A Empiricus Research recomendou compra para o BTG Pactual Dívida Infra CDI (BCDI11), fundo de infraestrutura (FI-Infra) da BTG Pactual Asset que foi listado na bolsa de valores (B3) na última terça-feira (4).Em relatório, os analistas Caio Nabuco de Araujo, Lais Costa e Pedro Claudino apontaram, entre os pontos positivos para a tese de investimento, que o veículo apresenta retorno atrelado ao CDI e “perfil defensivo”.Segundo o trio, o fundo existe desde 2024, quando tinha pouco mais de R$ 60 milhões de patrimônio, mas ganhou escala após realizar uma nova oferta de aproximadamente R$ 120 milhões, em abril deste ano, alcançando um patrimônio próximo de R$ 190 milhões.De acordo com os analistas, a intenção do BTG com a listagem é transformar o veículo em sua principal estratégia de infraestrutura atrelada ao CDI, ocupando um papel semelhante ao do BDIF11 — também da BTG Asset — entre os FI-Infras indexados ao IPCA.“O BCDI11 e o BDIF11 compartilham a mesma equipe de análise, originação e gestão, liderada por Luis Bolfoni, mas possuem propostas diferentes”, escreveram.“O segundo combina ativos estruturados e posições com maior potencial de valorização, aceitando maior volatilidade e duration. Já o primeiro foi desenhado para o investidor que prioriza retorno atrelado ao CDI, menor oscilação da cota e maior previsibilidade de renda”, acrescentaram.Atualmente, o BCDI11, que busca entregar retorno equivalente a CDI +1,25% ao ano, mantém 94% de sua carteira alocada em debêntures. Os outros 6% estão em caixa, principalmente títulos públicos.De acordo com seu relatório gerencial mais recente, o portfólio reúne 58 ativos de diferentes segmentos da infraestrutura.Portfólio do BCDI11 (Imagem: divulgação/ BTG Pactual Asset)Momento da listagemA Empiricus destacou que o momento da listagem do fundo pareceu “favorável” por dois motivos. O primeiro é que, após a reprecificação recente, ativos high grade de setores defensivos passaram a oferecer spreads mais atrativos do que em 2025, sem deterioração equivalente dos fundamentos.Já o segundo, segundo a casa, está ligado à oferta concluída no fim de abril. Isso porque, como os recursos recém-captados ainda estão dentro do período regulatório de enquadramento, o BCDI11 pode manter temporariamente uma parcela maior em ativos não incentivados e originalmente indexados ao CDI.“Essa flexibilidade permite aproveitar operações mais curtas e com spreads superiores, antes de a carteira convergir gradualmente para os limites regulatórios de debêntures incentivadas”, afirmou o trio de analistas.A Empiricus também pontuou que a listagem trouxe um novo elemento para o investidor: a cota passou a oscilar no mercado secundário e poderá ser negociada com ágio ou deságio em relação ao valor patrimonial.Para reduzir o risco de baixa liquidez, o BCDI11 iniciou as negociações com um formador de mercado (market maker) do próprio BTG.A gestora também estuda a possibilidade de recomprar cotas caso haja desconto excessivo na marcação a mercado, embora esse mecanismo ainda dependa de avaliação regulatória.Espaço na prateleira de FI-Infras listadosO BCDI11 encerrou seu primeiro pregão na B3 com uma cota de mercado de aproximadamente R$ 101, um deságio de quase 2% em relação à cota patrimonial, de acordo com a Empiricus, que vê o momento como uma “oportunidade”.“Em nossa visão, o deságio representa uma oportunidade de compra, uma vez que eleva o carrego equivalente do fundo de CDI + 1,2% ao ano, considerando o valor da cota patrimonial, para aproximadamente CDI + 1,7% ao ano”, disse a casa.“Na nossa leitura, o BCDI11 preenche um espaço relevante na prateleira de FI-Infras listados. A estratégia aproveita a experiência e a capacidade de originação do time responsável pelo BDIF11, mas direciona sua carteira para um público mais conservador”, acrescentou.Sobre os custos, a Empiricus destacou que o fundo, que é destinado ao público geral, possui 0,75% ao ano de taxa de administração e 20% de performance sobre o CDI.Como funcionam os FI-Infras?Os FI-Infras investem majoritariamente em debêntures incentivadas, que são títulos de dívida emitidos por empresas para financiar projetos de infraestrutura e que contam com benefícios tributários previstos em lei.Para o investidor pessoa física, uma das principais vantagens desses veículos é a isenção de Imposto de Renda tanto sobre os rendimentos distribuídos pelos fundos quanto sobre o ganho de capital obtido na venda das cotas, desde que observadas as regras aplicáveis à categoria.Por outro lado, assim como todo tipo de investimento, os FI-Infras também estão sujeitos a riscos, como a qualidade de crédito dos emissores das debêntures, as condições do mercado de renda fixa e a oscilação do preço dos papéis.