Um tribunal da Síria condenou o líder deposto Bashar al-Assad à morte nesta terça-feira (11), após julgamento à revelia. Assad foi declarado culpado de crimes que incluem assassinatos, tortura e prisões arbitrárias cometidos durante a guerra de quase 14 anos no país. A analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta comenta o tema.Além de Assad, um oficial de segurança do regime também foi condenado à morte. A sentença marca a primeira condenação formal contra o ex-líder sírio, que atualmente se encontra em Moscou, capital da Rússia, após ter fugido de Damasco.Simbolismo jurídico e limitações práticasPara a analista Fernanda Magnotta, a sentença representa um marco de ruptura.“A sentença é um marco de ruptura na medida em que encerra, pelo menos do ponto de vista jurídico e formal, essas mais de duas décadas de uma série de atrocidades cometidas por essa administração”, afirmou.Magnotta destacou que a decisão integra o que chamou de “processualística da justiça de transição”, comum em países que passaram por graves violações de direitos humanos.No entanto, a analista alertou para um ponto de cautela: “essa justiça de transição não necessariamente vira justiça de vencedores”. Segundo ela, a própria administração que está à frente da Síria atualmente “carece de legitimidade”, sendo ainda transitória e temporária.Magnotta ressaltou que o futuro do país permanece incerto, especialmente diante do histórico jihadista de lideranças como Ahmed Al-Shara, que ocupa a posição mais importante do país, com ligações passadas à Al-Qaeda.O dilema geopolítico com a RússiaDo ponto de vista prático, Magnotta apontou que o principal obstáculo ao cumprimento da pena é a Rússia. “É bastante improvável que Moscou entregue Assad para os sírios”, declarou. Ao mesmo tempo, a analista observou que a Rússia tenta se equilibrar, pois ainda tem interesse em manter relações com a Síria.Para além da concentração de poder, existem também problemas ligados a minorias e à própria estrutura jurídica do país, o que impede qualquer garantia de que a Síria viverá dias melhores após essa condenação. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.