Gilberto Tomazoni deixa comando da JBS (JBSS32) após oito anos; veja o legado da sua gestão

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JBS (JBSS32)Depois de quase oito anos à frente da JBS (JBSS32), Gilberto Tomazoni deixará o comando global da companhia em 1º de janeiro de 2027, quando Wesley Batista Filho assumirá como CEO. A sucessão encerra uma etapa em que a maior empresa de proteínas do mundo atravessou ciclos difíceis nos Estados Unidos, recuperou a rentabilidade de negócios importantes, ampliou a diversificação e, depois de anos tentando levar sua estrutura para fora do Brasil, finalmente chegou à Bolsa de Nova York. Tomazoni, no entanto, não rompe com a companhia. Ele passará a vice-chairman do Conselho de Administração e senior advisor do grupo, permanecendo próximo da estratégia enquanto a gestão executiva passa para uma nova geração da família Batista. A troca encerra uma gestão marcada menos por uma grande virada isolada e mais por uma transformação gradual da operação. Tomazoni assumiu em 2018, em um momento no qual a JBS ainda precisava reconstruir a confiança do mercado depois da crise de governança que havia atingido a companhia e afastado integrantes da família Batista da administração executiva.Diversificação ganhou peso na estratégiaTomazoni já conhecia a operação quando recebeu a missão. Antes de chegar ao comando global, passou por áreas importantes da JBS e teve participação direta na reestruturação da Seara, experiência que depois ajudaria a moldar uma gestão fortemente apoiada em eficiência operacional e diversificação.Ao longo dos anos seguintes, a JBS reforçou sua presença em diferentes geografias e proteínas e aumentou a aposta em alimentos preparados e produtos de maior valor agregado. A estratégia buscava diminuir a dependência de ciclos específicos de commodities e criar uma operação capaz de compensar o desempenho mais fraco de um negócio com resultados melhores em outro.A Seara se tornou um dos exemplos mais claros dessa mudança. Depois de um período de margens pressionadas, a operação passou por investimentos em capacidade, automação, eficiência industrial e execução comercial. No primeiro trimestre de 2024, o Ebitda da divisão chegou a R$ 1,2 bilhão, alta de 711% na comparação anual. Essa diversificação também ganhou importância diante das dificuldades da carne bovina nos Estados Unidos. A escassez de gado elevou os custos e pressionou as margens do negócio americano, enquanto operações como Seara, Pilgrim’s Pride, JBS Austrália e suínos ajudaram a equilibrar os resultados do grupo. O desafio continua presente em 2026, quando a JBS Beef North America ainda convive com oferta restrita de animais. Uma JBS maior e finalmente em Wall StreetOs últimos anos ajudam a dimensionar a transformação. Em 2025, a JBS alcançou receita líquida recorde de US$ 86,2 bilhões, crescimento de 12%, e lucro líquido de US$ 2 bilhões. O resultado refletiu principalmente a força de Pilgrim’s Pride, JBS Austrália e Seara.A companhia também avançou na redução da alavancagem em momentos importantes do ciclo. No primeiro trimestre de 2025, a relação entre dívida líquida e Ebitda havia recuado para 1,99 vez, ante 3,66 vezes um ano antes, ao mesmo tempo em que o grupo mantinha investimentos e expansão das operações. Mas talvez o movimento mais simbólico da gestão Tomazoni tenha acontecido fora das fábricas. Em 2025, a JBS concluiu a reorganização societária que permitiu a listagem de suas ações na Bolsa de Nova York, mantendo no Brasil BDRs negociados sob o ticker JBSS32. A mudança aproximou a estrutura de capital da realidade de uma empresa cuja operação já era majoritariamente internacional. O mercado também acompanhou essa evolução com atenção. Ao anunciar a sucessão, as ações da JBS recuaram quase 6% em Nova York. Embora a ascensão de Wesley Batista Filho já fosse considerada provável, o momento escolhido surpreendeu parte dos investidores, enquanto Tomazoni era bem avaliado por analistas e pelo mercado. O legado de Gilberto Tomazoni na JBSA fotografia mais recente da companhia também ajuda a mostrar o tamanho do negócio que será entregue. No segundo trimestre de 2026, a JBS registrou receita recorde de US$ 23,9 bilhões, alta de 14% em um ano. Mesmo com as dificuldades no segmento bovino americano, a maior parte das unidades melhorou a rentabilidade na comparação com o trimestre anterior.Gilberto Tomazoni deixa o comando da JBS (JBSS32) após uma gestão marcada por diversificação, melhora operacional e chegada à Bolsa de Nova YorkA Seara manteve margem Ebitda ajustada de 12,3%, a JBS Brasil teve o maior Ebitda ajustado já registrado para um segundo trimestre e a JBS Austrália aumentou a receita em 30%. A operação americana de carne bovina, por outro lado, permaneceu no vermelho, mostrando que a diversificação que ganhou força nos últimos anos continua sendo importante para amortecer ciclos adversos.Nesse sentido, o legado de Gilberto Tomazoni passa menos por um único número e mais pela construção de uma companhia com diferentes motores de resultado. A JBS chega à sucessão mais internacionalizada, com maior presença em alimentos de valor agregado e com uma estrutura societária redesenhada para acessar o mercado global de capitais.Wesley Batista Filho assume em 2027Wesley Batista Filho, de 34 anos, está na JBS desde 2011 e atualmente comanda a JBS USA, operação que responde por mais da metade da receita global do grupo. Ele assumiu a divisão americana em 2023 e chega ao cargo de CEO depois de administrar justamente um dos momentos mais desafiadores do ciclo da carne bovina nos Estados Unidos.Filho de Wesley Batista e neto do fundador José Batista Sobrinho, o executivo indicou que a transição será marcada por continuidade. Entre as frentes mencionadas estão a expansão em regiões como Oriente Médio, Sudeste Asiático e Oceania, além do avanço de produtos de maior valor agregado e da diversificação de proteínas. Tomazoni permanecerá próximo dessa estratégia como vice-chairman e senior advisor. Assim, a mudança encerra seu período à frente da operação cotidiana da JBS (JBSS32), mas preserva sua participação em uma companhia que chega a 2027 bastante diferente daquela que ele assumiu oito anos antes.