Vale (VALE3): o novo passo da companhia para ir muito além do minério de ferro

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A Vale (VALE3) deu mais um passo em sua estratégia de ampliar a relevância do negócio de metais para transição energética ao anunciar o avanço do projeto Coarse Particle Flotation (CPF), em Salobo, para a fase de execução. O movimento foi recebido de forma positiva por analistas, que enxergam na decisão não apenas uma melhora na rentabilidade de um projeto específico, mas também novos sinais de ganho de eficiência na plataforma de cobre da companhia.O projeto terá início de operação previsto para o primeiro semestre de 2028, cerca de um ano antes do cronograma originalmente divulgado. Além disso, o investimento necessário foi reduzido para aproximadamente US$ 215 milhões, abaixo da faixa anterior de US$ 225 milhões a US$ 275 milhões. A Wheaton Precious Metals contribuirá com US$ 40 milhões para financiar a iniciativa, reduzindo o desembolso líquido da Vale Base Metals (VBM) para cerca de US$ 175 milhões.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai com pressão de BBAS3, HAPV3 e VALE3Bolsas dos EUA operam mistas após dados de inflação mais animadoresA expectativa é que o CPF acrescente 6 milhões de toneladas por ano à capacidade de processamento de minério de Salobo, elevando o total para 42 milhões de toneladas anuais. O projeto também deverá ampliar a produção em até 30 mil toneladas anuais de cobre contido em concentrado e cerca de 15 mil onças anuais de ouro como subproduto.Mais um sinal de melhora na execuçãoPara o Bradesco BBI, o principal aspecto da notícia não é apenas a antecipação da entrada em operação ou a redução do capex, mas a evidência de que a Vale Base Metals vem conseguindo acelerar e otimizar sucessivamente seus projetos de crescimento.Os analistas destacam que este é o segundo projeto relevante da divisão de metais básicos a ser antecipado recentemente. Antes de Salobo, o projeto Bacaba já havia tido seu cronograma acelerado, com início de operação agora previsto para o terceiro trimestre de 2027, além de uma redução de quase 50% nos investimentos originalmente previstos.Na visão do BBI, o histórico recente aumenta a probabilidade de que outras iniciativas da carteira, especialmente o projeto Alemão, também apresentem ganhos semelhantes de cronograma e eficiência. Isso eleva as chances de a Vale atingir suas metas de crescimento em cobre antes do esperado.A leitura dos bancos é que o anúncio reforça uma das principais teses de longo prazo para a Vale: a gradual transformação da companhia em uma produtora mais diversificada, reduzindo sua dependência do minério de ferro.Atualmente, a Vale Base Metals produziu cerca de 382 mil toneladas de cobre em 2025 e projeta produzir entre 360 mil e 380 mil toneladas em 2026. O plano estratégico prevê expansão para aproximadamente 700 mil toneladas anuais até 2035, combinando crescimento orgânico e manutenção de custos abaixo da média da indústria.Segundo o Morgan Stanley, o avanço de Salobo faz parte justamente dessa estratégia de crescimento. Embora o impacto financeiro imediato seja pequeno quando analisado no contexto consolidado da Vale, o projeto funciona como mais uma evidência de que a empresa vem executando sua agenda de expansão em cobre de forma mais eficiente do que inicialmente previsto.O banco americano ressalta ainda que o mercado tem aumentado a atenção não apenas para a oferta global de cobre, mas também para a capacidade de processamento localizada em países considerados estratégicos pelo Ocidente. Nesse contexto, os ativos brasileiros da Vale ganham importância adicional.Valor oculto pode crescerO Bradesco BBI lembra que já tratava Salobo CPF como um dos principais vetores de crescimento de curto prazo da divisão de cobre, ao lado dos projetos Bacaba e Alemão. Em estudo publicado anteriormente, os analistas estimavam que o CPF poderia gerar valor presente líquido (VPL) de cerca de US$ 1,8 bilhão e taxa interna de retorno próxima de 49%.Com a antecipação da entrada em operação e a redução do investimento necessário, o banco revisou para cima sua estimativa de valor para o projeto, calculando aumento de aproximadamente 15% no VPL.A instituição projeta que a divisão de metais básicos poderá responder por cerca de 35% do Ebitda consolidado da Vale em 2035, ante aproximadamente 21% em 2025. Essa mudança de perfil tende a reduzir a exposição da companhia aos ciclos do minério de ferro e ampliar sua participação em mercados ligados à eletrificação e à transição energética.Por outro lado, os analistas destacam que o principal desafio continua sendo a execução dos projetos da VBM ao longo dos próximos anos. O Morgan Stanley observa que a estratégia da companhia exigirá investimentos relevantes, com desembolsos estimados em cerca de US$ 1,6 bilhão em 2026 e aproximadamente US$ 2 bilhões por ano a partir de 2027. Somente os projetos brasileiros de cobre devem consumir cerca de US$ 3,5 bilhões entre 2026 e 2030.O Bradesco BBI mantém recomendação outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra) para a Vale, com preço-alvo de US$ 19 para o ADR (recibo de ações negociado nos EUA), argumentando que a aceleração e a otimização dos projetos de cobre elevam o potencial de crescimento da Vale Base Metals e aumentam as chances de a companhia atingir suas metas de produção antes do previsto. Já o Morgan Stanley tem recomendação equalweight (exposição em linha com a média, equivalente à neutra), com preço-alvo de US$ 16,50, reconhecendo que a antecipação do projeto Salobo CPF melhora a rentabilidade dos investimentos em cobre, mas avaliando que seu impacto financeiro ainda é relativamente pequeno na escala consolidada da mineradora.The post Vale (VALE3): o novo passo da companhia para ir muito além do minério de ferro appeared first on InfoMoney.