Jason Becker teve uma breve passagem pela banda solo de David Lee Roth. O guitarrista entrou para o grupo do ex-vocalista do Van Halen em 1990 e participou das gravações do disco “A Lil’ Ain’t Enough”, lançado em janeiro do ano seguinte.Pouco depois de conquistar a vaga, porém, o músico recebeu o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa que afeta os neurônios responsáveis pelos movimentos e provoca fraqueza e atrofia muscular progressivas. Apesar de concluir as gravações do álbum, o instrumentista não pôde sair em turnê para promovê-lo devido ao avanço da condição e a parceria acabou encerrada.Ao analisar o período hoje, Becker confessa que gostaria de ter se dedicado mais ao projeto. É o que contou em entrevista ao site Ultimate Guitar. Segundo o músico, por mais divertido que tenha sido passar um tempo gravando com Diamond Dave, a descoberta da doença tornou o processo muito difícil. Até porque ouviu dos médicos que não sobreviveria por muitos anos: “Foi um pouco agridoce. Foi muito divertido [gravar o álbum] e passar um tempo com a banda e com Dave foi ótimo, mas eu tinha acabado de receber o diagnóstico. Eu tinha acabado de conseguir o trabalho quando meu amigo Miko me levou à unidade médica da Kaiser para descobrir o que era a sensação de fraqueza que eu tinha na minha panturrilha esquerda. Eu não sabia nada sobre esclerose lateral amiotrófica e também não fui pesquisar. Os médicos estavam com expressões tristes quando me disseram que eu tinha de dois a cinco anos de vida, depois de algumas semanas de exames.”À época, o guitarrista já lidava com a perda de força nas mãos. Por sua vez, os exames aos quais foi submetido também afetaram sua capacidade de criar, fazendo com que sentisse não ter conseguido explorar toda a sua criatividade:“Minha técnica e minha criatividade não estavam no auge. Eu conseguia ver que minha mão esquerda estava perdendo músculos, especialmente entre o polegar e o indicador, e eu tropeçava e caía com frequência. Eu tinha acabado de fazer uma biópsia muscular e uma punção lombar, então não conseguia criar os riffs mais criativos e legais. Acho que é um álbum de rock muito bom. Só gostaria de ter conseguido dar 100% de mim.”De qualquer maneira, Becker garante que David era um ótimo chefe e que, além do cantor, também contou com a boa companhia e com o apoio do baixista Matt Bissonette, do baterista Gregg Bissonette e do guitarrista Steve Hunter:“Dave foi ótimo de trabalhar. Ele me acolheu. Matt e Gregg Bissonette também. Eu e Steve Hunter passávamos o tempo todo juntos. Ele aplicava injeções de vitamina B12 na minha perna.Eu gostaria que Dave e eu tivéssemos mantido contato.”À Rock Sverige em 2019, Jason revelou que as faixas “Taking Me Back” e “Tell Me No Lies”, de seu próprio disco “Triumphant Hearts” (2018), eram descartes de materiais do “A Lil’ Ain’t Enough”. Na ocasião, ainda relembrou a audição para o grupo do vocalista:“Naquela época, eu tinha bastante confiança na minha habilidade como guitarrista. Assim que conheci Dave e todos os integrantes da banda, fiquei totalmente à vontade. Todos fizeram com que eu me sentisse muito valorizado. Eles me acolheram, me incentivaram e acabamos nos tornando amigos. Eram profissionais e me receberam muito bem, além de abraçarem minha energia e juventude. Durante um jantar sofisticado na casa de Dave, ele fez um brinde ao ‘novo pistoleiro da cidade’. Meus pais estavam lá. O estúdio ficava no andar de baixo, e era um lugar muito legal para passar o tempo.”Sobre Jason BeckerJason Becker despontou na cena aos 16 anos com o Cacophony, duo guitarrístico que também contava com Marty Friedman, posteriormente consagrado no Megadeth e em carreira solo. Eles lançaram dois álbuns, “Speed Metal Symphony” (1987) e “Go Off!” (1988).A seguir, lançou o disco “Perpetual Burn” (1988). Chamou atenção de David Lee Roth, que o chamou para substituir Steve Vai em sua banda solo. Registrou “A Lil’ Ain’t Enough” (1991), mas não fez a turnê devido às primeiras manifestações da doença que o acomete até hoje. Desde 1996, Jason se comunica apenas com os olhos, através de um sistema tecnológico desenvolvido por seu pai.Mesmo assim, segue compondo e lançando discos, com outros músicos tocando suas criações. “Triumphant Hearts”, o mais recente, saiu em 2018. “The Strawberry Jams”, compilação de demos e ideias musicais, chegou ao Bandcamp no último mês de fevereiro.Quer receber novidades sobre música direto em seu WhatsApp? Clique aqui!Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | X/Twitter | Facebook | YouTube | Bluesky | Threads | TikTok.O post Jason Becker lamenta não ter dado seu melhor a David Lee Roth apareceu primeiro em Igor Miranda.