Carteira com Bitcoin e CDI rendeu 85% em 5 anos, mais que os dois isolados; entenda

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Nos últimos cinco anos, o Bitcoin rendeu 45%. O CDI, 78%. A intuição diz que uma carteira com os dois deveria render algo entre esses números. Não foi o que aconteceu. Uma carteira com 40% de Bitcoin e 60% de CDI, rebalanceada ao longo do período, rendeu 85% – acima das duas pontas que a formam. O que produziu essa diferença não foi escolher o ativo certo nem acertar a hora de entrar. Foi um detalhe operacional: manter a proporção fixa ao longo do tempo.A lógica é simples. O investidor define, por exemplo, 40% da carteira em Bitcoin e 60% em CDI. Como os dois ativos se movimentam em velocidades diferentes, essa proporção naturalmente se altera. Rebalancear significa trazê-la de volta ao percentual originalmente definido.Imagine uma carteira de R$ 10 mil, com R$ 4 mil em bitcoin e R$ 6 mil em CDI. Se o Bitcoin sobe 50%, a posição passa a valer R$ 6 mil e a carteira chega a R$ 12 mil. O Bitcoin, então, passa a representar metade do total. Para retornar aos 40%, o investidor vende parte da posição em bitcoin e direciona o valor ao CDI. No movimento contrário, se o Bitcoin cai, sua participação na carteira diminui e o rebalanceamento leva o investidor a comprar novamente o ativo. Nos dois casos, a regra faz com que ele venda depois da alta e compre depois da queda, sem precisar prever para onde o mercado vai. A pergunta deixa de ser “o Bitcoin vai subir?” e passa a ser “qual percentual da minha carteira ele representa hoje?”. A resposta vem de uma conta, não de uma tentativa de adivinhar o mercado.O que sobra quando o mercado dá a voltaO efeito fica ainda mais claro em uma ida e volta completa. Partindo dos mesmos R$ 10 mil, com R$ 4 mil em Bitcoin, imagine que o ativo suba 50%. A carteira vai a R$ 12 mil e, depois do rebalanceamento, fica novamente dividida em 40% de Bitcoin e 60% de CDI. Se o bitcoin, então, devolver toda a alta e retornar ao preço inicial, a carteira termina com R$ 10,4 mil – considerando, apenas para isolar o efeito, que o CDI não tenha rendido nada.Quem permaneceu exclusivamente em Bitcoin viu o patrimônio subir e depois retornar exatamente ao ponto de partida. Na carteira rebalanceada, parte do ganho havia sido retirada da exposição antes da queda. Cada ida e volta do mercado pode deixar um pedaço para trás. É nesse ponto que a volatilidade deixa de ser apenas risco e pode se tornar matéria-prima, desde que exista uma regra capaz de aproveitar os movimentos.Contexto ainda é importanteO prêmio nasce da oscilação, não simplesmente da alta. Se o Bitcoin sobe de forma contínua e não devolve parte do movimento, comprar e carregar o ativo tende a produzir um resultado superior.Os 78% acumulados pelo CDI no período também merecem uma ressalva. O resultado veio em um ambiente particularmente favorável à renda fixa brasileira, com juros elevados durante boa parte do intervalo. Portanto, uma parcela relevante dos 85% obtidos pela carteira vem do próprio rendimento do CDI, e não apenas do efeito do rebalanceamento.Bitcoin mostra como essas comparações podem mudar rapidamente. Em outubro do ano passado, seu retorno acumulado em cinco anos estava próximo de 90%. Depois da queda recente, esse ganho caiu para cerca de 45%.Quem estava exclusivamente em Bitcoin absorveu integralmente essa oscilação. Quem rebalanceava já havia retirado parte da exposição cada vez que o peso do ativo ultrapassava os 40% definidos para a carteira. O ponto, portanto, não é que a mistura sempre vença. É que ela reduz a dependência de acertar o momento exato de agir, uma habilidade particularmente difícil no mercado.Retorno não conta toda a históriaA carteira composta por bitcoin e CDI apresentou volatilidade anual de 23%, enquanto o Bitcoin isoladamente registrou 55%. Na prática, isso significa atravessar caminhos bastante diferentes para chegar ao resultado final.O mesmo aparece no índice de Sharpe, que relaciona o retorno obtido acima do CDI ao risco assumido. A carteira rebalanceada apresentou Sharpe de 0,61. O Bitcoin puro teve índice negativo porque, no período analisado, rendeu menos que o CDI enquanto submeteu o investidor a uma volatilidade muito maior.Esse é o ponto que uma comparação simples de retornos pode esconder. Duas carteiras podem chegar a resultados semelhantes por caminhos completamente diferentes.Uma estratégia de proporção fixa transforma parte do vaivém do mercado em algo aproveitável, ao retirar exposição depois das altas e recompô-la depois das quedas, sem depender de leitura de cenário ou da coragem de tomar decisões justamente nos momentos mais difíceis. No fim, o ganho não está apenas no retorno. Está também em construir um caminho que o investidor consiga percorrer até o final.*Análise de Pedro Fontes, analista de Research do Mercado BItcoinSe você quer investir em criptomoedas com segurança, o Mercado Bitcoin oferece um benefício especial aos nossos leitores: use o cupom PORTAL250 no cadastro e ganhe R$ 50 de bônus em Bitcoin ao comprar R$ 250 em ativos. Clique aqui para abrir sua conta.O post Carteira com Bitcoin e CDI rendeu 85% em 5 anos, mais que os dois isolados; entenda apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.