A Comissão de Relações Exteriores da Câmara deve ouvir nesta quarta-feira (12) o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim. Ele foi convidado para tratar do posicionamento do governo sobre a equiparação de facções criminosas brasileiras a organizações terroristas.Os deputados esperam ouvir esclarecimentos sobre a postura contrária do Executivo à classificação. O convite foi motivado pela decisão do governo dos Estados Unidos que definiu, em 28 de maio, o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. Leia Mais: Brasil aguarda resposta da Colômbia para envio de ajuda humanitária Amorim diz que post de republicano com montagem de Lula é uma "ameaça" Embaixada dos EUA avisou governo que "missão eleitoral" encontraria Flávio No mesmo dia, horas antes do anúncio, Amorim havia afirmado que “equiparar o crime organizado ao terrorismo não é útil”. A declaração foi feita durante discurso no XIV Encontro Internacional de Altos Representantes para Assuntos de Segurança, realizado na Rússia.Em nota, após a decisão dos EUA, o governo afirmou que o enfrentamento ao PCC e ao CV é uma “prioridade” e um “combate permanente”. Na avaliação do Executivo brasileiro, as duas organizações buscam “obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas” e isso “não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional”.A designação dos dois grupos brasileiros como Organizações Terroristas Estrangeiras, (FTO na sigla em inglês), pelos EUA passou a valer oficialmente em 5 de junho. O governo brasileiro rejeita a equiparação e avalia haver um possível risco à soberania do país.O pedido original para ouvir Amorim foi apresentado pelo deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), um dos vice-presidentes da comissão. Ele havia solicitado a convocação do assessor especial, formato em que a presença é obrigatória. O requerimento, no entanto, foi transformado em convite após negociação da data de comparecimento de Amorim.Para o deputado, a defesa da soberania nacional “não pode funcionar como escudo para minimizar a gravidade da expansão” do PCC e do CV. “Da mesma maneira, a reação do governo brasileiro não pode ser marcada por ambiguidade, minimização ou defensiva ideológica”, afirmou van Hattem no requerimento.A presença de Amorim na comissão foi acordada ainda em julho, antes do recesso parlamentar. O embaixador é ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa. Ele ocupa a chefia da assessoria para assuntos internacionais da Presidência da República desde o início do atual mandato.EUA passam a tratar PCC e CV como terroristas a partir desta sexta (5) | CNN NOVO DIA