Ibovespa despenca 2,50% e volta ao menor nível desde janeiro com saída de estrangeiros

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Ibovespa despenca 2,50% e volta ao menor nível desde janeiro com saída de estrangeirosO Ibovespa ampliou a sequência negativa nesta terça-feira (11) e fechou o sexto pregão consecutivo em queda, pressionado principalmente pela saída de investidores estrangeiros e pelo rebaixamento da recomendação para os ativos brasileiros pelo JPMorgan. O principal índice da B3 caiu 2,50%, aos 167.874,64 pontos, depois de tocar a mínima de 167.568,94 pontos, retornando aos menores níveis desde janeiro. O movimento de venda atingiu principalmente as ações de maior peso no índice, como bancos, Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4). Também pesaram as novas pesquisas eleitorais divulgadas nesta terça-feira, que aumentaram a cautela sobre o cenário fiscal para os próximos anos, além da continuidade das incertezas envolvendo o petróleo e o Oriente Médio.Cotação do dólar hojeDólar comercial: fechou em alta de 0,98%, cotado a R$ 5,161, maior patamar em mais de um mês. Durante o pregão, chegou a R$ 5,172. A alta da moeda americana acompanhou a deterioração dos ativos brasileiros e a saída de recursos estrangeiros, mesmo depois de uma abertura mais tranquila. O movimento ganhou força após a divulgação das pesquisas eleitorais e do relatório do JPMorgan.JPMorgan pesa e estrangeiro deixa a bolsaO principal catalisador negativo do pregão foi a decisão do JPMorgan de reduzir a recomendação para o mercado brasileiro de compra para neutra. O banco citou, entre os fatores, a aproximação do fim do ciclo de flexibilização monetária, a desaceleração econômica e a deterioração do ciclo de crédito. O movimento ampliou uma tendência que já vinha sendo observada nas últimas semanas. Segundo dados da B3 citados no mercado, os investidores estrangeiros acumulavam saques de R$ 5,5 bilhões em agosto até o dia 7.Marcelo Audi, sócio-fundador da Cardinal Partners, avalia que a retirada de recursos externos começou a ganhar força ainda em julho, com o aumento das preocupações sobre a política monetária global em meio à pressão do petróleo sobre a inflação.Segundo ele, o relatório do JPMorgan funcionou como um novo gatilho para uma venda mais generalizada dos ativos brasileiros.Eleições também entram no radar do IbovespaO cenário eleitoral adicionou volatilidade à sessão após a divulgação dos levantamentos CNT/MDA e Futura, que mostraram vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL). O mercado passou a recalibrar expectativas para o cenário fiscal a partir de 2027, embora a eleição ainda esteja distante e sujeita a mudanças significativas. Rafael Ihara, economista-chefe da Meraki Capital, avalia que o investidor estrangeiro tende a acompanhar a eleição brasileira com menos intensidade que os agentes locais, mas pondera que o tema não é irrelevante para as decisões de alocação.O movimento negativo do Brasil também destoou de parte dos demais mercados emergentes, reforçando a leitura de que fatores domésticos tiveram peso relevante no pregão.Petróleo volta a pressionar o cenárioO petróleo também permaneceu no radar. O Brent para outubro encerrou em alta de 1,36%, a US$ 88,91 por barril, depois de chegar a superar US$ 90 durante a sessão, em meio ao impasse sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. A valorização da commodity mantém a preocupação com novos efeitos sobre a inflação global e, consequentemente, sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos e em outras economias.No Brasil, o IPCA de julho avançou 0,07%, ante 0,16% em junho, e acumulou 4,44% em 12 meses, voltando para dentro do intervalo de tolerância da meta. O resultado, porém, veio ligeiramente acima das expectativas e não foi suficiente para melhorar o humor da bolsa diante da saída de recursos estrangeiros.Fechamento das bolsas americanasWall Street também encerrou o dia no vermelho, com a redução das expectativas por um acordo entre Estados Unidos e Irã e novas perdas entre grandes empresas de tecnologia.Dow Jones: queda de 0,22%, aos 53.854,61 pontos;S&P 500: baixa de 0,35%, aos 7.725,72 pontos;Nasdaq: recuo de 0,74%, aos 26.409,73 pontos. A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de segunda-feira (10), foi de 172.179,93 pontos, com queda de 0,19%.