Frase do mês: «não encontro qualquer razão para qualquer pessoa, no seu perfeito juízo, se candidatar, hoje em dia, a um cargo público». José Eduardo Moniz no Sol. Na mosca.Taichito era o nome do cão de Aung San Suu Kyy. Morreu este Verão, esperando a dona na sua casa de Yangon. Faz lembrar a história de Argos, o cão de Ulisses. Taichito não voltou a ver a sua dona, presa em Naypidaw ou, quiçá, morta, dizia-se. O mundo não sabe e parece que não se importa muito. Entretanto, a junta militar que domina o país divulgou imagens da Lady. Mesmo as autocracias têm algumas contas a prestar…Também a guerra do Sudão merece pouca atenção. Mas ela existe e cria miséria humana, como se viu com a invasão de Ceuta.Tal como aqui escrevo todos os meses, a guerra que Putin ia ganhar em três dias e Trump acabar num, continua. Estão bem um para o outro.O momento hagiográfico do mês aconteceu com a celebração dos 100 anos de Fidel. Um homem «profundamente humano», cujo legado será «precioso». Mas também lá estive e li Pedro Juan Gutierrez. No fundo, como escreveu Vargas Llosa, trata-se talvez de uma atualização do «romantismo incurável dos sonhos dos revolucionários».Curiosamente, Díaz-Canel, o atual autocrata cubano, já tinha anunciado «reformas drásticas», cito a imprensa, para liberalizar a economia cubana. A responsabilidade será, claro, do boicote americano.A farsa-tragédia nacional que não tem fim, o julgamento de Sócrates, teve novidades: agora o ex-PM acusa o advogado oficioso de simulacro de defesa e pede que os seus atos percam eficácia. Como diria a rainha de copas, é preciso correr muito para não sair do mesmo sítio.Moedas tenta criar regras para remoção dos cartazes partidários. Apoio! Mas os partidos parecem não querer. Deixem-nos descansar, caros partidos.É impressão minha ou os crimes violentos em Lisboa estão a tornar-se comuns? Nesta matéria, importa olhar aos factos e a nada mais que aos factos. Mas as tão famosas perceções também contam. O Expresso falava, a propósito da Baixa, do «medo que não aparece nas estatísticas».A minha canção de Verão deste Verão: I feel hope coming, dos Alabama Shakes. Mas é boa o ano inteiro.Li pela primeira vez e com grande proveito Ilíada e Odisseia. E li The Shining Path, sobre outro grupo revolucionário, este do Peru, que achava os cubanos uns revolucionários moles, infiéis à verdadeira linha revolucionária, a da China maoista. Um grande livro que mostra os perigos de quem nos quer obrigar a ser felizes.Boa rentrée! Bom setembroO conteúdo Agosto aparece primeiro em Revista Líder.