Comprar um imóvel em Manaus ficou 11,42% mais caro em 12 meses, enquanto em Porto Alegre a valorização foi de apenas 0,96%. A diferença de mais de dez pontos percentuais entre as duas capitais revela um mercado imobiliário que sobe em todo o país, mas avança em velocidades muito diferentes em cada região, como mostra o Índice FipeZap.Todas as 56 cidades monitoradas pelo indicador registraram valorização nos 12 meses encerrados em agosto. A média foi de 5,49%, acima dos 4,14% da inflação oficial ao consumidor considerada pelo levantamento. Mas olhar apenas para o resultado nacional esconde diferenças expressivas entre os diversos mercados locais.Entre as capitais, Manaus lidera a valorização, com 11,42%, seguida por Salvador, com 10,84%, e Vitória, com 10,16%. Brasília aparece na sequência, com 9,44%. Na outra ponta, estão Porto Alegre, com alta de apenas 0,96%, Curitiba, com 2,74%, e Belo Horizonte, com 2,92%. Ao mesmo tempo, São Paulo, maior mercado imobiliário do país, acumula valorização de 3,63%.Para Mariangela Silva, economista do Grupo OLX que elabora o estudo junto com a Fipe, a distância entre os resultados reforça que não existe um único mercado imobiliário brasileiro. “As diferenças reforçam que o mercado imobiliário brasileiro não é uniforme”, afirma.Segundo ela, a formação dos preços depende da interação entre oferta e demanda de cada praça, influenciada pelo número de lançamentos, pelo estoque disponível, pelas condições econômicas locais e pelas preferências dos compradores por regiões e tipos de imóveis.Leia tambémCom 100 campos de futebol “no bolso”, Multiplan diversifica no imobiliárioPara o CFO da Multiplan, Armando Neto, a linha de imobiliário vai ganhar ainda mais espaço no balanço da companhia Mais caro não é o que mais valorizaHá outra diferença importante revelada pelo indicador. O preço alto e valorização elevada não são necessariamente a mesma coisa. Manaus é o exemplo mais evidente. Embora lidere a valorização entre as capitais, seu metro quadrado médio custa R$ 7.884. Já na cidade de Vitória há uma combinação das duas coisas. Além de registrar a terceira maior alta em 12 meses, tem o maior preço médio entre as capitais pesquisadas: R$ 15.650 por metro quadrado.Enquanto isso, Florianópolis aparece com R$ 13.531 por metro quadrado e São Paulo, com R$ 12.143 por metro quadrado. Mas suas valorizações anuais são, respectivamente, de 8,20% e 3,63%.Curitiba oferece outro contraste. Enquanto o preço médio chega a R$ 11.731 por metro quadrado, um dos mais elevados entre as capitais, a valorização em 12 meses foi de apenas 2,74%.Dessa forma, o ranking acaba mostrando dois retratos diferentes. O preço por metro quadrado indica quanto custa comprar hoje naquele mercado. Já a variação percentual mostra a velocidade com que esse preço mudou. Confundir as duas medidas pode produzir conclusões erradas, conforme a especialista.Fora das capitais, altas passam de 15%A diferença fica ainda maior quando entram na comparação as demais cidades acompanhadas pelo FipeZap. Vila Velha, no Espírito Santo, por exemplo, acumulou valorização de 15,12% em 12 meses, com preço médio de R$ 11.446 por metro quadrado. Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, avançou 13,68%, com metro quadrado de R$ 6.485. Campinas também aparece entre os mercados com valorização de dois dígitos, com alta de 11,18%, enquanto São José dos Pinhais avançou 10,97%. Os dados ajudam a mostrar que a valorização não está restrita às grandes capitais e pode ser bastante intensa em mercados regionais.Leia Mais: Preços de imóveis sobem acima da inflação mesmo com crédito caro, mostra FipeZapRitmos diferentesSanta Catarina oferece talvez o melhor exemplo de como preço e valorização podem andar em ritmos diferentes. Itapema tinha em agosto um preço médio de R$ 15.403 por metro quadrado, enquanto Balneário Camboriú registrava R$ 15.343 por metro quadrado. São patamares superiores aos de São Paulo e próximos ao de Vitória.No entanto, os preços dessas duas cidades catarinenses avançaram bem menos no acumulado dos últimos 12 meses, sendo 4,85% em Itapema e apenas 2,82% em Balneário Camboriú. Mesmo sendo mercados extremamente caros, neste momento, não estão entre aqueles que mais se valorizam. Já Manaus percorre a estrada inversa, possuindo o metro quadrado significativamente mais barato, de R$ 7.884, mas liderando a valorização entre as capitais.Esse contraste ajuda a mostrar melhor quais são as dinâmicas locais, segundo Mariangela. Isso porque novos empreendimentos podem ampliar a oferta em uma cidade. Em outra, determinadas regiões ou tipologias podem enfrentar procura maior do que o estoque disponível. Atividade econômica, renda, comportamento dos compradores e características do mercado local também interferem nesse equilíbrio.“Em última análise, é a sintonia entre essas duas forças que define a liquidez e o ritmo de valorização de cada mercado”, afirma a economista.Leia tambémINSS libera consignado sem biometria — e acende alerta sobre fraudesInstrução normativa também cria prazo para bancos confirmarem portabilidade e condiciona o desconto no benefício ao envio do contrato do crédito pela instituição financeiraResultado mensalA fotografia de agosto também evidencia essas diferenças. Vitória liderou entre as capitais, com alta de 1,31%, seguida por Brasília, com 1,28%, e Aracaju, com 1,07%. Ao mesmo tempo, quatro capitais tiveram queda no mês: Curitiba recuou 0,25%; Campo Grande e Belém, 0,19% cada; e Belo Horizonte, 0,08%. Isso não contradiz o fato de todas acumularem valorização em 12 meses. Mostra apenas que a trajetória não ocorre em linha reta e que movimentos mensais podem divergir da tendência observada em períodos mais longos.The post Saiba onde os imóveis mais valorizam em todo o Brasil appeared first on InfoMoney.