O PM (Policial Militar) Adriano Fernandes de Campos e o ex-policial militar Gilberto Eric Rodrigues, acusados de matar o adolescente Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, na zona Sul da capital, em junho de 2020, foram absolvidos pela Justiça de São Paulo nesta quarta-feira (12).De acordo com os advogados Renato Soares, Mauro Ribas e Damilton Oliveira e Marcelo Primo, que fizeram a defesa dos absolvidos, a decisão foi tomada por meio de documentos e laudos periciais, que comprovam que ambos os acusados são inocentes.No documento do TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) sobre a absolvição, testemunhas e os acusados foram interrogados. Após as interrogações, os jurados e juradas decidiram por votação que Adriano e Gilberto não eram autores da morte de Guilherme. Leia Mais Justiça anula condenação de PM por morte de jovem e pede novo júri popular Em cinco dias, dois PMs morrem baleados com tiros de fuzil no RJ Polícia apreende adolescente suspeito de envolvimento na morte de GCM em SP Violência policial: Brasil tem 18 mortos por dia em intervenções policiais | LIVE CNNA defesa dos homens comentou em nota oficial sobre a decisão que a decisão do julgamento pode auxiliar na reversão de outras condenações de Gilberto Eric.Confira a nota da defesa na íntegra:A defesa de Adriano Campos e Gilberto Eric Rodrigues, composta pelos advogados Renato Soares, Mauro Ribas e Damilton Oliveira e Marcelo Primo, entende que mais uma vez os jurados fizeram justiça, absolvendo o ex-sargento da PM por negativa de autoria e agora Gilberto. A defesa acredita que este julgamento é um ponto de virada para reverter as demais condenações de Gilberto Eric.Relembre o casoNa madrugada do dia 14 de junho de 2020, o adolescente Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, foi sequestrado na rua Rolando Curti, na Vila Clara, zona Sul de São Paulo. Posteriormente, a investigação apontou que ele foi morto a tiros na Travessa da Saúde, na avenida Alda, em Diadema.Segundo a investigação, alguns jovens teriam invadido um canteiro de obras da empresa Globalsan Saneamento e Construções Ltda localizada na aua Álvares Fagundes, próximo ao local onde o jovem foi sequestrado.De acordo com o Ministério Público, o réu Adriano, responsável por uma empresa de segurança contratada para cuidar no local, e Gilberto, então foragido do Presídio Militar Romão Gomes, renderam o adolescente sob ameaça de armas de fogo, o colocaram em um veículo e o levaram até a Travessa da Saúde, onde ele foi morto a tiros.A promotoria sustenta que o homicídio foi praticado por motivo torpe, com emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.A denúncia aponta que os acusados pretendiam retaliar os responsáveis pela invasão ao canteiro de obras e escolheram Guilherme, que morava na região, para servir de exemplo aos moradores da comunidade.O documento, obtido pela CNN Brasil, ainda indica que Adriano e Gilberto teriam atuado como milícia privada, “agindo a pretexto de prestação de serviço de segurança, com intuito de impor, por medo e terror, o domínio daquela comunidade”.Caso gerou revoltaMoradores protestaram na região onde o crime ocorreu, na noite de 15 de junho de 2020, após a morte de Guilherme Silva Guedes, jovem de 15 anos morador do bairro. Ele havia desaparecido na noite anterior e foi encontrado morto posteriormente.A família acusou policiais militares de serem responsáveis pela morte do garoto. As manifestações começaram na rua Rolando Curti, onde mora a família de Guilherme.Protestos na região de Americanópolis, periferia da zona sul de São Paulo, pela morte de Guilherme Silva Guedes (15.jun.2020) • Foto: Carolina FigueiredoAinda na mesma região, na avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, ônibus foram incendiados. Viaturas de quatro batalhões e o Choque precisaram ser mobilizados ao local, além de sete equipes do Corpo de Bombeiros para conter os focos de incêndio.