O Itaú BBA rebaixou a recomendação para as ações da Gerdau (GGBR4) de outperform para market perform, equivalente a uma mudança de “compra” para “neutro”, apesar de elevar o preço-alvo de R$ 27 para R$ 29 ao fim de 2027. Com os papéis encerrando o último pregão a R$ 25,25, o novo alvo implica potencial de valorização próximo de 15%.Segundo o banco, a mudança de recomendação não reflete uma piora dos fundamentos da siderúrgica, mas sim uma avaliação de que boa parte da melhora operacional já foi incorporada ao preço das ações. Desde o fim de março, quando o BBA adotou uma visão mais construtiva para a companhia, os papéis acumulam alta de 33% e superam o desempenho do Ibovespa em mais de 40 pontos percentuais.Os analistas destacam que elevaram as projeções de EBITDA para 2026 e 2027 em cerca de 4% a 5%, ficando aproximadamente 6% acima do consenso do mercado. Ainda assim, avaliam que a relação entre risco e retorno se tornou menos atrativa após a forte recuperação recente das ações.“A melhora operacional continua evidente, mas não vemos mais assimetria suficiente para manter uma recomendação mais agressiva”, afirmam os analistas.América do Norte segue como principal motorO relatório aponta que as operações na América do Norte continuam sendo o principal vetor de resultados da Gerdau. O banco revisou para cima as estimativas de margem EBITDA da região, apoiado por uma combinação de carteira de pedidos robusta, spreads elevados de metais e maior exposição a segmentos de crescimento, como data centers e energia solar.De acordo com o Itaú BBA, esses dois mercados representam atualmente cerca de 12% dos embarques da companhia na região, ante participação praticamente inexistente há alguns anos.Outro diferencial destacado é a posição competitiva da Gerdau no mercado de sucata metálica. O banco avalia que a empresa possui uma vantagem estrutural de custos por não depender de matérias-primas como sucata prime, DRI (ferro-esponja) ou gusa, beneficiando-se da ampla disponibilidade de sucata triturada de menor custo.Com isso, a instituição elevou sua projeção de margem EBITDA da operação norte-americana para 21% em 2027.Brasil melhora, mas ainda limita recuperaçãoNo Brasil, o cenário é visto como mais desafiador. Embora o Itaú BBA reconheça avanços operacionais, como a expansão da mineração em Miguel Burnier, complexo de mineração da companhia em Ouro Preto (MG), e a nova linha de bobinas a quente em Ouro Branco, o banco avalia que a demanda doméstica segue moderada e deve limitar uma recuperação mais acelerada dos preços do aço.Além disso, as medidas antidumping (medida comercial usada para proteger a indústria local contra importações vendidas a preços considerados artificialmente baixos) já implementadas para produtos planos começam a reduzir a pressão das importações, mas os analistas entendem que o consumo aparente de aço ainda permanece fraco.Mesmo assim, o banco considera que a operação brasileira tende a capturar ganhos de eficiência e mantém uma estimativa de margem EBITDA de 14% para 2027.Possíveis gatilhos positivosApesar da cautela em relação ao potencial de valorização, o Itaú BBA vê fatores que podem melhorar o cenário para a companhia nos próximos trimestres.Entre eles estão uma decisão favorável para as investigações antidumping envolvendo bobinas laminadas a quente no Brasil, novas medidas de proteção para produtos longos, uma recuperação mais forte dos preços domésticos do aço, uma desvalorização adicional do real e possíveis mudanças nas regras comerciais da USMCA que fortaleçam a indústria siderúrgica norte-americana.O banco também ressalta que alguns investidores podem continuar enxergando a Gerdau como uma opção defensiva em um ambiente de maior volatilidade global e de enfraquecimento da moeda brasileira.