A espessura de um fio de lã pode render quatro vezes mais para ovinocultores. Segundo a Arco (Associação Brasileira de Criadores de Ovinos), valores vão de US$ 2,40 a US$ 10 por quilo entre fibras mais grossas e mais finas.A diferença está em uma característica difícil de ser percebida a olho nu: o diâmetro da fibra. Medida em micrômetros — ou micra —, a espessura é um dos principais critérios utilizados para determinar a qualidade e a destinação da lã.Em geral, fibras mais finas são mais valorizadas pela indústria têxtil e utilizadas na fabricação de produtos de maior valor agregado. Leia Mais Produção de algodão deve atingir 4,2 milhões de toneladas em 2025/26 Brasil abate 2,4 milhões de bovinos em junho com liderança de Mato Grosso Eloos reúne lideranças para debater os desafios e o futuro do agronegócio Quanto mais fina a lã, mais delicada para artesanatos e teagem. Hoje, o trabalho se tornou atividade rara, mas mantida como tradição familiar no Rio Grande do Sul, onde o segmento é destaque durante a abertura da 49ª Expointer, a maior feira agropecuária a céu aberto da América Latina, que ocorre no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS).Atualmente, o Rio Grande do Sul possui o terceiro maior rebanho ovino do Brasil, segundo a Embrapa Caprinos e Ovinos. Nos últimos anos, o rebanho encolheu, saindo de 2024 de 3,3 milhões de ovinos para 2,6 milhões em 2025, de acordo com dados da Embrapa Caprinos e Ovinos e Mais Ovinos, canal técnico de médicos veterinários gaúchos.A criação está distribuída por 497 municípios, se espalhando por todas as pontas do estado. Quando se trata do mercado da lã, o Rio Grande do Sul concentra mais de 90% da lã brasileira com valor têxtil.A classificação da fibra e a melhoria da qualidade aparecem como caminhos para aumentar o valor obtido pelo ovinocultor sem necessariamente ampliar o número de animais, conforme destacou a organização da feira.Um programa de certificação voltado à atividade já contabiliza quase 600 mil quilos de lã em quatro safras. Segundo dados apresentados pela Arco, propriedades certificadas registraram, em 2024, aumento de até 65,1% na receita por ovelha.A qualidade das fibras também será colocada em evidência no Concurso de Velos promovido pela Arco e pela ABCC (Associação Brasileira de Criadores de Corriedale). A raça corriedale é de origem neozelandesa, mas se adaptou bem ao estado gaúcho pela dupla função: 50% voltada para produção de lã e os outros 50% para carne.A iniciativa avalia características da lã que influenciam sua classificação e seu valor comercial, mostrando como diferenças físicas na fibra podem se refletir na remuneração recebida pelo produtor.Nesta edição da Expointer, produtores e técnicos se reúnem no dia 4 de setembro para avaliar o momento da atividade e discutir oportunidades para ampliar negócios e desenvolver novos projetos no setor.A SIA (Serviço de Inteligência em Agronegócios) e Arco organizam o encontro em parceria com a Carneiro Sul a fim de aproximar os elos da cadeia ovina.Em nota, o gerente de projetos da SIA, Gustavo Heissler, um dos desafios é fazer com que as discussões avancem para iniciativas concretas depois da Expointer.“Mais do que realizar um evento pontual, queremos aproximar os diferentes elos da cadeia, gerar novas conexões e estimular discussões que possam se transformar em projetos depois da Expointer”, afirmou.A avaliação dos organizadores é que reunir diferentes perfis profissionais pode ajudar a identificar oportunidades ainda pouco exploradas pela cadeia.