O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que está em contato com os Estados Unidos — tanto por meio da pasta, quanto individualmente — para tentar integrar o piloto e influenciador Lito Sousa, de 59 anos, a um estudo na Universidade de Harvard sobre a doença de Creutzfeldt-Jakob, que não tem cura e nem tratamento.A declaração foi dada após o ministro ter sido questionado, durante sua participação no podcast 3 Irmãos, se conseguiria fazer algo para ajudar Lito. Padilha disse que foi procurado pela esposa do piloto, Mila Seidl, pedindo para que ele fizesse contato com a instituição americana. O ministro, que também é médico, contou que fez contato “não só enquanto ministério, mas individualmente também”.Leia também: Lito Sousa revela melhora nos movimentos da mão: ‘eu não desisto’— Às vezes, um governo pode achar estranho um outro governo pedir, enquanto governo, para uma coisa que é interna daquele país. Um grupo de pesquisa, mais ainda — explicou, acrescentando: — Não é uma coisa que a pressão, ou a política, ou uma pressão de rede social vai [conseguir] incluir ou não alguém em uma pesquisa.Padilha disse que, desde então, o governo formalizou um pedido, conforme já anunciou, inclusive, em um post nas redes sociais:“Apoiamos a busca de centros de pesquisa e estudos sobre a doença, assim como formalizamos a solicitação da inclusão de Lito na fase inicial dos testes do único estudo clínico ativo identificado até o momento, em Harvard”, escreveu no X. O estudo PRiSM é realizado pela Universidade de Harvard, pelo Instituto Broad e pela Universidade de Massachusetts e testa um pequeno RNA de interferência, chamado siRNA.Leia também: Família de Lito Sousa pede restrição de visitas para preservar tratamentoO ministro explicou, porém, que sua equipe também está tentando costurar contato com conhecidos, como seu secretário executivo, Adriano Massuda, que foi pesquisador-visitante no Departamento de Saúde Global e Populações da Harvard T.H. Chan School of Public Health.— É como se ele [Lito] estivesse numa lista de espera possível de triagem, só que a regra de entrada é controlada pelo FDA [Food and Drug Administration], tem prazo. Estão buscando outros institutos, outros países, embaixadas, usando toda a força que a gente tem enquanto governo brasileiro de contatos, sabendo que não tem tratamento para essa doença, o que você tem é, nesse momento, um estudo aberto — afirmou Padilha.O ministro finalizou sua fala afirmando que, “tudo o que a gente possa fazer enquanto ministério, e eu pessoalmente enquanto médico, estamos fazendo e vamos fazer, buscando apoiar essa família.”Leia também: Lito Sousa divulga vídeo sobre avanço de doença rara, trajetória e crença na curaEntenda o casoLito Sousa, conhecido pelo canal “Aviões e Música”, foi internado em julho após apresentar sintomas neurológicos que haviam começado cerca de 20 dias antes. O quadro era tratado como uma inflamação do sistema nervoso central, que pode atingir estruturas como cérebro, medula espinhal e meninges.Na mesma época, Lito havia revelado que também recebeu diagnóstico de câncer de próstata. Ele contou que havia descoberto a doença cerca de três meses antes e precisou passar por duas biópsias, uma na próstata e outra no reto.— Tem três meses que descobri, eu precisei passar por duas biópsias, uma na próstata e outra no reto. A do reto deu como tumor não maligno, mas a da próstata, infelizmente, positivou em diversos fragmentos para adenocarcinoma — afirmou.O tratamento do câncer seria definido depois da resolução do quadro neurológico.No último dia 21 de agosto, a mulher de Lito afirmou, em um vídeo publicado nesta sexta-feira , que o piloto e influenciador de 59 anos sofre da doença de Creutzfeldt-Jakob.Leia também: Creutzfeldt-Jakob: o que são príons, que podem causar a doença do influenciador Lito? O piloto diz que não tem medo de morrer. Afirma que considera ter vivido uma vida boa e que nunca fez mal a ninguém. O que causa medo, segundo ele, é pensar em como contará ao filho que vai “virar estrelinha” e imaginar a saudade que a criança sentirá.— Não tenho medo de morrer. Estou muito sossegado com isso. Eu fui extremamente feliz em tudo que eu fiz. Tudo que eu falei para essa mulher aqui: “Vamos fazer”, e ela veio me apoiar, e deu certo. Tudo que ela falou: “Vamos fazer isso”, e eu apoiei, e deu certo. Então eu tive uma vida maravilhosa.Lito também cita integrantes da equipe do canal, como Natan, Camila e Daniel Anabuco. Entre seus principais legados, ele destaca a Lito Academy, um centro de instrução de aviação civil fundado por ele ao lado da mulher.Leia também: ‘A doença de Creutzfeldt-Jakob avança em poucos meses’, diz geneticista; tire dúvidasLeia fala do ministro na íntegra“Ela me pediu para que a gente pudesse fazer um contato enquanto ministério com instituição nos Estados Unidos que estava fazendo, que faz parte de um estudo. Não tem tratamento para essa doença no mundo, não tem tratamento. O que você tem [são] alguns estudos já tentaram fazer, que não deram certo, e você tem um estudo acontecendo na Universidade de Harvard, tem ligação com a Universidade de Harvard, que tem um grupo que estava entrando.Eu falo, sim, e falei na hora, “Ó, a gente faz contato inclusive não só individualmente, né, não só enquanto ministério, mas individualmente também”. Porque, às vezes, um governo pode achar estranho um outro governo pedir enquanto governo para uma coisa que é interna daquele país, e um grupo de pesquisa, mais ainda, porque para você entrar num tratamento tem que ter regras claras e rígidas, né?Não é uma coisa que a pressão, ou política, uma pressão de rede social, vai incluir ou não alguém em uma pesquisa.Desde então a gente formalizou um pedido, a gente conhece pessoas dessas universidades, tanto eu, o meu secretário executivo estudou em Harvard, então foi buscando os contatos [com quem] ele estudou, a gente fez uma parceria de colaboração com Harvard já no Ministério, então a gente foi buscando tantos contatos individuais, como formalizamos a coordenação do grupo de pesquisa. Eles deram a resposta que já tinham dado inclusive para o médico dele, falando assim: “Olha, tem regra, é até o FDA quem controla essas regras”. Para a gente inclusive falou assim, “Ó, estamos considerando ele na lista de triagem”. Então, é como se ele estivesse numa lista de espera possível de triagem, só que a regra de entrada é controlada pelo FDA, tem prazo.Tenho mantido contato com ela, com a família, por coincidência até a irmã dela é uma médica que a gente conhece muito, é professora até da da Unicamp, então o meu secretário executivo estudou com ela também. Assim, coincidência…Vamos continuar. Estão buscando outros institutos, outros países, embaixadas, usando toda a força que a gente tem enquanto governo brasileiro de contatos, sabendo que não tem tratamento para essa doença, o que você tem é, nesse momento, um estudo aberto. Já tiveram outros estudos que não estão mais abertos, alguns que não deram certo, tem a tentativa de poder algum país autorizar o que a gente chama de “uso compassivo”. Então, tudo o que a gente possa fazer enquanto ministério, e eu pessoalmente enquanto médico, e tenho relações, conheço pessoas dos outros países, nos Estados Unidos, na Alemanha, nós estamos fazendo e vamos fazer, buscando apoiar essa família.”The post Caso Lito Souza: Padilha diz que busca contato com EUA também ‘individualmente’ appeared first on InfoMoney.