Exportações de café do Brasil crescem 9,9% em julho

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As exportações brasileiras de café cresceram 9,9% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado, e chegaram a 3,030 milhões de sacas de 60 quilos.O resultado, divulgado nesta terça-feira (11) pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), marca uma recuperação dos embarques no primeiro mês da safra 2026/27.Apesar do avanço em volume, a receita obtida com as vendas externas caiu. Os embarques renderam US$ 903,9 milhões em julho, retração de 13,2% na comparação anual, quando a receita havia alcançado US$ 1,042 bilhão.O movimento mostra uma mudança em relação ao cenário observado nos primeiros meses de 2026, quando a menor disponibilidade de café brasileiro e a cautela dos produtores limitaram as vendas externas. Leia Mais Exportações de café do Brasil crescem 3,6% em maio, mas receita recua 16% Exportação de café em abril tem volume estável e receita em queda Taxa sobre café solúvel do Brasil pode subir 15% para entrar nos EUA No acumulado de janeiro a julho, porém, o desempenho ainda permanece abaixo do registrado no ano passado. O Brasil exportou 20,897 milhões de sacas, queda de 5,9% frente aos sete primeiros meses de 2025. A receita cambial somou US$ 7,449 bilhões, recuo de 13,1%.Nova safra abre espaço para recuperaçãoA retomada dos embarques coincide com a entrada de maior volume da safra 2026/27 no mercado. A expectativa do setor é que a disponibilidade de café aumente ao longo do segundo semestre, permitindo uma aceleração das exportações brasileiras.No ciclo anterior, entre julho de 2025 e junho de 2026, o país exportou 38,462 milhões de sacas, queda de 15,7% em relação à temporada anterior. A retração já era esperada pelo setor diante da menor oferta disponível para comercialização.Para a nova temporada, o cenário é diferente. O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, afirmou em julho que os embarques podem voltar à casa de 45 milhões de sacas na safra 2026/27, o que representaria crescimento de aproximadamente 17% sobre o ciclo anterior.O aumento esperado da produção brasileira é um dos fatores que sustentam a perspectiva de recuperação. Com maior disponibilidade de café, especialmente do arábica, o Brasil tende a ampliar sua presença no mercado internacional nos próximos meses.Estados Unidos retoma liderança de maior importadorMesmo após a forte retração das compras, os Estados Unidos permaneceram como o principal destino do café brasileiro entre janeiro e julho.O país importou 2,590 milhões de sacas no período, equivalente a 12,4% de tudo o que o Brasil exportou. O volume, contudo, representa uma queda de 30,5% em relação aos sete primeiros meses de 2025.A relação comercial com o mercado americano ganhou ainda mais importância para o setor neste ano diante das discussões tarifárias entre Brasil e Estados Unidos.Em julho, os cafés brasileiros ficaram isentos da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a parte dos produtos do país. A exceção abrangeu café verde, torrado e também o café solúvel não aromatizado, reduzindo o risco de uma nova pressão sobre os embarques para o principal mercado consumidor do produto brasileiro.A retirada da sobretaxa também melhora a perspectiva para a recuperação das vendas ao mercado americano justamente no momento em que a entrada da nova safra aumenta a oferta disponível para exportação.Brasil pode recuperar espaço no mercado globalO avanço de julho sinaliza, portanto, o início de uma possível mudança de trajetória para as exportações brasileiras de café depois de uma safra marcada pela menor disponibilidade do produto.A recuperação dependerá agora do ritmo de entrada da nova produção, da qualidade dos grãos colhidos e das condições do mercado internacional.Chuvas registradas durante a colheita trouxeram preocupação principalmente em relação à qualidade de parte do café, embora o aumento da produção permita ao setor projetar volumes maiores de exportação. O Cecafé estima que os embarques possam retornar à faixa de 45 milhões de sacas na temporada 2026/27.