'Ghostjacking': ataque usa registros bloqueados por firewalls para manipular agentes de IA

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Uma nova técnica de invasão batizada de Ghostjacking transforma os sistemas de proteção das empresas em porta de entrada para ataques cibernéticos. Revelada por pesquisadores da startup Tenet Security na conferência DEF CON 34, a vulnerabilidade afeta agentes de inteligência artificial (IA) que leem relatórios internos e cumprem tarefas automáticas no sistema.O método explora uma brecha direta: ao bloquear um acesso suspeito, o firewall salva o texto exato daquela tentativa no histórico do sistema. Se um funcionário pede para a IA analisar esses bloqueios, o robô lê o texto gravado e cumpre os comandos escondidos ali como se fossem ordens oficiais da equipe de tecnologia.Nos testes com a ferramenta Claude Code em configurações do Cloudflare, o ataque funcionou em nove de cada dez tentativas. O robô alterou o endereço do site da empresa, direcionou o tráfego para um servidor dos invasores e marcou a tarefa como “resolvida”.Falha se repete em sistemas como Datadog e SentryDetalhamento sobre o esquema (Reprodução/Tenet Security)O mesmo padrão de risco apareceu em outras plataformas populares no mercado. No Datadog, chaves de acesso expostas permitiram a criação de alertas falsos que levaram o agente de IA a rodar códigos maliciosos e vazar senhas da nuvem. Já no Sentry, o ataque fez uma IA intermediária aprovar uma falsa correção e repassá-la para o robô de programação, que confiou no colega virtual e executou a ordem nociva.De acordo com os especialistas da Tenet Security, o problema central não está em um programa isolado, mas no modo como essas ferramentas se conectam.“Sentry, Cloudflare e Datadog não são três falhas separadas. Elas têm o mesmo formato. Uma IA lê dados externos em que confia e essa mesma IA também pode agir sobre eles. Onde quer que essas duas coisas se encontrem, a porta está aberta”, declarou a startup, em comunicado sobre o estudo.Os pesquisadores avisaram as empresas afetadas: Cloudflare, Datadog, Sentry e Anthropic. As big techs corrigiram os problemas antes do anúncio público, de acordo com o relatório.Para reduzir os riscos em outros sistemas, a startup liberou no GitHub o programa gratuito agent-jackstop. A ferramenta impede que a IA acesse a internet sozinha e exige que um humano aprove qualquer ação antes que o robô execute a ordem no computador.Por falar em vulnerabilidades no universo digital, uma falha de quase 20 anos no Linux permite acesso total a servidores e fuga de containers. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.