém dos três principais destaques, outros ativos aparecem nas recomendações de setembro. A Uniswap foi citada por Pedro Fontes como a maior exchange descentralizada do mercado, com mais de US$ 3,6 trilhões negociados desde 2018. O principal gatilho está no aumento potencial de volume, impulsionado pela Robinhood Chain, que tem a Uniswap como principal provedora de liquidez, e pela volta do apetite especulativo no mercado.O Aave também foi escolhido pelo Mercado Bitcoin. O protocolo é o maior de finanças descentralizadas em valor depositado, com cerca de US$ 17,7 bilhões, e tem como principal catalisador a adoção do Aave V4. Os depósitos na nova versão passaram de US$ 346 milhões no início de agosto para mais de US$ 600 milhões no dia 21, batendo recordes sucessivos. O avanço do uso de ativos do mundo real como garantia e a nova tokenomics, com recompras automáticas e contínuas de AAVE, reforçam a tese.O Virtuals Protocol aparece como aposta ligada à inteligência artificial. Segundo Pedro Fontes, a plataforma já tem mais de 18 mil agentes criados e ganhou um novo catalisador com a possibilidade de usuários da Solana comprarem participação em agentes já existentes. O padrão x402, criado pela Coinbase e mantido pela Linux Foundation, também sustenta a tese ao permitir pagamentos entre agentes autônomos diretamente em stablecoins.A Ethena foi incluída por André Franco como novidade da lista. O protocolo propôs um mecanismo que direciona parte da receita para recomprar o token ENA conforme cresce a oferta do dólar sintético USDe. A tese tem potencial, mas o risco é claro: no fim de agosto, a oferta do USDe ainda precisava quase dobrar antes de o mecanismo começar a gerar recompras.O XRP foi citado por Marcelo Person como um ativo que voltou a ganhar força em agosto e entra em setembro beneficiado por um ambiente mais favorável para criptomoedas com exposição institucional. A evolução do cenário regulatório americano segue como principal ponto de atenção para o token.A Pump.fun completa a lista da OKX como uma das apostas mais agressivas do mês. Paulo Camargo destaca que o token quase triplicou de valor em 30 dias e que, diferentemente de boa parte das memecoins, o movimento tem lastro em receita real. A plataforma faturou mais de US$ 35 milhões em taxas nos últimos 30 dias e usa parte dessa receita para recomprar e queimar tokens diariamente. O ponto de atenção está na governança, após liberações de grandes lotes de tokens para equipe e investidores iniciais.Bitcoin, Ethereum e SolanaMesmo com o destaque de altcoins com catalisadores próprios, Bitcoin, Ethereum e Solana continuam no centro das análises para setembro. O Bitcoin segue como principal referência do mercado e chega ao mês após uma retomada importante de fluxo institucional. Fontes aponta que o aumento das recompras de títulos longos pelo Tesouro americano reforça a tese do “debasement trade”, em que ativos de oferta limitada ganham atratividade diante da expansão monetária.O Ethereum continua sendo visto como a principal infraestrutura de contratos inteligentes, stablecoins, DeFi e tokenização. O analista do MB destaca que regras mais claras nos EUA tendem a beneficiar blockchains consolidadas, com histórico de operação e base de desenvolvedores estabelecida. Person acrescenta que o avanço da atualização Glamsterdam e o protagonismo do ecossistema em stablecoins e tokenização podem mostrar se a recuperação recente do ETH terá continuidade.A Solana, por sua vez, aparece como um dos ativos de maior força relativa. Analistas destacam a redução do tempo de bloco de 400 para 350 milissegundos e a abertura da primeira votação formal de governança da rede, com propostas que podem retirar cerca de 18,9 milhões de SOL da oferta prevista para os próximos seis anos e multiplicar a queima diária de tokens. Franco aponta que o Alpenglow ganhou data, com ativação na rede principal prevista para 28 de setembro, embora o cronograma ainda seja provisório.Procurando uma alternativa para aumentar seus ganhos? A Renda Fixa Digital do MB é a solução: até 18% de ganho ao ano, risco controlado e a segurança que seu dinheiro merece. Conheça agora!O post 9 criptomoedas que podem disparar em setembro, segundo analistas apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.