A divulgação de mensagens que expõem a relação entre Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu novo fôlego à oposição no Congresso justamente na semana em que o governo tenta avançar com três pautas consideradas prioritárias pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).O Planalto agora terá de fazer mais esforço para aprovar as propostas diante da ameaça de obstrução no Senado.Na mira do governo estão a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1, a PEC da Segurança Pública e a medida provisória que acaba com a chamada “taxa das blusinhas”.As três propostas estavam no centro das negociações de Lula com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), antes de o caso de Moraes e Vorcaro dominar o Congresso.A oposição, porém, passou a usar as novas revelações para cobrar uma reação de Alcolumbre sobre os pedidos de impeachment de Moraes.O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), anunciou um novo pedido contra o ministro, além de uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) e outras medidas contra Moraes e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. “Nós estamos aqui renovando um novo pedido”, disse Marinho. Leia também BrasilAlcolumbre: “Não é normal” 109 pedidos de impeachment de ministros do STF BrasilCâmara aprova projeto que altera regras da aposentadoria de PMs e bombeiros BrasilCâmara aprova MP com até R$ 30 bilhões em crédito para motoristas de app BrasilCâmara aprova fim de férias obrigatórias durante Copa Feminina de 2027 Governo concentra esforços em três propostasA ofensiva se dá no último esforço concentrado do Congresso antes das eleições. Nesta quarta-feira (2/9), o governo pretende avançar principalmente com:PEC do fim da escala 6×1: é o primeiro item da pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, às 9h. O relator, Omar Aziz (PSD-AM), é favorável ao texto e pretende levá-lo ao plenário no mesmo dia, caso a proposta seja aprovada na comissão. Para isso, porém, será necessário um calendário especial e apoio político suficiente para acelerar a tramitação;PEC da Segurança Pública: também está na pauta da CCJ. O relator, Rogério Carvalho (PT-SE), decidiu manter o texto aprovado pela Câmara para evitar que a proposta precise voltar aos deputados caso seja aprovada pelo Senado;MP das blusinhas: a comissão mista deve retomar a análise às 10h. Se aprovada, a intenção é levar a medida ainda nesta quarta aos plenários da Câmara e do Senado. A MP precisa passar pelas três etapas e perde a validade em 8 de setembro.No caso da MP, governo, relatoria e presidentes das duas Casas chegaram a um entendimento sobre ajustes no relatório na noite desta terça. A relatora, Leila Barros (PDT-DF), retirou da discussão pontos que poderiam ampliar a resistência, como mudanças relacionadas aos Correios, e manteve avaliações periódicas dos impactos da isenção.O acordo, no entanto, não significa que exista um acerto mais amplo com a oposição para garantir as votações da agenda do Planalto.2 imagensFechar modal.1 de 2Articulação entre Planalto e cúpula do Congresso será decisiva para o governo avançar com as prioridades de LulaVINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES@vinicius.foto2 de 2Oposição ganha novo fôlego com caso Vorcaro-Moraes e ameaça obstruir votações no CongressoHugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophotoRandolfe apela à oposição por 6×1O ponto mais delicado é a PEC da escala 6×1. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), admitiu que levar a proposta ao plenário depende da colaboração dos partidos de oposição e do quórum disponível no Senado.“Eu espero que a oposição se sensibilize com o que vivem os trabalhadores brasileiros, não obstruam, não criem dificuldades e possibilitem que a gente vote amanhã”, afirmou Randolfe a jornalistas nessa terça. Ele disse que o governo quer aprovar a proposta na CCJ e tentar levá-la imediatamente ao plenário, mas reconheceu que Alcolumbre não pode garantir sozinho a votação.Randolfe ainda fez um apelo direto aos adversários. “Eu rogo a Deus que ilumine a cabeça dos líderes da oposição para que eles se sensibilizem com os trabalhadores brasileiros”, disse.Oposição ameaça obstrução, mas mede desgasteA senadora Damares Alves (Republicanos-DF) foi uma das vozes mais enfáticas na defesa da paralisação dos trabalhos. “Não vamos votar nenhuma PEC ou projeto de lei até que o ministro Alexandre de Moraes renuncie ou sofra impeachment”, afirmou.A intenção da oposição é usar instrumentos regimentais para retardar as votações, com requerimentos de retirada de pauta, adiamento da discussão e outras manobras de obstrução. A estratégia serve para aumentar a pressão sobre Alcolumbre e demonstrar à base bolsonarista que o grupo reagiu às revelações envolvendo Moraes e Vorcaro.O próprio Marinho criticou o Senado por não dar andamento aos pedidos contra o ministro e disse que a oposição decidiu agir para não ser acusada de omissão.Nos bastidores, porém, a oposição sabe que dificilmente conseguirá impedir indefinidamente as votações e tenta calibrar a estratégia.Alcolumbre já sinalizou que não pretende avançar com o impeachment de Moraes e citou a existência de 109 pedidos contra os dez ministros do STF para justificar sua resistência.Além disso, uma obstrução prolongada poderia colocar os oposicionistas contra propostas de forte apelo eleitoral, especialmente o fim da escala 6×1 e a retirada da taxa sobre compras internacionais de até US$ 50.A tendência, por isso, é de pressão e tentativas de atrasar a pauta, mas sem necessariamente assumir o desgaste político de aparecer como responsável por derrubar definitivamente as prioridades populares do governo.