O número de brasileiros que vivem em áreas de risco geológico alto alcançou o maior patamar da série recente em 2026. O dado integra o relatório 2026 do Observatório Brasileiro das Desigualdades, produzido pelo DIEESE e divulgado pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades.Foram registradas 4.679.655 pessoas nessa condição em 2026, alta de 7% em relação ao ano anterior, quando o total era de 4.365.530. O levantamento tem como fonte o Serviço Geológico do Brasil.Gráfico referente ao número de pessoas em áreas de risco geológico – Brasil, 2023, 2025 e 2026 • Créditos: Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, divulgado pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades Leia Mais El Niño: Especialista aponta o que priorizar na segurança hídrica do país Eventos Climáticos como El Niño vão impactar moradia no Brasil El Niño gera alerta severo de riscos de incêndios no Brasil A exposição ao risco geológico foi um dos seis indicadores que pioraram entre os 48 acompanhados pelo estudo, que reúne dados sociais, econômicos, ambientais e políticos. Do total, 71% apresentaram melhora, seis registraram piora e cinco ficaram estáveis.A alta contrasta com o desempenho de outros indicadores ambientais no mesmo período. As emissões de gases de efeito estufa caíram 16,7% em 2024, e a área desmatada recuou para 984,8 mil hectares em 2025, queda de 53,4% ante o pico de 2022.Segundo o relatório, o aumento não decorreu do adensamento de moradores em áreas já mapeadas, mas da expansão de novas áreas de risco. Para os autores, o movimento revela a fragilidade das políticas públicas voltadas ao enfrentamento do problema.O país tem hoje cerca de 17 mil áreas de risco geológico, em sua maioria ocupadas por famílias sem acesso a moradia adequada. O documento associa a exposição a esse tipo de risco à vulnerabilidade da população às mudanças climáticas.Sudeste concentra o maior contingenteO Sudeste reúne a maior parte das pessoas expostas a risco geológico no país em 2026, com 1.456.735 — cerca de 31% do total nacional. Em seguida vem o Sul, com 1.225.741.O Nordeste registrou 1.027.594 pessoas em áreas de risco, e o Norte, 920.020. O Centro-Oeste teve o menor número entre as regiões, com 49.565, muito abaixo das demais.Gráfico referente ao número de pessoas em áreas de risco por regiões • Créditos: Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, divulgado pelo Pacto Nacional pelo Combate às DesigualdadesO relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades está em sua quarta edição. A primeira foi publicada em agosto de 2023, junto com a criação do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, com o objetivo de monitorar a evolução das desigualdades no país.